Posts Tagged ‘Raios-X’

Os observatórios espaciais no ano internacional da Astronomia

novembro 10, 2009
Centro da Via Láctea

Centro da Via Láctea. Imagem composta por dados dos três telescópios espaciais da NASA.

Ainda na comemoração dos 400 anos das descobertas de Galileu, a NASA lançou uma imagem fascinante do coração da Galáxia. E, através de um pôster, distribuiu para escolas, planetários e museus ao redor dos Estados Unidos. Sorte deles por lá.

Trata-se da região central da nossa Galáxia, que usualmente não a vemos na luz visível devido ao obscurecimento causado pelo gás e pela poeira do meio interestelar.

Na figura acima, temos uma imagem composta de informações dos três grandes telescópios espaciais da agência espacial americana. Na região do infravermelho a imagem vem do Spitzer. Na região do visível, a imagem vem do Hubble. Enquanto que na região dos raios-x, a contribuição é do formidável Chandra.

Basicamente, o infravermelho nos dá informações sobre material frio, gás e poeira principalmente, com pouca contribuição estelar. O visível nos dá informações sobre as estrelas, principalmente, e um pouco do material que compõe o meio interestelar. Já os raios-x trazem notícias do mundo mais agitado dos gases quentes, fenômenos violentos de acresção de matéria em buracos negros ou ao redor de estrelas imersas em seus berçários.

Cada observatório espacial ajuda a cobrir uma faixa do espectro eletromagnético. E assim, nos fornece informações decifradas, ou decodificadas, por meio de diferentes mensageiros (os fótons de cada intervalo do espectro eletromagnético). Estes diferentes mensageiros que nos trazem notícias sobre distintos fenômenos astrofísicos. E o melhor, tudo combinado em uma única imagem!

Para entender a imagem acima, os dados do Spitzer estão em vermelho, enquanto que dados do Hubble se misturam um pouco com as informações do Spitzer e estão nas regiões mais amareladas/esverdeadas. O azul que permeia a imagem vem dos raios-x devido, principalmente, ao buraco negro supermassivo que existe no centro da Galáxia. Esse buraco negro central tem uma massa de milhões de vezes a massa de nosso Sol e a matéria que é atraída por ele atinge uma temperatura de milhões de graus Celsius. Daí a emissão em raios-x.

**Lembro aos leitores que hoje é o aniversário de um grande amigo do Café com Ciência, o Marcellus! Felicidades ao nobre blogueiro!

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Possibilidade de Adenina em Titã

junho 26, 2009
Visão artística de uma paisagem em Titã, com um belo pôr (ou nascer) de Saturno.

Visão artística de uma paisagem em Titã, com um belo pôr (ou nascer) de Saturno.

Cientistas, liderados por Sérgio Pilling e sua esposa Diana P. P. Andrade (ambos da PUC-RJ), descobriram que o ambiente em Titã (uma das luas de Saturno) pode dar oportunidade à formação de adenina, um dos cinco alicerces com os quais se constrói um DNA (ou um RNA).

Experimentos neste sentido, onde se tenta recriar moléculas associadas à vida como a conhecemos, datam desde a década de 50. Naquela época, Stanley Milley e Harold Urey conseguiram construir moléculas de aminoácidos ao recriar o que se considerava ser a atmosfera primitiva da Terra e bombardeá-la com radiação (experimento Milley-Urey). DNA, ainda, não foi recriado em laboratório. Mas o trabalho liderado pelos cariocas foi nesta direção.

Ao gerar, em laboratório, a atmosfera de Titã (uma mistura de nitrogênio e metano), eles bombardearam este gás com raios-X e radiação ultravioleta. Estas são radiações eletromagnéticas que estão em toda parte nos céus. Aqui na Terra temos proteção contra a radiação UV devido à camada de ozônio, ou o que resta dela, e contra os raios-X devido à absorção na atmosfera terrestre. Lá fora, no espaço interestelar, estaríamos expostos a elas. Também, adicionaram um pouco de água para simular material de origem cometária que caía com certa frequência nos primórdios da formação do Sistema Solar.

Durante três dias, eles bombardearam este composto com uma radiação similar ao que Titã teria recebido do Sol durante 7 milhões de anos. Inicialmente, não detectaram nada de espetacular. Mas ao adicionar um calor extra, eis que surge a adenina.

Isto significa que, em um ambiente como em Titã, as bases para o DNA (pelo menos a adenina) poderia surgir se um calor extra for adicionado. Tal calor extra poderá ser fornecido pelo Sol. Numa fase final da evolução solar, quando este se expandir e suas camadas mais externas alcançarem a órbita da Terra (fase gigante vermelha, prevista para ocorrer com o Sol daqui há alguns bilhões de anos), a maior proximidade do Sol com Saturno, e suas luas, poderia fornecer calor suficiente. Na própria lua de Saturno, em regiões próximas à vulcões, este fenômeno também poderia ocorrer.

Em certos aspectos, Titã é mais parecido com a Terra do que qualquer outro objeto do sistema solar, uma vez que apresenta lagos, continentes e nuvens. E, com uma atmosfera rica em nitrogênio e abundância em material orgânico, ele é apontado como algo similar ao que fora a Terra primordial. Além disso, ele pode sustentar um oceano de água líquida sob o gelo, e lá pode haver vida. Daí sua importância quanto ao entendimento do surgimento da vida como a conhecemos. O trabalho pode ser acessado aqui.

Referências:

[1]Sergio Pilling, Diana P. P. Andrade, lvaro C. Neto, Roberto Rittner and Arnaldo Naves de Brito, J. Phys. Chem. A, 2009 (DOI: 10.1021/jp902824v)

O DNA e suas ligações protêicas.

O DNA e suas ligações protêicas.