Posts Tagged ‘União Astronômica Internacional’

IAU XXVII GENERAL ASSEMBLY – Encerramento

agosto 26, 2009

Depois da chamada, abertura oficial, simpósio 262 e simpósio 265, chegou a hora (com quase duas semanas de atraso) de falar um pouco sobre o encerramento da Assembléia Geral da IAU, que ocorreu entre 3 e 14 de agosto no Rio de Janeiro. Nada mais justo do que começar este pequeno relato (cheio de figuras) com o cartaz oficial do Ano Internacional da Astronomia. Todas as imagens deste post foram retiradas do site oficial da IAU. Aliás, para quem quiser uma outra fonte de textos muito legais e bem escritos sobre a assembléia geral da IAU vale a pena conferir o blog do Prof. Cássio Barbosa. Ele escreveu uma série de posts com informações diretamente da sala de imprensa do evento!

Na minha modesta opinião de marinheiro de primeira viagem nesse tipo de assembléia, o resultado foi muito positivo. Apesar de alguns pequenos descuidos da organização nos primeiros dias, tudo foi resolvido e o evento transcorreu sem grandes dores de cabeça. Digo isso como mero participante, porque sei que o pessoal da organização fez de tudo para que nenhum eventual problema aparecesse para os demais. O local onde foi realizado o evento (Centro de Convenções Sulamérica – veja foto abaixo) foi bem escolhido e deu conta do recado.

A estrutura para os painéis apresentados durante os vários simpósios também foi bem satisfatória. É fato que essa parte do evento sempre fica um pouco esquecida (principalmente porque as seções de painéis acontecem no horário do coffee-break), mas como podemos ver abaixo, o local estava movimentado.

O encerramento oficial do evento aconteceu no dia 13 de agosto (um dia antes do término dos simpósios). Na assembléia geral, aberta a todos os participantes (porém só os membros efetivos possuem direito de votar), foi feita a transição entre presidentes (Catherine Cesarski passou o comando para Robert Williams), secretários gerais e etc. Além disso, foram apresentadas novas resoluções, como a de incentivo à astronomia em países em desenvolvimento. Para se ter uma idéia, alguns países mais pobres não possuem sequer um observatório nacional e pouquíssimos astrônomos! Então existe uma “força-tarefa” que pretende criar incentivos nessa área (recomendo novamente o blog do Prof. Cássio, que tem um resumo sobre as novas resoluções). A foto abaixo foi tirada durante uma das votações.

Depois de toda a parte burocrática (e necessária para um evento deste porte), foi a hora de mais uma apresentação musical. Desta vez foi um coral que cantou, entre outras músicas, Garota de Ipanema. O cidadão à frente do coral tentou embalar a platéia com algumas batucadas, fazendo sons com as mãos e etc. Os astrônomos ficaram meio acanhados a princípio, mas no final estava todo mundo de pé tentando sambar.

Resumindo: foi uma experiência ótima, do princípio ao fim. Digam o que quiserem, mas o Rio tem seu charme e a organização conseguiu aproveitar bem o potencial da cidade. Bom, terminado o evento, só nos resta aguardar o dia 20 de Agosto de 2012, quando terá início a XXVIII Assembléia Geral em Pequim, China.

(Obs: agora só aqui entre nós: a assembléia seguinte, lá em 2015, acontecerá aqui)

IAUS 265 – Chemical Abundances in the Universe: Connecting First Stars to Planet

agosto 17, 2009

Aconteceu, entre 10 e 14 de agosto, o Simpósio 265 da União Astronômica Internacional (dentro da Assembléia Geral), dedicado exclusivamente às abundâncias químicas no Universo. Foi um apanhado geral do status das pesquisas voltadas ao estudo da composição química de estrelas, tanto na Galáxia quanto fora dela. Além disso, ocorreu dentro deste simpósio uma seção dedicada à Planetas Extrasolares, onde foram apresentados os vínculos entre abundâncias de metais em estrelas e a possível ocorrência de vida.

