Posts Tagged ‘Lua’

Os Anéis da Terra!

janeiro 13, 2010

E se a Terra tivesse anéis como Saturno? Essa foi a ideia motivadora dos criadores do vídeo acima. Mas não se trata de astrologia, pode ficar tranquilo.

O vídeo foi uma dica do colega de trabalho Daniel Moser. A animação foi realizada por Roy Prol, e mostra não somente como os famosos anéis seriam vistos nos nossos céus a partir da superfície terrestre, mas também como seriam se vistos a partir do espaço.

Prol afirma que as imagens dos anéis a partir da superfície da Terra foram criadas de acordo com o local (latitude) e a orientação do obervador. Além disso, os tamanhos dos anéis foram calculados respeitando o limite de Roche da Terra.

Interessante em Quito que, devido à proximidade da linha do Equador, os anéis seriam visto de perfil. E demarcariam uma linha vertical nos céus. Seria assombroso!

Interessante que durante a noite, a luz do Sol ainda iluminaria os anéis. Isso atrapalharia algumas observações astronômicas, mas como estamos na era de telescópios espaciais, acho que já não seria o maior dos problemas.

O principal inconveniente é que, provavelmente, não haveria lugar para a Lua em torno da Terra. Mas, mesmo assim, seria maravilhoso!

Analogia da Semana – Marte do tamanho da Lua?

setembro 14, 2009

luamarte

Não, nunca, jamais, em hipótese alguma, nem f#@$&%!. Esse post deveria terminar por aqui, mas o caso merece mais algumas linhas, pois sempre que chegamos perto do dia 27 de agosto acontece a mesma coisa (eu sei que o post está atrasado, mas posso dizer também que estou adiantado em relação à piada de 2010). Aproveitei para reviver a famosa Analogia da Semana, que já está mais para analogia do semestre…

Em agosto de 2003, ocorreu um fato interessante na Astronomia, que se repete a cada (aproximadamente) 73 mil anos: As posições da Terra e Marte (girando ao redor do Sol) eram tais que a distância entre os dois era a mínima possível: 55.780.000km. Isso ocorre em uma das muitas oposições de Marte, e alguém resolveu espalhar um boato sobre essa distância “mínima”. Um dos e-mails (que chegam todos os anos, perto do final de agosto) dizia que Marte estaria tão perto que ficaria do tamanho da Lua no céu. Será mesmo que isso é possível?

Vejamos (utilizando números aproximados): a Lua possui um diâmetro de 3.400km e uma distância à Terra de 380.000km. Já Marte possui 6.800km de diâmetro e uma distância (mínima) em torno de 56.000.000km. Se fizermos uma razão rápida entre diâmetro e distância, vemos que Marte possui um valor 75 vezes menor que a Lua! É a velha competição entre tamanho e distância. Marte está 150 vezes mais distante do que a Lua. É como se você colocasse uma bola de Handbol distante 1 metro de você e uma bola de Basquetebol a 150 metros (para se ter uma idéia, uma pessoa correndo a 12km/h percorre essa distância em 45 segundos).

Curiosidade: Próxima Centauri, que é a estrela mais próxima do Sol (míseros 40.000.000.000.000 km), possui 210.000 km de diâmetro. Mesmo assim, por estar tão longe, possui um tamanho aparente 23.000 vezes menor que o de Marte.

As vezes esse excesso de informação que a internet fornece nos deixa um pouco confusos acerca da verdade dos fatos. E sempre existem as pessoas mal intencionadas, fazer o que! Então, enquanto você espera o próximo e-mail em agosto de 2010, pode dar uma lida neste outro material sobre oposições de Marte.

Hiparco, Pogson e as magnitudes

agosto 29, 2009

Certas definições, quando estabelecidas, são muito difíceis de serem alteradas. O conhecimento às vezes se acumula sobre conceitos que, na sua época, poderiam parecer corretos, mas que hoje tornam-se até contra-intuitivos. Essa inércia ocorre bastante em Astronomia, e os alunos geralmente sofrem para assimilar tudo isso.

Um exemplo bastante interessante é o caso da magnitude que, por definição, fornece uma escala de brilho de um dado objeto astronômico. Hiparco, brilhante astrônomo grego que viveu entre 190 e 120 a.C. desenvolveu (entre muitas outras coisas) um sistema de classificação dos objetos no céu. Para ele, a estrela mais brilhante que conseguia ver foi chamada de estrela de primeira grandeza (ou de primeira magnitude). Da mesma forma, a estrela mais fraca que seu olho conseguia enxergar foi chamada de estrela de sexta grandeza (ou sexta magnitude).

Até aí tudo certo. Passaram-se 2 mil anos até que Norman Robert Pogson percebesse que a diferença de brilho aparente entre as estrelas de primeira e sexta magnitudes era de aproximadamente 100 vezes. A primeira vista alguém poderia dizer que uma estrela de magnitude 3 é 2 vezes menos brilhante do que uma estrela de primeira magnitude, mas não é bem assim que acontece. O nosso olho possui uma resposta logarítmica à luz. Por isso que uma diferença entre 1 e 6 magnitudes é traduzida em uma razão de 100 em brilho aparente.

