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Journey of Mankind

maio 19, 2010

Acabei de receber um link (novamente através do camarada Fabiô) do Journey of Mankind. Este interessantíssimo sítio mantido pela Bradshaw Foundation nos leva em um tour virtual que acompanha a jornada do homem moderno nos últimos 160.000 anos.

(dependendo da conexão o site demora para carregar…)

Ainda não tive tempo para explorar todo o material, mas até onde pude ver o trabalho é bem completo. Os créditos são dados a Stephen Oppenheimer, do Instituto de Antropologia Cognitiva e Evolucionária da Universidade de Oxford. Eu sugiro fortemente que os 3.5 bilhões de leitores do blog continuem espalhando o link e abandonem o Café com Ciência nesse momento clicando na imagem acima…

Imagem da semana: Iguaçu e a Via Láctea

maio 15, 2010

A imagem dessa semana é mais uma daquelas para testar suas habilidades de reconhecimento do céu. Ela mostra alguns objetos típicos do céu do hemisfério sul juntamente com as maravilhosas cataratas do Iguaçu (que eu vergonhosamente nunca fui visitar).

A versão da foto com os nomes de alguns objetos nela presentes encontra-se a um click de distância. Antes de olhar os resultados na página do APOD, os bilhões de leitores do blog podem tentar identificar os seguintes objetos:

  • Nuvens de Magalhães: As covas de Adão e Eva já foram assunto aqui no Café com Ciência algumas vezes.
  • Sirius: estrela mais brilhante no céu noturno.
  • Canopus: estrela supergigante, segunda mais brilhante no céu noturno. É interessante notar que Sirius encontra-se a uma distância de 8.6 anos-luz e Canopus está a 310 anos-luz! Ou seja, Canopus é intrisecamente muito mais brilhante que Sirius, porém o que vemos quando olhamos para o céu são as estrelas projetadas na esfera celeste (através da magnitude aparente).
  • Cruzeiro do Sul: Constelação próxima ao Pólo sul Celeste. Apesar do nome, essa constelação pode ser vista por inteiro no hemisfério norte, para quem mora em latitudes menores do que 27 graus norte (por exemplo México, estado da Flórida – EUA, Índia e sul do Egito).
  • Alfa e Beta Centauri: parte da constelação do Centauro.

Além dos objetos citados acima, é possível identificar o Pólo Sul Celeste e a Nebulosa de Carina. Para quem quiser aprender mais sobre o assunto, o Planetário de São Paulo oferece cursos muito bons de reconhecimento do céu, mecânica celeste e astronomia geral.

Imagem da semana: MSU Campus Observatory

maio 3, 2010

A imagem dessa semana foi feita por acaso. Estava eu, correndo em uma estrada próxima à Universidade, com a máquina fotográfica em mãos, quando me deparo com essa belezura. Eis o Observatório da Michigan State University (confesso que fiquei decepcionado com o site, achei que poderia ser mais caprichado). Localizado nos limites da cidade de East Lansing, (estado de Michigan) ele é utilizado tanto para apresentações para o público quanto para pesquisas científicas. Mesmo sendo de pequeno porte (60cm de diâmetro), muita ciência de qualidade pode ser feita nele (caso fique curioso, veja a lista de publicações recentes no site).

É interessante notar que esse telescópio sofre dos mesmos problemas dos telescópios do Observatório Pico dos Dias. Na imagem pode-se notar a presença de árvores e nuvens no céu, ou seja, não é um lugar ótimo para se ter um telescópio. Além disso, essa região está a apenas 200m de altitude em relação ao nível do mar e o lugar não tem muitas elevações, o que causa um vento que também prejudica as observações. Eu diria que ele está lá mais por questões políticas do que qualquer outro motivo.

Agora, a pergunta que não quer calar: o que diabos o rapaz estava fazendo correndo com a máquina fotográfica em mãos? Na verdade eu estava querendo fotografar gansos-do-canadá que aparecem aqui na região dos grandes lagos nessa época do ano. Eu não acreditei quando vi um monte deles andando pelas calçadas como se estivessem dando uma volta. Não é todo dia que é possível encontrar um telescópio e um bando de gansos assim próximos.

