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Glicina no cometa Wild 2 – Resultados da Stardust

agosto 21, 2009
Cometa Wild 2, visto a partir da sonda Stardust

Cometa Wild, visto a partir da sonda Stardust

Não faz muito tempo, reportamos a descoberta de que o ambiente em Titã pode favorecer a formação de Adenina, um dos blocos construtores do DNA, e portanto, da vida como a conhecemos.

Recentemente, outra notícia surgiu apontando que esses blocos construtores da vida podem não ser tão raros assim. Desta vez, detectaram o aminoácido Glicina em um cometa, por meio de análise dos dados da missão Stardust.

Cometas são objetos remanescentes da formação do Sistema Solar, e portanto, carregam com eles informações cruciais para a compreensão de como nosso sistema planetário se formou.

É bom deixar bem claro que não se tratou de simulações em laboratório, que também são importantes como indicadores e traçadores de projetos de busca destes elementos relacionados à vida. Neste caso, uma sonda (a Stardust) coletou amostras de material primordial do cometa Wild 2. A poeira captada pela sonda, composta de material primordial, foi redirecionada de volta à Terra. Uma pequena parte desta amostra (100 bilhionésimos de grama de Glicina) foi então a que trouxe estes novos resultados.

O interessante é que este trabalho vem mostrar que estes corpos celestes podem nos dar dicas sobre o surgimento da própria vida aqui em nosso planeta. Além de reforçar uma versão suave da teoria da panspermia cósmica, que assegura que a vida não surgiu aqui na Terra, mas sim veio de carona com os constantes bombardeamentos que a Terra sofreu durante sua juventude em torno do Sol. Neste caso, não seria a vida propriamente dita, mas os ingredientes básicos para que esta pudesse se desenvolver aqui na Terra.

Em uma entrevista à revista New Scientist, a líder do projeto, Jamie Elsila da NASA, afirmou que “não é, necessariamente, uma surpresa, mas é muito gratificante achá-la, porque nunca tinha sido observada antes”. Ela acrescentou que houve tentativas de se encontrar estes blocos da vida através de telescópios na Terra, mas as digitais destes aminoácidos são demasiadas fracas para se detectar daqui.

Espera-se que a sonda Europeia Rosetta traga mais informações sobre compostos da vida. Está prevista para esta sonda orbitar e pousar (pela primeira vez na história) o núcleo de um cometa. Isto deverá ocorrer após 10 anos de uma longa viagem, ela deve alcançar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2014. Ano em que estaremos torcendo pelo Brasil em uma copa disputada em solo nacional!