O evento foi muito bem organizado, e a sequência das apresentações foi pertinente. A semana teve início com uma plenária proferida por S. Woosley, que deu um panorama geral do status das pesquisas nesse tema, desde o cálculo em laboratório de parâmetros atômicos, passando pelas abundâncias em estrelas e galáxias, até chegar aos corpos que orbitam estrelas.

O programa seguiu a seguinte ordem (entre 10-15 palestras com 15-30 minutos a cada dia):

  • Nucleosíntese primordial e as primeiras estrelas no Universo;
  • Primeiras estrelas na Galáxia;
  • Aglomerados estelares: blocos formadores no tempo e espaço;
  • Abundâncias químicas no Universo em altos-redshifts;
  • Vínculos em abundâncias químicas e formação estelar na Galáxia e no Grupo Local;
  • Planetas Extrasolares: a conexão com abundâncias químicas;
  • Surveys dedicados à abundâncias e projetos na era dos grandes telescópios.

O assunto que mais me interessou foi (de longe) o último tópico, sobre projetos de mapeamento do céu e determinação de abundâncias químicas para o maior número possível de objetos. Alguns projetos, como o survey LSST (início das operações previsto para 2015), vão mapear várias vezes o céu em profundidades nunca antes alcançadas por telescópios na Terra. Serão terabytes de dados a cada noite, onde serão feitas análises tanto químicas quanto dinâmicas. Isso é de especial importância para o pessoal que já faz modelos quimio-dinâmicos de evolução galática. Eles terão milhões e milhões de dados observacionais para testar seus modelos.

E, novamente, foi levantado o ponto: será que quando essa avalanche de dados for coletada, nós teremos mão de obra e tecnologia suficientes para retirar o máximo de informação desta fonte em tempo hábil? Todos os aspectos e impactos devem ser pensados com muita calma. Lembrando da frase: “Se você falha no planejamento, você está planejando falhar”. Mas eu senti tanta confiança nas pessoas ao apresentarem seus planos de ação que tenho certeza que a próxima década será mais extraordinária do que esta, e nosso entendimento sobre as estruturas do Universo será aumentado consideravelmente.

Depois de tantos assuntos interessantes, o simpósio terminou com uma palestra de revisão feita por V.  Smith, que conseguiu captar (com pitadas de humor) os principais pontos levantados durante a semana. Resumindo: muito trabalho pela frente!

IAU S262 – Stellar Populations: Planning for the Next Decade

agosto 7, 2009

Como já informado aos leitores do blog, 2/3 da equipe do café com ciência participa dos simpósios e da assembléia geral da IAU (ou UAI em português – favor não confundir a sigla com o termo largamente utilizado pelos grandes companheiros de Minas Gerais: uai).

Nesta primeira semana eu participei do Simpósio 262, que fala sobre populações estelares e os planos de desenvolvimento nesta área para a próxima década. O café com ciência já possui uma série de posts sobre o assunto, que pode ser acessada aqui.

A ordem geral é investir em modelos computacionais para síntese de populações estelares. Ou seja, criar modelos sofisticados que reproduzam com cada vez mais precisão as observações feitas daqui da Terra (e do espaço). Existem muitos grupos pelo mundo (também com presença de pesquidadore(a)s brasileiro(a)s) investindo pesado nesse tipo de modelagem.

Em uma outra palestra, aprendi sobre uma nova definição para estrelas de população III. É mais ou menos assim: a população IIIa é composta pelas estrelas super-massivas (comentadas no post anterior), que foram a primeira geração estelar, que evoluiu  rapidamente, enriquecendo o meio interestelar que deu origem às estrelas de população IIIb (ou II.5), segunda geração estelar de baixa massa (estrelas pobres em metais), que sobrevive até os dias de hoje…

Finalmente, hoje à tarde, uma das últimas palestras do simpósio versou sobre as perspectivas para os próximos 10 anos nessa área de populações estelares em galáxias. Complementando o que eu disse logo acima, a dica foi se preparar para a avalanche de dados que vai aparecer nos próximos anos, vindos de grandes campanhas como o LAMOST e dos telescópios como E-ELT, preparado para operar a partir de 2018. Ferramentas estatísticas, técnicas computacionais e treinamento de pessoal especializado foram alguns dos pontos levantados.

