Posts Tagged ‘Café Nativo da Serra’

Imagem da semana: Observatório Pico dos Dias

fevereiro 24, 2010

O Observatório Pico dos Dias (carinhosamente conhecido por aqui como OPD), está localizado entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu (MG, bem perto de Piranguinho, a capital do pé-de-moleque). O local encontra-se a 1864m de altitude e faz parte do LNA – Laboratório Nacional de Astrofísica, do Ministério da Ciência e Tecnologia. A figura mostra O Telescópio Perkin-Elmer, com espelho de 1,6 m de diâmetro (centro) e os Telescópios Boller & Chivens (IAG/USP) e Zeiss, ambos com espelhos de 0,6 m. Na foto logo abaixo é possível ter uma idéia melhor do tamanho da construção (comparada com o ônibus à direita).

Apesar de ser um telescópio pequeno quando comparado com o SOAR, GEMINI entre outros, muita ciência de qualidade é feita no OPD, por pesquisadores e estudantes de várias instituições pelo Brasil. Para observar no OPD, é necessário submeter um pedido de tempo a uma comissão, que fará o julgamento e distribuirá o tempo útil do telescópio em cada semestre entre os projetos comtemplados. Nosso colega de blog Moisés, por exemplo, já fez observações no OPD em diversas ocasiões. Eu e o Tiago também já estivemos por lá, só que a nossa visita foi parte de um curso de Astronomia Observacional daqui da pós.

Vocês podem notar que é um local muito agradável, com uma vista incrível de toda a região. Bem no centro da foto (que foi tirada da passarela ao redor do telescópio principal pelo nosso colega Márcio “Tiozinho” Barreto) é possível identificar (beeeeem lá longe) a Pedra do Baú. Apesar de ser um local úmido (o que pode dificultar as observações), nem preciso dizer que a noite o céu é realmente bem diferente dessa vergonha que temos aqui em São Paulo:

Isso sem falar na comida mineira excelente que é servida por lá…

Imagem da semana: Cartwheel galaxy

fevereiro 6, 2010

A galáxia Cartwheel (ou, em tradução bem livre, roda de charrete, carruagem, etc.) possui uma estrutura peculiar, bem diferente das galáxias que os astrônomos costumam encontrar na sequência de Hubble. Esse formato esquisito é, infelizmente, resultado de um grave acidente intergaláctico: A galáxia, antes de se tornar uma roda de charrete (200 milhões de anos atrás), vagava calmamente por aí, quando ocorreu uma colisão frontal com uma galáxia menor. A condição exata do choque determina o resultado e subsequente evolução dinâmica da estrutura formada (ou deformada mesmo).

A parte esquerda da figura mostra o núcleo amarelado no centro e um anel externo repleto de estrelas jovens e onde também ocorre intensa formação estelar. As estruturas que aparentemente ligam o centro ao anel são compostos de material perdido pela galáxia no processo de colisão. Uma visão mais detalhada da região central pode ser vista no painel à direita. É interessante notar a presença de outro anel azulado mais interno. Segundo o site do Hubble, as estruturas amarelas semelhantes a pontas de flechas provavelmente foram formadas por colisões entre materiais com altas velocidades e materiais se movendo mais lentamente.

A Rodopsina e o Sol

janeiro 22, 2010

É incrível como às vezes fatos aparentemente simples se correlacionam em um nível tão profundo que te deixam simplesmente embasbacado. Uma dessas correlações acontece entre a rodopsina e o nosso estimado Sol.

A pergunta é: porque nós enxergamos bem em uma certa faixa estreita do espectro eletromagnético (entre 400 e 700 nm – veja a figura acima) e não em outras faixas, como o infravermelho, ultravioleta ou ondas de rádio? Como essa eficiência dos nossos olhos se desenvolveu durante a nossa evolução? E por quê? Bom, antes disso, um pouco de Física…

A Lei de Wien mostra que o comprimento de onda para o qual a emissão de radiação de um corpo negro é máxima é inversamente proporcional à sua temperatura superficial. Dessa forma ela é escrita assim:

Essa expressão pode ser deduzida (com um pouco de Cálculo I) sem muitos problemas à partir da Lei de Planck da Radiação. Ou seja, corpos com temperaturas maiores terão seus picos em comprimentos de onda cada vez menores (o azul é uma “cor mais quente” que o vermelho!).

É aí que entra a tal da rodopsina, que é um fotopigmento responsável pela detecção de fótons presente nos bastonetes dos olhos dos vertebrados (definição retirada daqui). Onde então se daria o máximo de percepção da luz para os nossos olhos, através da rodopsina?

A pergunta de 1 zilhão de dólares:  sabendo que a temperatura superficial do Sol é 5778 K e que, segundo a equação acima, o valor de λ é aproximadamente 500 nm (cuidado com as unidades! 1nm=10-9m),  qual é o comprimento de onda no qual a rodopsina possui maior eficiência na absorção da luz?

a) 1.

b) onda, que onda?

c) Plutão.

d) 1.01.

e) não foram fornecidos dados suficientes para a resolução do problema.

f) próximo a 500 nm, igualzinho ao Sol.

E, para a alegria e surpresa de todos, a absorção máxima da rodopsina se dá em 500 nm. A natureza é mesmo incrível…

Bom, eu não tenho propriedade para falar sobre aspectos evolutivos dos seres humanos, adaptações e temas relacionados, mas mesmo assim, essa correlação pode nos levar a uma série de constatações sobre o quão “por acaso” nós existimos e que, na verdade, nossa situação não é tão especial assim: Veja, nosso Sol é uma estrela muito comum, de baixa massa, baixa temperatura superficial e que ficará estável por muitos bilhões de anos. A Terra está dentro da chamada zona habitável, nem muito perto nem muito longe do Sol. E assim, a radiação recebida na superfície do nosso planeta é tal que incentivou tais adaptações por parte dos organismos que aqui vivem.

E ainda existe muita gente que realmente acredita que o Universo foi criado em sete dias…

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Obs1: Tenho quase certeza que ouvi essa história de um colega de trabalho. Caso eu consiga lembrar atualizo o post.

Obs2: Se algum dos nobres leitores se dispuser a contribuir com algum comentário enriquecedor, não hesite em escrever.