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Uma protoestrela

setembro 30, 2009
Objeto 51 da Constelação de Ofiuco.

Objeto 51 da Constelação de Ofiuco. Créditos: NASA/GSFC/Marc Kuchner e Francis Reddy.

Uma das áreas mais instigantes da Astronomia é a que trata da formação de estrelas.

Como elas surgem da contração de material do meio interestelar, ficam embebidas e obscurecidas por este material boa parte de suas vidas. Quando vem à tona, exibindo toda sua beleza e impondo respeito com suas rajadas ionizantes, já estão bem formadas e finalizadas.

É, de certa forma, como uma gestação humana. Em situações normais, quando a criança vem ao mundo já está praticamente formada. Já é um ser humano que irá crescer, reproduzir e morrer mais na frente. Mas o processo de formação, célula a célula, músculo a músculo, osso a osso, não é diretamente visualizado pois o feto está escondido no ventre da respectiva mãe.

Por outro lado, quando tratamos de estrelas, o ventre em questão não soa muito romântico, pois é constituído de gás e poeira.

Na imagem acima, vemos uma representação artística de uma estrela (a estrela 51 da constelação do Ofiúco) com um disco de acresção de matéria. A matéria espirala em direção à estrela central até o momento em que a radiação emanada do jovem astro possa varrer o material pra bem longe. Esta estrela foi estudada usando os poderosos telescópios gêmeos Keck. E, por meio deste estudo, detectou-se o menor disco em volta de uma estrela em formação (51 de Ofiúco tem dois discos, um interno e menor e outro externo e, portanto, maior). Como comparação, se fosse em nosso Sol este disco interno atingiria a órbita de Júpiter.

Materiais maiores podem resistir à pressão e permanecer orbitando em torno da estrela. São os protoplanetas. Compostos de material quimicamente enriquecido por uma geração de estrelas anteriores a que está se formando, estes futuros planetas poderão em algum momento abrigar moléculas replicantes e, quem sabe, até mesmo vida inteligente. Vida que possa querer entender sua origem e passe a olhar para os céus. E não demoraria muito, veriam estrelas se formando, discos em torno de estrelas jovens, e mais tarde outros planetas girando em torno de outras estrelas que não a sua. Em algum momento suas fichas cairiam.

Na imagem acima, vê-se alguns materiais que se sobressaem em tamanho. Apesar de ser uma representação artística, acho fascinante pois é baseada em resultados científicos. Já na imagem abaixo, mostro uma representação tirada do site dos telescópios Keck. Interessante é a comparação com o Sol, caso estes discos girassem em torno de nossa estrela.

Explicação dos discos, interno e externo, em torno de 51 Ofiúco.

Explicação dos discos, interno e externo, em torno de 51 Ofiúco. Créditos: NASA/GSFC/Marc Kuchner e Francis Reddy.