PS: Se a foto estiver meio tremida é porque eu estava correndo e também porque esses bichos apresentam um comportamento ligeiramente agressivo quando alguém tenta chegar muito perto…

Imagem da semana: Eyjafjallajökull

abril 23, 2010

Eyjafjallajökull

Ele estava lá quieto desde o início da segunda década do século XIX. Eyjafjallajökull é, segundo a wikipedia, uma das geleiras de menor dimensão da Islândia. Esse nome estranho pode ser traduzido literalmente como “geleira das montanhas das ilhas”. Neste link aqui estão listadas as erupções do acima citado ocorridas em 2010.

A imagem acima foi retirada do APOD do dia 19 de abril. Segundo a referência, nenhuma das duas erupções, ocorridas em 20 de março e 14 de abril, foram das mais fortes já vistas por aí. O agravante, na verdade, foi o fato de que a segunda erupção derreteu uma quantidade considerável de gelo que conseguiu esfriar a lava expelida em pequenos fragmentos que foram carregados e fizeram o estrago. O evento foi tão sério que, na segunda-feira desta semana, toda a Europa teve cerca de 70% de todos os seus voos cancelados. Até o pessoal que vai correr a Maratona de Londres no próximo domingo tiveram seus contratempos.

Encontrei também um artigo bem interessante no blog da Scientific American que discute um aspecto diferente do evento, e questiona se os efeitos do aquecimento global podem ou não colaborar para aumentar a frequência de erupções vulcânicas e terremotos. Se você se interessou pelo assunto vale a pena dar uma conferida no texto (em inglês).

Para ter uma idéia do tamanho do problema, coloco logo abaixo o .gif que encontrei aqui (e que por sua vez encontrou a referência acolá), que mostra, penso eu, uma animação da dispersão da nuvem de cinzas.

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PS1: Eu escrevi o post inteiro sem digitar uma vez sequer a palavra “Eyjafjallajökull”. Viva o ctrl+c ctrl+v.

PS2: Clique aqui para ver mais fotos bem impressionantes do evento.

PS3: Já pensou em como dar nome a um vulcão? Veja essa ótima tirinha do The Oatmeal.

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Doutor em Ciências – Área: Astronomia

abril 8, 2010

Novamente, é com grande satisfação que escrevo um post para homenagear um colega do blog. Hoje, 08 de abril de 2010, Alessandro Pereira Moisés (diretamente de Palmeira dos Índios – Alagoas) defendeu sua tese de doutorado “Braços espirais da Galáxia: posição das regiões HII gigantes e formação estelar” e tornou-se Doutor em Ciências na área de Astronomia.

Infelizmente eu não pude assistir à defesa, mas o pessoal da imprensa que fez a cobertura do evento (nosso colega Alan) me disse que a apresentação foi excelente e que o trabalho foi aprovado por unanimidade. A banca que analisou o trabalho foi composta por: Prof. Dr. Augusto Damineli Neto (orientador – IAG/USP), Prof. Dr. Jacques Raymond Daniel Lepine (IAG/USP), Profa. Dra. Jane Cristina Gregorio Hetem (IAG/USP), Prof. Dr. Cássio Leandro Dal Ri Barbosa  (UNIVAP) e Prof. Dr. Jose Willians dos Santos Vilas Boas (INPE).

E por uma feliz coincidência, a astronomia brasileira ganha mais um doutor bem no dia em que o Café com Ciência completa um ano de existência! Foi precisamente no dia 08 de abril de 2009 que o blog começou com um simples hello world. De lá para cá foram 108 posts, divididos em 33 categorias e, segundo as estatísticas do wordpress, mais de 33.000 visitas às páginas contidas neste blog.

Então, depois de parabenizar novamente o recém dotô, agradeço em nome dos três integrantes do blog à todas as pessoas que leram, comentaram e divulgaram os nossos textos nesse ano que passou!

Imagem da semana: Teste sua imaginação

abril 4, 2010

A imagem desta semana serve para testar a imaginação dos (ainda) leitores do blog, que anda meio desatualizado devido às infinitas atividades nas quais a equipe está envolvida. Pode parecer desculpa esfarrapada, mas às vezes o trabalho é tanto que não encontra-se tempo nem para atualizar o blog ou até mesmo fazer um café.

Bom, a imagem foi retirada do apod de alguns dias atrás. É um exercício bem legal tentar imaginar como as pessoas fizeram associações entre a disposição das estrelas no céu e as figuras ali representadas. Existe algum conjunto de estrelas que você conhece destacado na imagem? Algo que nunca faltou aos astrônomos foi imaginação!

