Posts Tagged ‘Hubble’

Imagem da semana: Cartwheel galaxy

fevereiro 6, 2010

A galáxia Cartwheel (ou, em tradução bem livre, roda de charrete, carruagem, etc.) possui uma estrutura peculiar, bem diferente das galáxias que os astrônomos costumam encontrar na sequência de Hubble. Esse formato esquisito é, infelizmente, resultado de um grave acidente intergaláctico: A galáxia, antes de se tornar uma roda de charrete (200 milhões de anos atrás), vagava calmamente por aí, quando ocorreu uma colisão frontal com uma galáxia menor. A condição exata do choque determina o resultado e subsequente evolução dinâmica da estrutura formada (ou deformada mesmo).

A parte esquerda da figura mostra o núcleo amarelado no centro e um anel externo repleto de estrelas jovens e onde também ocorre intensa formação estelar. As estruturas que aparentemente ligam o centro ao anel são compostos de material perdido pela galáxia no processo de colisão. Uma visão mais detalhada da região central pode ser vista no painel à direita. É interessante notar a presença de outro anel azulado mais interno. Segundo o site do Hubble, as estruturas amarelas semelhantes a pontas de flechas provavelmente foram formadas por colisões entre materiais com altas velocidades e materiais se movendo mais lentamente.

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Os observatórios espaciais no ano internacional da Astronomia

novembro 10, 2009
Centro da Via Láctea

Centro da Via Láctea. Imagem composta por dados dos três telescópios espaciais da NASA.

Ainda na comemoração dos 400 anos das descobertas de Galileu, a NASA lançou uma imagem fascinante do coração da Galáxia. E, através de um pôster, distribuiu para escolas, planetários e museus ao redor dos Estados Unidos. Sorte deles por lá.

Trata-se da região central da nossa Galáxia, que usualmente não a vemos na luz visível devido ao obscurecimento causado pelo gás e pela poeira do meio interestelar.

Na figura acima, temos uma imagem composta de informações dos três grandes telescópios espaciais da agência espacial americana. Na região do infravermelho a imagem vem do Spitzer. Na região do visível, a imagem vem do Hubble. Enquanto que na região dos raios-x, a contribuição é do formidável Chandra.

Basicamente, o infravermelho nos dá informações sobre material frio, gás e poeira principalmente, com pouca contribuição estelar. O visível nos dá informações sobre as estrelas, principalmente, e um pouco do material que compõe o meio interestelar. Já os raios-x trazem notícias do mundo mais agitado dos gases quentes, fenômenos violentos de acresção de matéria em buracos negros ou ao redor de estrelas imersas em seus berçários.

Cada observatório espacial ajuda a cobrir uma faixa do espectro eletromagnético. E assim, nos fornece informações decifradas, ou decodificadas, por meio de diferentes mensageiros (os fótons de cada intervalo do espectro eletromagnético). Estes diferentes mensageiros que nos trazem notícias sobre distintos fenômenos astrofísicos. E o melhor, tudo combinado em uma única imagem!

Para entender a imagem acima, os dados do Spitzer estão em vermelho, enquanto que dados do Hubble se misturam um pouco com as informações do Spitzer e estão nas regiões mais amareladas/esverdeadas. O azul que permeia a imagem vem dos raios-x devido, principalmente, ao buraco negro supermassivo que existe no centro da Galáxia. Esse buraco negro central tem uma massa de milhões de vezes a massa de nosso Sol e a matéria que é atraída por ele atinge uma temperatura de milhões de graus Celsius. Daí a emissão em raios-x.

**Lembro aos leitores que hoje é o aniversário de um grande amigo do Café com Ciência, o Marcellus! Felicidades ao nobre blogueiro!

Novas imagens do Hubble

setembro 9, 2009

hubblenew

Nesses últimos dias tenho pensado em algo legal para colocar no blog, mas por motivos de força maior (relatório anual de atividades) ainda não tive tempo para me dedicar a uma série de posts que tenho em mente. Mais uma vez fui salvo pelo Moisés, que me enviou este link de uma notícia que saiu ontem no site da NASA.

O telescópio espacial Hubble, agora com 19 anos de idade, passou por ajustes em maio deste ano. Além de receber novos instrumentos, com maior sensibilidade à luz e com melhora de eficiência na tomada de imagens, foram feitos alguns reparos nos equipamentos já existentes. A qualidade das imagens realmente não tem precedentes. Cabe aqui uma breve descrição das imagens:

  • NGC6302: Nebulosa ao redor de uma estrela próxima do seu fim, localizada na constelação do Escorpião
  • Quinteto de Stephan: primeiro grupo compacto de galáxias a ser descoberto. Esta imagem precisou de 17 horas de exposição para ser feita!
  • Omega Centauro: Centenas de milhares de estrelas em um aglomerado?
  • Nebulosa da Carina: um exemplo claro de berçário de estrelas.

Passado o período de testes e calibrações, chegou a hora de abrir a temporada de pedidos de tempo para observações totalmente dedicadas à ciência. A concorrência será enorme, fazendo com que aumente cada vez mais a qualidade dos projetos. Com uma resolução dessa magnitude, o Hubble será capaz de determinar a composição química da atmosfera de planetas extra-solares, fotografar galáxias em formação na época que o Universo tinha “apenas” 500 milhões de anos, entre outras tarefas igualmente impressionantes.

Os interessados em maiores detalhes (e fotos em alta resolução para utilizar como papel de parede) podem acessar aqui o Press Release da NASA (em inglês).

