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NUCLEAR: PARA ALÉM DAS USINAS

abril 4, 2011

O Café com Ciência ainda não morreu. Está apenas em um letárgico processo de hibernação. Enquanto isso, contamos com a ajuda de colegas como a Pamela Piovezan (que escreve em um blog chamado Nuclear: conhecer para debater) para manter o pessoal informado! Ficamos então com um texto bem interessante sobre energia nuclear:

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Minha ideia inicial era falar de usinas nucleares e do acidente no Japão. Mas, já pipocaram tantas reportagens, imagens e infográficos na mídia que eu mudei de ideia. Afinal, um infográfico hoje vale mais que mil palavras! (falando nisso, esse infográfico [3] está bem legal).

O acidente nas usinas japonesas alimenta dois opostos: o medo e a curiosidade sobre fenômenos e tecnologias nucleares. Uma aplicação bem interessante da energia nuclear, que não tem sido divulgada nesse “boom” de informações, é na exploração aeroespacial. Pois é! O tal calor de decaimento, vilão no caso japonês, aparece como o protagonista bonzinho nos chamados GERADORES TERMOELÉTRICOS POR RADIOISÓTOPOS (radioisotope thermoelectric generator – RTG [1]). Os RTGs têm fornecido energia elétrica para uma variedade de naves e sondas espaciais, como veremos a seguir.

Bom, vamos começar do começo! Lembrando das aulas de química do colégio, o NÚCLEO dos elementos químicos (aqueles da tabela periódica) é formado por PRÓTONS (partículas carregadas positivamente) e por NÊUTRONS (partículas sem carga). O que diferencia um elemento químico do outro é basicamente o número de prótons. Podem existir elementos com mesmo número de prótons, mas com números de nêutrons diferentes. Tais elementos são chamados de ISÓTOPOS. Como exemplo de iśótopos, podemos citar o Hidrogênio (1 próton e 0 nêutron), o Deutério (1 próton e 1 nêutron) e o Trítio (1 próton e 2 nêutrons).

Ok, mas e os radioisótopos? RADIOISÓTOPOS são isótopos radioativos, isto é, elementos químicos que emitem radiação na forma de partículas alpha (núcleos de Hélio), beta (elétrons ou pósitrons) e radiação gamma (fótons com energias muito altas). Eles emitem radiação porque seus núcleos – o conjunto de prótons e nêutrons – não estão em uma configuração estável: emitindo a radiação, os prótons e nêutrons se reorganizam tentando alcançar posições mais estáveis. Essa radiação emitida pelos radioisótopos carrega ENERGIA que depois é transferida ao meio em que a radiação se propaga. O meio recebe essa energia como uma agitação de suas moléculas e átomos, o que se traduz em CALOR. Esse é o tal do CALOR DE DECAIMENTO!

Voltando então ao nosso assunto, os geradores termoelétricos por radioisótopos (RTGs) têm fornecido energia elétrica para uma variedade de naves e sondas espaciais. Eles consistem em um radioisótopo e um sistema de conversão termelétrico: o calor produzido a partir do radioisótopo é convertido diretamente em eletricidade. A eficiência dessa conversão é da ordem de 15%, ou seja, 15% do calor gerado é transformado em eletricidade. A Cassini, por exemplo, a primeira nave a órbitar Saturno, é alimentada por RTGs. Após seis anos de viagem até os anéis de Saturno, a Cassini chegou ao seu destino em 2004. Para viajar longas distâncias, ela é alimentada por três RTGs (com quase 33 kg de plutônio) que produzem 750 W de potência.

A energia elétrica gerada diminui um pouco com o tempo devido ao DECAIMENTO EXPONENCIAL da radioatividade. Para entender isso, vamos considerar o Pu-238 (plutônio com 94 prótons+144 nêutrons, totalizando 238 nucleons), um radioisótopo utilizado nos RTGs por causa de sua MEIA-VIDA de 87 anos. À medida que o Pu-238 decai, ele se transforma em outro elemento químico. Logo, a concentração de Pu-238 (isto é, o número de átomos de Pu-238 dividido pelo volume) diminui com o tempo (porque o número de átomos de Pu-238 diminui!). A diminuição da concentração do radioisótopo é EXPONENCIAL (cai muito rápido nos primeiros intervalos de tempo e depois vai caindo mais devagar). No caso do Pu-238, em 87 anos sua concentração cai pela metade, daí o termo meia-vida. Pois bem, se a concentração diminui com o tempo, a radiação e, consequentemente, o calor de decaimento também o fazem! Como nos RTGs a energia elétrica é gerada a partir do calor de decaimento, a energia gerada também diminui com o tempo.

