Posts Tagged ‘Café Moka Ouro Superior’

Os computadores de Harvard

outubro 14, 2009

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O Café com Ciência já mostrou que muitas vezes existe uma certa inércia relacionada a classificações em Astronomia. Mas a mais interessante delas (em minha opinião) refere-se à classificação espectral de estrelas (também aqui).

Mas não é bem sobre isso que eu queria escrever, e sim sobre as mulheres presentes na foto (responsáveis pelo desenvolvimento da classificação). Elas ficaram conhecidas (entre o final do século XIX e início do século XX) como os “Computadores de Harvard“.  Desde muito antes daquela época, as mulheres já vinham trabalhando para o desenvolvimento da Astronomia, e sua participação tornou-se cada vez maior com o passar dos anos.

No início da década de 1880, Charles Pickering (então diretor do Observatório de Harvard) realizou um survey astronômico voltado à espectros estelares. Para fazer a classificação de todas as placas fotográficas com os espectros obtidos, Pickering recrutou (entre outras) Williamina Fleming, Antonia Maury e Annie Jump Cannon. Foi uma das primeiras vezes que mulheres puderam exercer a função de computadores humanos (até então uma função exclusiva para homens).

O trabalho começou com Williamina, cuja tarefa principal foi arranjar todos os espectros de acordo com um critério estabelecido, que nesse caso era a intensidade das linhas da série de Balmer do elemento Hidrogênio. Assim, ela dividiu as estrelas em classes que iam de A (linhas mais intensas) até N (linhas mais fracas). Alguns anos mais tarde, Annie Cannon agrupou algumas classes e só restaram as letras A, B, F, G, K, M e O. Utilizando esse novo esquema, Annie classificou (entre 1918 e 1924) mais de 225.000 estrelas!

Atualmente, as estrelas são classificadas de acordo com sua temperatura. MAS, como a classificação de Annie foi mantida, a ordem (para valores decrescentes de temperatura) tornou-se: O, B, A, F, G, K e M. A mnemónica mais utilizada entre os astrônomos é: Oh, Be A Fine Girl/Guy, Kiss Me. Até hoje não encontrei nenhuma frase em português  (e sem palavras de baixo calão) que fosse fácil de memorizar.

Abaixo, mais uma foto (retirada daqui) dessas bravas mulheres trabalhando na classificação de espectros. Outra astrônoma, que também aparece na foto (terceira partindo da esquerda) e que contribuiu em outras áreas da astronomia, é Henrietta Leavitt.

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Fica registrado então o nosso sincero agradecimento a essas mulheres que, mesmo em condições desiguais, tanto trabalharam (e ainda trabalham) para o desenvolvimento da ciência!

Veja também!

6 meses de Café com Ciência – de Babuínos à Elefantes

outubro 8, 2009

Hoje, dia 8 de outubro, o Café com Ciência completa 6 meses de existência. Depois das analogias para comemorar 1.000 e 10.000 contagens atingidas, chegou a hora do momento flashback: um resumão de (quase) tudo que foi publicado até agora. Podem me chamar de saudosista, ou dizer que vivo preso ao passado,  mas todo esse tempo passou tão rápido que, para mim, pareceram só 6 meses.

Eu sei que esse post pode parecer algo do tipo “não tenho o que publicar hoje e, para não passar em branco, vou utilizar o que tenho aqui até ter uma idéia melhor”. Mas não é. O pessoal da equipe têm várias algumas poucas idéias. Mesmo assim, achamos pertinente agregar o que foi escrito nesses 6 meses para que os leitores possam ter uma idéia geral do blog.

O Café com Ciência esteve lá desde o princípio. Presenciamos onde, como e porque as estrelas nascem. E porque não vê-las quando crianças e saber como determinar suas idades? Olhamos um pouco para os vizinhos, mostramos a tentativa (depois o sucesso, tanto para os astrônomos quanto para o público em geral) de desenhar nossa casa, e como entender a população de estruturas que nela habita, mesmo que seja com óculos especiais.

Chegamos à civilização. A astronomia, e seus mistérios, estavam presentes desde as primeiras tentativas de classificar os astros. Passamos pelo fim da Idade Antiga e da Idade Média (e algumas das idéias da época), chegando até a queda da Bastilha. Mas isso sem antes passar por Jan Brueghel, Galileu e algumas de suas descobertas. Chegando aos dias de hoje, desfrutamos da arte baseada na ciência e de vídeos engraçados com grandes personalidades. Demos voz aos Blogeiros póstumos e também tratamos do preconceito descabido de uma sociedade completamente atrasada.

O blog também trouxe notícias de última hora: desde o Incêncio próximo ao Observatório de  Monte Wilson, passando pelo Aniversário do Hubble e em seguida suas novas imagens. Tivemos novidades de cinema e até correspondente internacional! Chegamos à conclusão de que, apesar de todas as dificuldades, o Brasil está progredindo bem em matéria de pesquisa em Astronomia. Também fizemos a cobertura, in situ, da Assembléia Geral da IAU no Rio de Janeiro. E claro que não poderiam faltar as homenagens às mamães, aos papais, à pátria e até à ida a Lua. Nos aventuramos (um pouco) com formas de vida: partindo das possibilidades, hipóteses até a evolução ao vivo e em cores.

E esse título? O que esses animais têm a ver com a história toda? Bom, o período de gestação dos Babuínos é de aproximadamente 6 meses, e dos Elefantes Africanos é algo próximo de 1 ano e nove meses. O blog está ativo há tempo suficiente para gerar um simpático primata. O objetivo agora é chegar aos Elefantes! Nada como uma boa Analogia.