[Tenho uma confissão a fazer: eu, como aspirante à astrofísico estelar e trabalhando com estrelas pobres em metais, sempre me senti um pouco frustrado por não ter uma imagem dessas no meu trabalho para mostrar a alguém. As estrelas que eu observo não brilham muito, têm pouca massa, não explodem e muito menos  irão gerar um buraco negro. O pessoal que trabalha , por exemplo, com imagens em astrofísica extragaláctica, sempre tem imagens lindas e coloridas para colocar nos seminários. Em um seminário de divulgação, muitas pessoas esperam esse tipo de imagem, mesmo que elas não reflitam em nada o seu trabalho. Bom, seja como for, ainda tenho muito orgulho dos meus espectros (bem como das implicações do seu estudo) e não os trocaria por nada (talvez por alguns milhões de dólares).]

Observatório do Monte Wilson e os Incêndios na Califórnia

setembro 1, 2009
Labaredas vistas a partir da câmera do Observatório do Monte Wilson!

Labaredas vistas a partir da câmera do Observatório do Monte Wilson!

O Observatório do Monte Wilson é um dos mais tradicionais do mundo. Descobertas das mais importantes foram realizadas através de observações neste observatório.

Fundado em 1904 por George Ellery Hale, seu principal telescópio tem um espelho primário com diâmetro de 2.5 metros. Para se ter uma ideia, o diâmetro do maior telescópio 100% brasileiro, o Observatório do Pico dos Dias, é de 1.5 metros, e só teve sua construção iniciada no final da década de 1970.

Foi lá, por exemplo, que Hubble em 1923 determinou a distância até a Galáxia de Andrômeda, ao determinar as distâncias de estrelas isoladas daquela galáxia. Mostrando que a nossa não era a única e que o Universo era maior do que se supunha. Logo após (em 1929), ele deu um passo ainda maior, apresentou a grande descoberta de que o Universo estava (está) em expansão.

Por outro lado, este telescópio está na Califórnia, e lá é relativamente comum haver incêndios de grandes proporções. Incêndios que até parecem só ameaçar as mansões dos famosos milionários de Hollywood e cercanias. Ou só a ameaça sofrida por esta parcela da sociedade é que tem destaque na mídia.

Neste momento, outro grande incêndio atinge a Califórnia. Já houve, inclusive, mortes de bombeiros tentando conter o fogo. E, de forma descontrolada, o fogo avança e agora ameaça, dentre tanta gente, tantas casas e construções dos mais diversos tipos, o famoso Observatório do Monte Wilson.

Segundo os bombeiros da região, existe uma grande possibilidade de o fogo atingir o Observatório nas próximas horas. Devido à grande dificuldade em se vencer o fogaréu que já engloba grande áreas ao redor do Monte Wilson, o combate será realizado por vias aéreas. Há um boletim que transmite as últimas notícias do fogo nos arredores dos telescópios. Além de uma câmera que mostra os arredores do observatório em tempo real.

Na figura acima vemos uma das imagens tomadas pela câmera montada no Observatório. O fogo e fumaça nas montanhas próximas já impõem respeito! Ficarei aqui na torcida pelas vidas e pelo Observatório (já evacuado) com suas riquezas histórico-científicas em risco.

Afinal, dentre outas coisas, foi de lá que nosso Universo deixou de ser uma pequena ilha, para termos a nossão de que existem inumeráveis outras mais. Além disso, foi de lá que nosso Universo deixou de ser estático (ao menos o era na mentalidade dos estudiosos), e se manifestou como algo monstruoso e que se expande, e que, portanto, já fora menor anteriormente. Tudo isso ajudou a levantar a ideia de que em algum momento do passado o Universo deve ter se originado de uma grande explosão, o Big Bang.

17 Anos do Telescópio Espacial Hubble

maio 28, 2009
Nebulosa de Carina

Nebulosa de Carina

Este ano o telescópio espacial Hubble comemora 17 anos de atividades. O telescópio leva o nome do grande astrônomo americano Edwin Hubble. Foi ele (o astrônomo) quem apontou que o Universo estava em expansão. Ele verificou que as galáxias estavam se afastando de nós. Algo de muito espetacular não só estava vencendo a força de atração (força gravitacional) mútua entre as galáxias como estava apartando umas das outras. Surgia daí a noção de Big Bang.

Logo acima, está a imagem comemorativa destes 17 anos de operações do telescópio Hubble. Trata-se de uma grande visão panorâmica da região central da nebulosa de Carina. Nesta imagem encontramos desde estrelas moribundas a aglomerados de jovens estrelas envolta em gás.

Uma versão maior desta imagem pode ser encontrada neste link. Os detalhes são espetaculares. Estrelas jovens, objetos ainda em fase de formação emitindo jatos, pilares da criação…

Uma imagem com os nomes das estruturas contidas na figura acima pode se vista logo abaixo (ou neste link):

Imagem com os nomes das estruturas.

Imagem com os nomes das estruturas.

Podemos destacar Eta Carina, um sistema binário onde grandes quantidades de massa são ejetadas ao espaço, o aglomerado Trumplet 14, que é uma associação de estrelas recém nascidas, e os pilares da criação, blocos de gás com densidade maior do que sua vizinhança e que são esculpidos pelos fortes ventos das estrelas massivas das redondezas…

Ainda bem que recentemente o Hubble passou por uma nova reforma, onde novos instrumentos foram instalados, garantindo mais alguns anos de belas imagens que nos fazem perceber a beleza do Cosmos.