Além da Cassini, famosas missões espaciais como a Pioneer 10 e 11, a Apolo, a Galileo e as Voyager foram alimentadas por RTGs. Até 2005, 44 RTGs tinham alimentado 24 veículos espaciais dos EUA.  Para se ter uma ideia da confiabilidade de tais sistemas, os RTGs das Voyager I e II estão operando há aproximadamente 30 anos! De fato, as principais vantagens dos RTGs são a longa durabilidade, o tamanho compacto, a alta confiabilidade e resistência a efeitos ambientais como o frio e meteoritos.

Em 2005, a NASA lançou o relatório “Expanding Frontiers with Standard Radioisotope Power Systems” [2] contendo uma análise detalhada sobre o passado, o presente e o futuro do uso das tecnologias nucleares para a exploração espacial. De 1960 a 2010 os sistemas de geração elétrica que utilizam o calor de decaimento de radioisótopos evoluíram bastante e, segundo o relatório da NASA, a próxima geração de missões espaciais utilizará os MMRTGs (Multi-Mission Radioisotope Thermoelectric Generator) e os SRGs (Stirling Radioisotope Generator). Dentre as aplicações previstas estão o Triton Lander, o Dual-Mode Lunar Rover Vehicle, o Titan Aerobot e o Saturn Ring Observer.

Uma coisa é certa: essa tecnologia permitiu a exploração espacial de longas distâncias, garantindo a energia elétrica onde não é possivel utilizar a energia solar ou carregar pesados geradores elétricos de combustíveis fósseis.

fontes:

1. http://en.wikipedia.org/wiki/Radioisotope_thermoelectric_generator

2. http://solarsystem.nasa.gov/scitech/display.cfm?ST_ID=705

3. http://www1.folha.uol.com.br/mundo/890016-entenda-o-que-causa-as-explosoes-em-usina-nuclear-no-japao.shtml

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Já chegou o disco voador!

fevereiro 8, 2011

Antes de mais nada: Se você estava procurando aquele vídeo clássico do Chaves, clique aqui e seja feliz.

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Caso o seu vizinho comece a gritar hoje no horário da novela dizendo que está vendo um OVNI, não se assuste. Durante esta semana, por curtos períodos de tempo, um objeto muito brilhante e peculiar poderá ser avistado nos céus de São Paulo, caso a densa camada de poluição permita: É a Estação Espacial Internacional, que reflete a luz do Sol em nossa direção e torna-se visível em determinados locais durante a noite.

A ISS encontra-se em órbita em torno da Terra (já foram mais de 57.300 voltas completas) a uma altitude média em torno de 350km. Seu primeiro módulo foi lançado pela NASA no dia 20 de novembro de 1998 e, desde então, a estação já percorreu incríveis 2,7 bilhões de km. Nada mal para uma máquina que pesa 375.727 kg e é maior que uma cobertura duplex com 4 suítes. Olha ela aí:

 

A tabela abaixo, enviada pelo Rafael, foi retirada do site Heavens Above. Nela são mostradas algumas datas desta semana, para a cidade de São Paulo, com os horários em que a Estação Espacial estará visível no céu. Notem a coluna Mag: na noite de hoje a ISS brilhará com uma magnitude aparente de -3.7, ou seja, 5 magnitudes (ou 100 vezes) mais brilhante que Acrux (a estrela mais brilhante do Cruzeiro do Sul).

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ISS – Visible Passes HomeInfo.OrbitPrev.NextHelp |
Search period start: 00:00 Tuesday, 8 February, 2011
Search period end: 23:00 Thursday, 17 February, 2011
Observer’s location: São Paulo, 23.5330°S, 46.6170°W
Local time zone: Eastern Brazil Daylight Time (UTC – 2:00)
Orbit: 349 x 354 km, 51.6° (Epoch Feb 7)

Click on the date to get a star chart and other pass details.

