Posts Tagged ‘Nuvens de Magalhães’

Imagem da semana: Iguaçu e a Via Láctea

maio 15, 2010

A imagem dessa semana é mais uma daquelas para testar suas habilidades de reconhecimento do céu. Ela mostra alguns objetos típicos do céu do hemisfério sul juntamente com as maravilhosas cataratas do Iguaçu (que eu vergonhosamente nunca fui visitar).

A versão da foto com os nomes de alguns objetos nela presentes encontra-se a um click de distância. Antes de olhar os resultados na página do APOD, os bilhões de leitores do blog podem tentar identificar os seguintes objetos:

  • Nuvens de Magalhães: As covas de Adão e Eva já foram assunto aqui no Café com Ciência algumas vezes.
  • Sirius: estrela mais brilhante no céu noturno.
  • Canopus: estrela supergigante, segunda mais brilhante no céu noturno. É interessante notar que Sirius encontra-se a uma distância de 8.6 anos-luz e Canopus está a 310 anos-luz! Ou seja, Canopus é intrisecamente muito mais brilhante que Sirius, porém o que vemos quando olhamos para o céu são as estrelas projetadas na esfera celeste (através da magnitude aparente).
  • Cruzeiro do Sul: Constelação próxima ao Pólo sul Celeste. Apesar do nome, essa constelação pode ser vista por inteiro no hemisfério norte, para quem mora em latitudes menores do que 27 graus norte (por exemplo México, estado da Flórida – EUA, Índia e sul do Egito).
  • Alfa e Beta Centauri: parte da constelação do Centauro.

Além dos objetos citados acima, é possível identificar o Pólo Sul Celeste e a Nebulosa de Carina. Para quem quiser aprender mais sobre o assunto, o Planetário de São Paulo oferece cursos muito bons de reconhecimento do céu, mecânica celeste e astronomia geral.

Imagem da semana: A Corrente de Magalhães

janeiro 28, 2010

Eu sempre quis que a Analogia da Semana fosse, de fato, semanal. Todavia, isso não foi possível, devido às inúmeras atividades acadêmicas (e de cunho pessoal) que a equipe do C3 deve realizar. Dessa forma, pensei em inaugurar uma categoria chamada “Imagem da Semana”, com figuras bonitas, algum texto explicativo e, principalmente, semanal.

A imagem acima foi retirada do APOD (Astronomy Picture of the Day), e mostra a Corrente de Magalhães, que é uma faixa de gás (hidrogênio neutro) de aproximadamente 600.000 anos-luz de comprimento que liga as Nuvens de Magalhães.

Uma das hipóteses para a formação desta corrente é a de que este gás tenha sido arrancado das nuvens em um processo de interação com o halo da nossa Galáxia. Pelo fato da Via Láctea ter muito mais massa que as nuvens, estas últimas sofreram graves consequências no possível embate.

Mestre em Ciências – Área: Astronomia

outubro 30, 2009

É com grande satisfação que informamos que, na tarde de hoje (30/10/2009), nosso estimado co-autor do Café com Ciência, Tiago Almeida (a.k.a. Zé Colméia), apresentou a dissertação: “A origem do carbono no Universo: insights a partir de observações de estrelas pobres em metais nas nuvens de Magalhães” e tornou-se Mestre em Ciências na área de Astronomia.

A apresentação foi excelente e o candidato foi aprovado por unanimidade pela banca, composta pela Prof.a Dr.a Silvia Rossi (IAG/USP – orientadora), Prof. Dr. Marcos Diaz (IAG/USP) e Timothy C. Beers (MSU/USA).

Tendo em vista o título da dissertação, podemos ver que as histórias do carbono e das covas de Adão e Eva foram escritas por quem entende do assunto!

Parabéns Zé!

Nuvens de Magalhães

abril 23, 2009
Pequena (à direita) e Grande (à esquerda) Nuvens de Magalhães (imagem extraída de http://media.skyandtelescope.com)

Pequena (à direita) e Grande (à esquerda) Nuvens de Magalhães (imagem extraída de http://media.skyandtelescope.com)

Quem mora ao sul da linha do equador pode ver no céu noturno durante quase metade do ano, sem a ajuda de qualquer lente de aumento, duas manchas cinzentas em meio as estrelas. Na verdade são duas das galáxias-satélites da Via Láctea, chamadas Nuvens de Magalhães.

Recebem o nome graças a Fernão de Magalhães, português e comandante da primeira expedição marítima que circundou o globo terrestre, no século XVI. Apesar do nome ter uma origem relativamente recente, as Nuvens possuem registro de terem sido observadas pela primeira vez há pelo menos 2900 anos. Naquela ocasião, a maior delas foi chamada de Al-Baqar Al-Abyad, ou Boi Branco, pelo persa Al Sufi. No interior do Brasil, recebem o nome de Covas de Adão e Eva.

A Grande Nuvem de Magalhães encontra-se a quase 170 mil anos-luz enquanto a Pequena está a aproximadamente 190 mil anos-luz do Sistema Solar.

A luz demora mais de 160 mil anos para percorrer essa distância.

Por serem distâncias imensas, é difícil ter noção do que representam. Mas uma analogia pode nos ajudar: se o Sol tivesse o tamanho de uma bola de gude e estivesse no centro da cidade de São Paulo, teríamos que percorrer, partindo dele, uma distância equivalente a uma volta e meia em torno da Terra para alcançarmos a Grande Nuvem.

Como as estrelas que compõem essas duas galáxias são em média mais velhas que as da Via Láctea, acredita-se que as Nuvens são também mais antigas que nossa Galáxia.

Apesar de sua fantástica distância, as Nuvens fazem parte dos poucos objetos extensos que podem ser contemplados a olho nu quando observamos o céu noturno.