Assim, a magnitude aparente (m) de um objeto é proporcional ao logarítmo do fluxo recebido pelo olho (com um sinal negativo na frente, para levar em conta a inversão de escala feita por Hiparco). O problema não antecipado por Hiparco era que, um belo dia, seríamos capazes de desenvolver equipamentos que pudessem “ver” objetos muito mais fracos do que um ser humano jamais pensaria em enxergar. Então, começaram a aparecer magnitudes negativas! Alguns valores de magnitude visual estão listados abaixo (retirados daqui):

  • Sol: m =  -26.74 (porque é a estrela que está mais próxima a nós)
  • Lua cheia: m = -13
  • Acrux: m = 1.3 (a estrela mais brilhante do Cruzeiro do Sul)
  • Urano: m = 5.6 (o limite do olho humano sem instrumentos é 6.0)
  • Plutão: m = 13.6
  • Hubble: m = 30.0 (limite de magnitude que o telescópio espacial consegue detectar)

Essa definição de magnitude aparente não leva em conta, por exemplo, a distância em que o objeto se encontra.  Com efeito, essa quantidade não fornece nenhuma informação sobre o brilho intrínseco dos objetos. A fluxo de luz que parte da estrela sofre (entre outros efeitos) uma “diluição geométrica”, diminuindo com o quadrado da distância. Além disso, a poeira presente no meio interestelar também afeta a luz vinda dos objetos. Sendo assim, estrelas muito brilhantes e muito distantes podem possuir um valor alto de magnitude aparente. Já objetos mais próximos e menos brilhantes podem ter uma magnitude menor. Para resolver o impasse, foi definida uma grandeza chamada magnitude absoluta, que fornece o brilho dos objetos em uma certa distância padrão. Nessa escala, a magnitude do Sol é 4.83.

Então agora tudo certo… Não! Para piorar um pouco a situação, as estrelas possuem cores (temperaturas) diferentes. Isso significa que cada uma emite quantidades diferentes de energia em diferentes partes do espectro eletromagnético. Assim, as magnitudes também devem ser definidas em intervalos de comprimento de onda (magnitude aparente/absoluta no visível, infra-vermelho e etc.), criando assim uma série de definições complementares. Existe ainda o conceito de magnitude bolométrica, que está associada ao fluxo emitido pelo objeto somado em todos os comprimentos de onda.

Se alguém tivesse avisado o Hiparco sobre essa confusão toda, teria ele feito algo diferente?

Eclipse Solar e a Ida à Lua

julho 23, 2009

Há 40 anos, pela primeira vez, pisamos em um astro do Sistema Solar que não a Terra. E, obviamente que o Café com Ciência não poderia deixar passar em branco esta celebração.

A Lua dá sustentabilidade ao eixo de rotação da Terra e, por conseguinte, fornece uma estabilidade climática que permite o surgimento da vida e, mais importante, permite que a vida possa prosperar e evoluir. De fato, caso não existisse a Lua, o eixo de rotação da Terra não teria tal estabilidade e as famosas estações do ano não existiriam, pelo menos com a regularidade que conhecemos. A Terra precessiona, como um pião, mas de uma forma bem lenta (graças à Lua).

E foi, justamente, neste astro que o homem deixou sua primeira pegada extraterrestre. Além das pegadas, ficaram um jipe lunar e alguns instrumentos científicos.

Para não ficar de fora e participar das festividades, na manhã do dia 22 de julho de 2009, a Lua passou na frente do Sol para um referencial na Terra, em outras palavras, nos proporcionou um dos mais belos acontecimentos que alguém pode presenciar: um eclipse solar. E, tido como o mais longo a ocorrer neste século.

Como para a Lua a Terra não apresenta fronteiras entre países, pois isso nada mais é do que uma invenção humana, esta, ironicamente, resolveu premiar não o povo que primeiro chegou lá, mas seus maiores rivais da atualidade, os chineses.

E, pela internet, estava eu a ver a tela de meu computador ir escurecendo vagarosamente com uma imagem de Shanghai ao fundo. E, garanto, que não foi devido ao descanso de tela de meu computador. A ausência de luz foi causada devido ao momentâneo bloqueio da luz do astro-Rei por parte da Lua intrometida.

Para comemorar estas duas realizações, viajem à Lua mais eclipse solar, que juntos mostram o quanto que nós humanos buscamos conhecer os fenômenos celestes, escolhi uma frase criada por Neil deGrasse Tyson (citada no documentário “O Universo” do History Channel), e que nos mostra nossa importância cósmica. Nem tão exacerbada como defendem alguns, nem tão medíocre como defendem outros. Logo acima, coloquei um link para um vídeo em que deGrasse Tyson cita sua famosa frase. E, logo abaixo, reproduzo o pensamento de Tyson em português, através de uma tradução livre minha:

“Reconhecer que cada molécula que constrói nosso corpo, e os átomos que constroem as moléculas, podem ser rastreados até os núcleos incandescentes de estrelas de alta massa que explodiram e lançaram seus interiores quimicamente ricos na Galáxia, enriquecendo quimicamente nuvens de gás primordiais com a química da vida. Desta forma, estamos todos conectados: biologicamente uns com os outros; quimicamente com a Terra e atomicamente com o resto do universo. Isto é maravilhoso. Isto me faz sorrir e, na verdade, isto me traz uma sensação de grandeza. Não que sejamos melhores que o universo, nós somos parte dele. Estamos no universo e o universo está em nós.”

Só a Astronomia para nos dá esta real noção de nosso lugar no universo. Isto, à medida em que viajamos através dele espacialmente, e com ele temporalmente, num pálido ponto azul.