Date Mag Starts Max. altitude Ends
Time Alt. Az. Time Alt. Az. Time Alt. Az.
8 Feb -3.7 21:05:30 10 SW 21:08:27 79 NW 21:08:51 62 NNE
9 Feb -1.9 19:56:56 10 S 19:59:17 21 SE 20:01:35 10 E
9 Feb -0.8 21:32:52 10 W 21:34:23 13 NW 21:34:27 13 NW
10 Feb -3.3 20:22:27 10 SW 20:25:23 64 NW 20:28:17 10 NNE
11 Feb -0.4 20:50:15 10 WNW 20:51:13 11 NW 20:52:11 10 NW

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Ao clicar em cada uma das datas, abrir-se-á uma nova “aba” em seu navegador com a respectiva carta celeste, com vários pontos de referência para facilitar a localização da ISS.

Imagem da semana: Eclipse da Lua

dezembro 27, 2010

Semana de férias para alguns, semana de trabalho para outros. Embalado pelo post anterior sobre os detalhes do eclipse lunar, achei pertinente compartilhar algumas imagens. A “foto oficial” do evento é do APOD do dia 23/12:

Entretanto, nesta imagem não é possível ver exatamente como occoreu o eclipse. Para não deixar o leitor com muita curiosidade, acordei meu irmão Matheus às 4h30 no dia do referido evento e ele gentilmente, com um sorriso no rosto e cabelo despenteado, tirou algumas fotos (eu fiquei mesmo na parte de logística, que incluiu chamar o elevador e trancar a porta):

Alguns problemas que ocorreram (além do sono): (i) São Paulo, (ii) Lua muito próxima ao horizonte, (iii) apartamento com sacada oposta ao evento, (iv) maldito sobrado com telhado que mais parece um barracão de escola de samba, (v) iluminação pública e (vi) falta de tripé para apoiar a câmera.  Mesmo assim as fotos saíram bem legais.

 

Eclipse da Lua – 21/12/2010

dezembro 19, 2010

O que acontece é o seguinte: o blog anda muito parado, e o motivo principal para a falta de posts continua sendo a falta de tempo. Quem sabe ano que vem as coisas melhoram por aqui. Semana passada recebemos um texto muito legal do nosso amigo Rafael Santucci (que já colaborou com o Café com Ciência recentemente), sobre o eclipse da Lua que ocorrerá dia 21. Aproveitem.

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Acho que pelo menos um dos 2,57 trilhões de leitores do blog já se deparou com aquela fatídica notícia de internet que diz que Marte será visto no céu com o mesmo tamanho da Lua cheia. Pois é, se você recebeu esse tipo de mensagem deve estar se perguntando de onde isso pode ter surgido, e se você nunca recebeu, talvez receba nos próximos dias.

(Comentário: esse causo já foi tema da analogia da semana)

No próximo dia 21 de dezembro de 2010 teremos mais um eclipse da Lua. Não sei se todos os incontáveis leitores do blog já tiveram a oportunidade de observar esse evento. Para os que nunca observaram, é importante dizer que a Lua será vista durante todo o eclipse, entrentanto sua intensidade luminosa diminuirá e sua cor irá se modificar até atingir uma tonalidade laranja-avermelhada, retornando depois ao seu brilho e cores naturais. Veja algumas figuras interessantes na Wikipedia (Inglês):

O motivo de observarmos a mudança na tonalidade da Lua é a influência da atmosfera da Terra, que se comporta como um prisma, difratando a luz solar. Os raios de luz de cor vermelha sofrem um desvio maior do que os raios de outras cores, deixando o terreno lunar com o aspecto avermelhado. Aqui é interessante fazer uma outra abordagem do fenômeno: se um observador estivesse na Lua, o que seria observado? A resposta é: Um eclipse do Sol! Entretanto, este ocorreria de forma diferente daqueles que são vistos aqui da Terra, pois na Lua veríamos um anel vermelho intenso ao redor da Terra durante o eclipse, como tenta mostrar a ilustração artística a seguir:

Ilustração Artística de um Eclipse do Sol, visto para um observador na Lua.

O eclipse vai durar pouco menos de 05h e 40min (contando desde o momento em que a Lua começa a entrar na penumbra da Terra até o momento em que ela está completamente fora dela), sendo 1h e 13min de eclipse total umbral. Vocês poderão começar a observar a Lua se tornando avermelhada às 4h33min (horário de Verão), às 5h40min a Lua estará totalmente coberta pela umbra terrestre e o máximo do Eclipse será às 6h17min. Para os mais fanáticos, podem olhar todos os detalhes do eclipse clicando aqui.