Na próxima semana, eu apresentarei um trabalho no Simpósio 265 – Abundâncias químicas no universo: conectando as primeiras estrelas aos planetas, que contará com a presença de experts na área. Aguardem notícias!

E, como ninguém é de ferro, chegou o final de semana e é hora de descansar (trabalhar) um pouco. No sábado, se o tempo ajudar, haverá visitação ao Cristo Redentor e outros pontos turísticos da cidade. Já no domingo, muitos terão a oportunidade de assistir o jogo do Flamengo contra o Corinthians no Maracanã. Independente da simpatia com algum dos times, vale a visita ao estádio!

IAU XXVII GENERAL ASSEMBLY – Abertura Oficial

agosto 4, 2009

Hoje à tarde aconteceu a abertura oficial da Assembléia Geral da União Astronômica Internacional (IAU). Ontem já ocorreram várias plenárias e palestras dentro dos simpósios (mais notícias em breve), mas hoje é que o evento começou de fato.

O evento da tarde teve início com o discurso da presidente da IAU, Catherine Cesarski, seguido pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis Jr., e pelo ministro de ciência e tecnologia, Sérgio Rezende. Logo em seguida, falou o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e, finalmente, o governador do estado, Sérgio Cabral.

Todas as pessoas citadas acima foram enfáticas quando falaram do desenvolvimento e crescimento da astronomia no Brasil, da importância do investimento em ciência de base e também na nova postura do governo no sentido de direcionar maiores fatias do orçamento para pesquisa.

Um aspecto que me chamou a atenção (de forma positiva – exceto pelo governador), foi que todos fizeram seus comentários em inglês. O prefeito do Rio falou muito bem, sem “cola” nem nada, e articulou muito bem seu discurso. Já o governador leu muito mal um discurso pronto e, posso dizer com certeza, não agradou muito a platéia.

(Parênteses: Não conheço os políticos citados acima, não sei se são bons ou ruins e não tenho informação alguma sobre eles – os comentários feitos dizem respeito apenas aos discursos proferidos pelos mesmos nesse curto período de tempo, nada mais).

Fechada a parte dos discursos, fomos presenteados com uma apresentação muito bela da Companhia Folclórica do rio de Janeiro. Fiquei muito impressionado com a qualidade da apresentação. Todos os presentes ficaram eufóricos e puderam conhecer um pouco da nossa rica cultura.

A seguir, foi apresentado o Gruber Cosmology Prize 2009, da Peter & Patricia Gruber Foundation, que premia os destaques da área durante o ano. Para 2009, os vencedores foram: Wendy Freedman, Robert Kennicutt e Jeremy Mould. Eles foram premiados por determinarem medidas definitivas da taxa de expansão do Universo, também conhecida como constante de Hubble. Posso dizer que é muito bom assistir pessoas sendo premiadas depois de 20, 30 ou até 40 anos de trabalho árduo. Sei que muitos vão passar a vida trabalhando muito e sem ter o devido reconhecimento, mas para os que o tem, a sensação deve ser fantástica.

Terminadas as premiações, teve início a assembléia de fato, onde são decididos, entre outras coisas, assuntos administrativos e burocráticos desta instituição. Bem, foi justamente neste momento que, na assembléia de 2006 em Praga, Plutão foi “rebaixado” de planeta para planeta-anão.

E, como ninguém é de ferro, logo após todo esse trabalho, todos puderam interagir e relaxar no coquetel de abertura do evento. Este é o melhor momento para conhecer pessoas e interagir com pesquisadores e alunos de diversas áreas e instituições do mundo todo, além estabelecer colaborações de trabalho (Provavelmente, enquanto escrevo, alguns ainda estão por lá!).

Amanhã, depois de um merecido descanso, os simpósios e discussões voltam à sua programação normal. Aguardem notícias!