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Não posso adiantar muito, mas nessa semana que começa teremos duas grandes comemorações, aguardem…

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Imagem da semana: Congestionamento de estrelas

março 25, 2010

(Se você foi ao seu buscador preferido atrás de uma reportagem sobre o movimento das celebridades no carnaval carioca, clique aqui para ir ao endereço correto. Caso você seja um dos milhões de leitores deste blog, prossiga com a leitura.)

A bela imagem mostra as centenas de estrelas do aglomerado aberto NGC290, localizado na Pequena Nuvem de Magalhães. Por ser um aglomerado aberto, ele contém poucas estrelas quando comparado com um aglomerado globular, e a maioria delas é jovem e de cor mais azulada. O fundo repleto de estrelas é um efeito de projeção, ou seja, nem todos os objetos da imagem fazem parte do aglomerado. Elas podem parecer muito próximas umas das outras, mas a chance de colisão é quase zero.

Como já visto aqui no C3, estes locais são excelentes laboratórios para estudos de evolução estelar, já que todas as estrelas nasceram praticamente ao mesmo tempo e evoluem de forma distinta de acordo com a sua massa. Encontrei essa imagem no simpático álbum de fotografias do Hubble. Para uma versão em alta resolução da imagem, clique aqui.

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Vale lembrar que este é apenas UM aglomerado com POUCAS estrelas, contido em UMA das galáxias do Grupo Local (que possui da ordem de centenas de bilhões de estrelas), que representa uma fração ínfima do número de galáxias do universo… ou seja, são tantas, mas tantas galáxias, aglomerados e estrelas que não é possível achar que a raça humana é tão especial que provavelmente vive sozinha no universo simplesmente porque alguém quis assim. Não, ninguém é tão especial, nem foi criado a partir de um monte de barro e muito menos consegue viver de luz.

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Imagem da semana: Saturno gordinho

março 18, 2010

Não, você não esqueceu de colocar os óculos nem precisa ajustar os configurações do monitor. A foto acima está mesmo um pouco fora de foco. Agora, porque diabos alguém colocaria uma fotografia horrível como essa de Saturno e seus anéis quando você pode apreciar algo como isto?

Bom, eu só coloquei esta imagem porque ela foi tirada pelo àsno na fotografia que vos escreve. Sim, eu mesmo, com o auxílio da minha câmera digital tabajara (que hoje mais parece um apoio de porta moderno), na época da minha visita ao Observatório Pico dos Dias. Eu confesso que foi a primeira vez que vi Saturno e seus anéis assim “tão de perto”. Fiquei com aquela sensação de “será que alguém colou essa figura no telescópio?” e achei melhor registrar o momento. Por mais que a imagem seja muito ruim quando comparada com a do link acima, garanto que o impacto (pelo menos para mim) foi muito maior. Fiquei tentando imaginar como deve ter sido essa sensação para alguém que apontou seu telescópio rudimentar para esse ponto brilhante no céu sem ter a menor idéia do que iria encontrar.

Bem legal. Também é possível observar, à direita do planeta, uma pequena mancha. Na verdade não é sujeira que caiu na lente, e sim uma das luas de Saturno. (Melhor clicar na foto e ver a versão “um pouco melhor”).

Imagem da semana: Pôr-do-sol no Pacífico

março 10, 2010

A imagem desta semana mostra o pôr-do-sol no oceano pacífico. Infelizmente não coloquei a fonte pois encontrei a foto em um disquete velho que ia jogar fora (para os mais jovens que não sabem o que é um disquete, clique aqui).

Pensei em falar um pouco sobre a imagem, de como somos pequenos em relação aos corpos celestes, e que estes pontinhos da foto que parecem aquelas bolinhas que aparecem em blusas de lã são nuvens, mas, depois de pegar van lotada, trem lotado e circular lotado, achei melhor ficar só na contemplação. Cliquem na imagem acima para ver a versão mais caprichada.

Obs: Para aqueles que possuem alguns minutos disponíveis, sugiro assistir aos vídeos dos dois post anteriores do C3. Muito interessantes!