Recomendamos a observação do eclipse da Lua à vista desarmada (ou seja, a olho nu!). No máximo utilize um binóculo de pequeno aumento e, claro, acorde cedo. Infelizmente, dessa vez nós brasileiros não veremos o eclipse em todas as suas etapas, pois a Lua irá se pôr (região Oeste) pouco antes do máximo do eclipse, enquanto o Sol já estará nascendo no horizonte oposto.

Mas o que isso tudo tem a ver com a notícia de Marte? Se você estiver voltando da balada por volta desse horário na madrugada do dia 21, lembre-se que você não bebeu demais e ganhou super poderes de aumento visual, Marte continua sendo um pontinho avermelhado no céu e a bola laranja que você estará vendo, é a Lua mesmo.

Se você não lembrar de acordar cedo, ou então estiver chovendo, não fique triste, o próximo eclipse da Lua visto aqui do Brasil acontecerá em 15 de junho de 2011, e o melhor, será logo depois do pôr do Sol. 🙂

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Imagem da semana: Três Marias versão tunning

outubro 28, 2010

Como já disse por aqui anteriormente, eu nunca me deparo com imagens bonitas enquanto faço pesquisa, e na maioria das vezes não paro e olho as fotos do céu que são publicadas por aí. Esse “exercício” de publicar a imagem da semana, mesmo que seja uma vez por bimestre, acaba me fazendo apreciar um pouco mais o trabalho alheio. E essa visão logo abaixo com certeza vale um post.

A imagem desta semana mostra uma visão bem mais caprichada (ou “tunada”, como diriam aqueles que se julgam anglófonos porque assistem friends sem ler a legenda, adoram pegar palavras em inglês, pronunciar de qualquer jeito, trocar os sons, piorar o sentido e continuar achando que está tudo bem) daqueles três pontinhos sem graça que observamos a olho nu no céu. Apresento-lhes Órion, o caçador. E, quem diria, nossas três marias desbravadoras formam o importantíssimo cinturão do sujeito, sem o qual ele não poderia carregar sua espada nem manter o saiote no lugar. Logo à direita das três amigas encontra-se uma região azulada de intensa formação estelar, chamada Nebulosa de Órion. Além disso, essas imensas nuvens de gás e poeira espalhadas pela imagem só podem ser observadas com o auxílio de telescópios potentes, sendo que a imagem final é uma composição de várias outras tomadas em diferentes filtros.

Outra figura conhecida que pode ser vista na imagem é a Nebulosa Cabeça do Cavalo, que encontra-se bem próxima à “maria inferior” na imagem. Caso queira saber exatamente onde se encontram esses objetos e o nome das estrelas mais brilhantes da imagem clique aqui. (Me reservo o direito de continuar chamando as três marias de maria1, maria2 e maria3. Onde já se viu chamar alguém de Alnilam? Parece mais uma marca de água sanitária).

E o arco avermelhado que envolve as marias? O que seria?

É o mundialmente conhecido e adorado Loop de Barnard, cujo centro encontra-se próximo à nebulosa de Órion. O nome foi dado em homenagem a Edward Barnard, que capturou algumas imagens desta região em 1895. Porém, dizem as más línguas que William Herschel (o cara que fez um mapa da Galáxia) já havia observado o dito loop nos idos de 1786. Acredita-se que o loop foi formado por sucessivas explosões de supernova, que  teriam ocorrido entre 2 e 3 milhões de anos atrás.

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Para ser bem sincero, eu não vejo caçador nenhum no céu, nem fazendo muito esforço. Clique aqui para acessar minha releitura pessoal da constelação.

Café com Ciência pelo Brasil

outubro 24, 2010

Bem, escrevo aqui para alguns milhões dos antes bilhões de leitores do Café com Ciência. As circunstâncias que a vida nos coloca fazem com que exista uma lista de prioridades, e infelizmente a tarefa de publicar textos no blog foi deixada para segundo plano.

Não pensem que é preguiça ou descaso com as dezenas de bilhões de leitores diários que este blog já teve. É apenas um período de escassez que vai passar tão rápido e leve quanto uma bolinha de papel em uma careca reluzente.

Resolvi escrever este pequeno texto para (como diriam os americanos) fazer um “update” e quem sabe receber um “feedback” dos poucos leitores que ainda se dão ao trabalho de não apertar a tecla “read all” do agregador de rss de sua preferência.

