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A Criação do Sol, da Lua e dos Planetas

junho 13, 2010
Criação do Sol, da Lua de dos Planetas

Criação do Sol, da Lua de dos Planetas

Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564) foi um dos maiores pintores do Renascimento. Na verdade, sua biografia nos diz que além de pintor, ele foi escultor, poeta e arquiteto. Sem dúvida nenhuma, foi um dos maiores gênios que a humanidade já revelou. Ele é mais conhecido pelas pinturas que realizou na Capela Sistina, principalmente a parte do Juízo Final.

Aqui apresento, logo acima, uma de suas obras nem tão conhecidas assim: “A Criação do Sol, da Lua e dos Planetas”.

Nesta pintura acima, que também é um dos afrescos que estão no teto da Capela Sistina, vemos duas situações distintas. A primeira, à direita, trata do momento da criação do Sol (esfera alaranjada) e da Lua (esfera cinza) por Deus. A segunda situação, à esquerda, trata da criação das árvores e plantas.

A parte das plantas está à esquerda da criação do Sol e da Lua porque, segundo os relatos bíblicos, o Sol e a Lua foram criados no quarto dia, enquanto que as plantas foram criadas no terceiro dia, um dia antes portanto.

Notem que, no momento em que Deus trabalhava na criação das plantas e segundo a visão artística de Michelangelo, houve um pequeno descuido da parte do criador que acabou mostrando mais do que devia.

Segundo o livro de Êxodo (capítulo 33, versículo 20), Deus disse à Moisés (ainda lembro bem!): “Não podes ver a minha face, porque homem algum pode ver-me e continuar vivo”. Bom, a face pode ser…

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Paradoxo da Pedra

janeiro 18, 2010
Rocha

Uma rocha demasiadamente grande e pesada?

Coloquei à venda nas “Casas do Abreu, que o fabricante não dá garantias nem eu”, uma máquina formidável. Trata-se de um robô perfeito projetado para sempre obedecer às ordens de seu dono e somente às dele!

Porém, em uma manhã ensolarada, enquanto se bronzeava em torno de sua piscina semiolímpica, Severina Xique-Xique ordenou que seu escravo perfeito lhe trouxesse um copo de limonada que ficara esquecido na cozinha. Para sua surpresa, o robô não se moveu um único centímetro. Até aparentou exibir um sorriso sarcástico. Para deixá-la ainda mais pasma, Dona Gertrudes (sua sogra megera) manda-o pegar sua dentadura na pia do banheiro. Segundo as promessas do fabricante, o robô deveria, obrigatoriamente, obedecer à Severina, ao mesmo tempo em que deveria, incondicionalmente, rejeitar quaisquer ordens de terceiros (inclusive de sogras). Todavia, o robozinho sai em disparada atrás da dentadura da feliz sogra. Em choque, Severina quase desmaia na piscina.

Obviamente, o robô apresentou mal funcionamento. Pergunto: de quem é a culpa? Do robô? Que deve ser castigado com choques elétricos até voltar a funcionar corretamente. Ou, seria de quem o projetou/fabricou? Acho que ninguém teria dúvidas de que o projetista (eu no caso) teria que voltar à prancheta e refazer as contas. O interessante é que este raciocínio tão simples e óbvio não é aplicado em outras situações similares.

Esta estória sempre me vem à mente quando tentam explicar as desgraças humanas utilizando como pano de fundo a religião e seus mitos fabulosos. A trama começa com o argumento de que um erro (que costumam chamar de pecado) cometido por um de casal há muito tempo manchou nosso futuro. E tudo, absolutamente tudo, de ruim que a humanidade já passou, passa e passará está a este erro relacionado. Este tipo de ideia ajuda a encobrir a falta de evidência de um ser onipotente e que, portanto, poderia interagir em nossos momentos mais difíceis.

O interessante é que nesta situação, o mesmo raciocínio da estória do robô nunca é aplicado. Vamos lá: supondo que originalmente “fomos projetados” para sermos perfeitos, mesmo com o livre arbítrio (que seria um tipo de inteligência artificial ao robô), deveríamos seguir à risca o programado (não matar, não roubar, não assistir o BBB…). E, se não seguimos o que fora especificado a priori, pergunto: “De quem é a culpa?”

Existe um paradoxo sobre a existência de um ser onipotente. Seja esse ser Jeová, Alah ou Padre Cícero.

Em uma de suas variantes, ele afirma: “Se há algum ser onipotente, ele deve ser capaz de criar uma rocha tão grande e pesada que nem mesmo ele seria capaz de erguê-la”.

O paradoxo está no fato de que se tal ser conseguir tirar essa pedra (ou aerolito, como prefere o Vinicius Placco) da cartola ele não terá poder para levantá-la. Se, por outro lado, o misterioso mestre dos deuses não conseguir criar tal pedra, já de antemão será gongado pelos jurados. Sua provável onipotência falhará em qualquer situação.

A pergunta que não sai de minha cabeça é: o Haiti foi, ou é, alguma pedra demasiadamente grande e pesada? Ou o provável ser onipotente anda mais preocupado com outras coisas, como esta, esta ou esta outra. Acho que não custa perguntar se quisermos as respostas.