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Nota da Diretoria:

A diretoria do Café com Ciência pede desculpas pela ausência da “Imagem da semana” na semana passada. Foram milhões, senão bilhões, de e-mails perguntando se a Imagem iria ter o mesmo fim da “Analogia da semana“, que hoje já é praticamente “Analogia do bimestre”. No entanto, o problema foi prontamente resolvido com a demissão por justa causa do estagiário responsável por fazer o café, que logicamente foi culpado por tamanho descaso com as dezenas de milhões de seguidores do blog.

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Analogia da Semana – Agulha no palheiro

março 3, 2010

Versão 1: Dentro do Celeiro

Como eu procuraria uma agulha no palheiro? Bom, primeiro preciso de uma forma prática para diferenciar a agulha de um pedaço de palha (assumindo que ambos tenham a mesma forma geométrica). Vou supor que a agulha em questão seja facilmente detectada por um detector de metais da ACME que eu comprei. Dessa forma, posso utilizar as diferenças na composição desses dois objetos em meu favor, pois o objeto de interesse será detectado pelo aparelho. Então, só preciso pegar meu detector e fazer uma busca sistemática em locais onde o acesso ao palheiro seja mais fácil.

Versão 2: Dentro da Galáxia

Como eu procuraria uma estrela pobre em metais no halo da Galáxia? Bom, primeiro preciso de uma forma prática para diferenciar a estrela pobre em metais de uma estrela “normal” (assumindo que ambas tenham a mesma massa). Vou supor que a estrela pobre em metais em questão seja facilmente detectada por um telescópio com espelho de 4m de diâmetro. Dessa forma, posso utilizar as diferenças na composição desses dois objetos em meu favor, pois o espectro do objeto de interesse apresentará uma diferença em relação aos demais. Então, só preciso pegar meu telescópio e fazer um survey em porções do céu menos obscurecidas pela poeira interestelar.

Foi examente esse o procedimento utilizado por Norbert Christlieb e colaboradores em seu estudo publicado em 2008 no periódico Astronomy e Astrophysics. Eles utilizaram uma amostra de 4.5 milhões de estrelas observadas no halo da Via Láctea (nem vou comentar aqui o trabalhão que foi observar tudo isso). Assim, tendo todos esses espectros estelares, como diferenciar a quantidade de metais presentes em cada estrela?

ResearchBlogging.org

Existe uma certa característica presente em espectros tomados em baixa resolução que pode colaborar para essa procura. Estrelas de baixa massa parecidas com o Sol apresentam uma assinatura muito peculiar do átomo de cálcio uma vez ionizado (Ca II). Foi notado por estudos na década de 80 que a intensidade da linha K do Ca II (localizada em 3933 angstrons) era um indicador da metalicidade das estrelas. Assim, foi criado um índice que sistematicamente media a força desta linha em todos os espectros e, através de comparação com outros espectros de estrelas bem conhecidas, foi criada uma escala que poderia dizer (com certo grau de confiança) se uma estrela era ou não pobre em metais. O trabalho de 2008 citado acima contribuiu para encontrar 20.000 estrelas candidatas a pobres em metais dentro da amostra maior de 4.5 milhões.

Agora a pergunta: Isso tudo serve para quê mesmo?

Olha… a questão é a seguinte: Para fazer um estudo detalhado de uma estrela em especial, os astrônomos recorrem à observações em alta resolução com grandes telescópios. Porém, para conseguir tempo de observação dedicado apenas a um objeto, é necessário justificar muito bem a escolha do alvo de estudo. E, para isso, você precisa ao menos de algum indício de que seu objeto é interessante. Nesse momento é que os métodos apresentados acima são utilizados. Ou seja, partindo de uma grande amostra, você utiliza as ferramentas disponíveis para, pelo menos, criar uma subamostra menor de objetos interessantes e que possam ser elegíveis para observações em alta resolução. E se você fizer direito a lição de casa, talvez consiga achar a tal da agulha no palheiro…

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Christlieb, N., Schörck, T., Frebel, A., Beers, T., Wisotzki, L., & Reimers, D. (2008). The stellar content of the Hamburg/ESO survey Astronomy and Astrophysics, 484 (3), 721-732 DOI: 10.1051/0004-6361:20078748
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PS: Claro que eu poderia simplesmente queimar todo o palheiro e pegar a agulha em seguida, mas aí a analogia com as estrelas não ia funcionar…