A ótima notícia é a de que Dr. Alessandro Pereira Moisés foi aprovado em um concurso público para provimento de cargo de professor doutor na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), no Campus de São Raimundo Nonato, Piauí. Ele fará parte do Colegiado do Curso de Ciências da Natureza. Todos aqui do IAG/USP ficaram extremamente felizes e satisfeitos com a boa nova, e nós do Café com Ciência ainda mais. Sempre soubemos do potencial do nosso plantel, e esse fato é só mais uma confirmação. “Perdemos” um pós-doutorando, mas tenho certeza que o país ganhou mais um grande professor/pesquisador.

Sendo assim, compreendemos que agora o Professor passará por um período de adaptação em seu novo local de trabalho, mas que em breve teremos muitas notícias interessantes acerca dessa nova empreitada de nosso co-autor. Ele ainda precisará adquirir uma cafeteira e acertar seu relógio com o fuso horário de São Paulo para que o ritual do café continue a ocorrer religiosamente no mesmo horário.

Eu não faço idéia de como serão as coisas por lá, mas tenho uma certeza: o céu noturno será muito parecido (senão melhor!) do que o da foto que inicia este texto. O palpite é que até o final deste ano já teremos notícias sobre a fundação de um clube de astronomia lá por aquelas bandas! Esperaremos ansiosamente muitas imagens dos céus dessa região do Brasil.

Sucesso professor!

PS: A foto foi gentilmente cedida (apesar de eu não ter pedido) pelo preparador oficial de café Rafael Santucci, que tirou esta foto em Campos do Jordão, em agosto deste ano.

Imagem da semana: Uma questão de escala

setembro 17, 2010

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Obs 1: Mais uma dica do Fabiô.

Obs 2: Muitas imagens e posts legais no blog do Marcellus.

Obs 3: A figura não precisa de muita explicação certo?

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Imagem da semana: Landessternwarte Königstuhl

setembro 8, 2010

Depois de muito tempo sem escrever nada (culpa de um pequeno trabalho que eu precisava terminar), tentarei voltar a ativa no blog. Deixo meus sinceros agradecimentos ao Moisés e ao Zé Colméia por manterem o blog vivo durante este período. Dada a extrema fadiga dos meus dedos depois de tanto digitar nos últimos meses, vou pegar leve e colocar umas imagens interessantes.

Apresento-lhes o Observatório da Universidade de Heidelberg, localizado na cidade Heidelberg, Alemanha. Ele foi fundado em 1898 pelo duque Friedrich I. de Baden e, desde 2005, abriga pesquisadores associados ao centro de astronomia da referida Universidade. As pesquisas realizadas por este pessoal vão desde arqueologia estelar até astrofísica de altas energia.

O Observatório é composto de sete cúpulas, e cada telescópio é utilizado para uma função específica (clique aqui para saber mais sobre os telescópios). Para se ter uma idéia da importância do local, entre 1912 e 1957, Karl Wilhelm Reinmuth identificou quase 400 asteróides a partir deste observatório! Os telescópios ainda estão em operação, mas como já havia dito anteriormente, locais com altitudes médias e alta umidade não são os melhores para se fazer pesquisa de ponta, mas com certeza contribuem com a pesquisa em astronomia.

Além disso, o local é muito agradável, silencioso e limpo. O trabalho rende que é uma maravilha! O Observatório fica localizado ao lado de um dos Institutos Max Planck e próximo ao Königstuhl (algo como Trono do Rei), de onde é possível apreciar a vista da cidade de Heidelberg e do rio Neckar.

É realmente um lugar muito bom para se morar e fazer pesquisa. Provavelmente se o “fotógrafo” que vos fala fosse mais talentoso as imagens seriam mais convincentes!

Pesquisa Pós-Graduação – Resultados (parte 1)

junho 23, 2010

Para aqueles que notaram alguma lentidão nos serviços do google nos últimos dias, peço desculpas.  Foram tantos acessos ao formulário que os servidores do referido sítio ficaram sobrecarregados. E não é para menos: dos 21 bilhões de leitores do blog, uma fração considerável de 0,0000001% preencheu o formulário. Fazendo a famigerada regra de três temos que o conjunto universo contem um embasbacante número:  21 milhões de pessoas. Achei melhor dividir os resultados em 2 posts, para não ficar muito mais chato de ler.

(De fato, uma pesquisa enviesada como esta não pode dizer muita coisa sobre a pós-graduação em geral. É quase a mesma coisa que dizer que o resultado de  uma pesquisa eleitoral feita dentro da Daslu às 14h de uma terça-feira representa a opinião de todo o município de São Paulo – se bem que existem pessoas – e institutos de pesquisa! – que acham que isso é verdade… MAS… vamos aos resultados.)

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Área:

  • Exatas: 76%
  • Biológicas/Saúde: 14%
  • Humanas: 10%

Será que o blog precisa de um apelo mais “humano”? (péssima piada)

Tipo de Instituição:

  • Pública: 90%
  • Privada: 10%

Nesse ponto não existe nenhuma anormalidade (eu acho). Nos 10% em instituições privadas (2 pessoas) 1 é da área de bio e outra de exatas.

Conceito

  • CAPES:
  1. 7: 62%
  2. 6: 14%
  3. 5: 10%
  4. 4: 0%
  5. 3: 5%
  • Pessoal:
  1. 7: 10%
  2. 6: 24%
  3. 5: 48%
  4. 4: 10%
  5. 3: 10%

Aqui é interessante ressaltar o deslocamento do conceito atribuído pela CAPES e do atribuído pelos alunos. “Aparentemente” o conceito não reflete a opinião dos alunos (hahaha). 62% dos programas tem nota 7 segundo a CAPES, e apenas 10% dos alunos deram nota 7. Outro ponto é  que o conceito pessoal dos alunos das instituições privadas foram consistentes com os da CAPES. Já para as públicas, a maioria não concorda (todos mais baixos, é claro).

Na minha opinião, algumas vezes o programa se preocupa muito em manter o conceito CAPES (que, dependendo da nota, está atrelado a maiores auxílios para equipamento, participação em reuniões no exterior…) e deixa a peteca cair em outros aspectos. Muitas vezes o conceito A que o aluno recebe na disciplina não reflete necessariamente a qualidade do curso, e sim um interesse em colocar que “a maioria dos alunos tiveram conceito A – olha como nosso programa é bom!” no relatório da CAPES.

Mestrado:

A maioria (72%) com bolsa, sendo que as bolsas estão quase igualmente distribuídas entre FAP’s, CNPq e CAPES (90% destas recebidas durante 24 meses). Já para o tempo de titulação, 60% terminaram em até 24 meses, 30% em até 30 meses (todos da área de exatas) e 5% em até 36 meses. Os 5% restantes (1 pessoa) fez em mais de 36 meses (sem bolsa por todo o período). Não existe nenhuma tendência do tempo de titulação com a agência financiadora. Existe uma discussão (pelo menos aqui no IAG) sobre essa pressão de terminar um mestrado em 24 meses custe o que custar. Isso as vezes prejudica o aluno, que tem exame de proficiência, disciplinas, atividades de monitoria e relatórios semestrais para entregar. Mas, novamente entra um pouco aquela pressão de manter a vitrine do programa sempre bem apresentada.

Doutorado:

No caso do doutorado a situação muda um pouco: as FAP’s representam quase 80% das bolsas concedidas, deixando os outros ~20% para o CNPq. Nesse caso, as duas bolsas possuem reserva técnica, mas eu poderia ter perguntado como o pessoal dos programas sem PROEX e PROAP (em poucas palavras: dinheiro para participação de estudantes em congressos e etc.) se vira para pagar viagens para congressos e estágios quando a reserva acaba. Ainda na questão das bolsas, 30% fizeram o doutorado sem auxílio, 20% com 36 meses de bolsa (todos de FAP’s) e 50% com 48 meses de bolsa.

Do pessoal que recebeu 36 meses, metade terminou de fato em 36 meses e a outra metade em 48 meses. Isso é um problema, porque essas pessoas, além da pressão (do programa, do orientador…) de terminar logo a tese, ainda tem que se virar durante 1 ano para pagar as contas sem bolsa. Para o pessoal que recebeu 48 meses, 80% terminou a tese junto com a bolsa, e 20% ficaram até 60 meses.

Doutorado Direto:

Infelizmente nessa parte não tem muito para escrever, já que só 2 pessoas responderam: uma delas recebeu bolsa do CNPq por 60 meses e terminou a tese no mesmo período e outra fez em 48 meses sem bolsa.

Comentários/Sugestões:

Sem dúvida a parte mais estimulante da pesquisa. Dois comentários foram feitos:

  • “Instituição de mestrado: Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.”
  • “Pudim, vc é gay.”

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Na parte 2 dos resultados eu comento sobre as auto avaliações, avaliações dos orientadores e preparação pedagógica. Obrigado aos que responderam!

Antes de terminar gostaria de compartilhar uma dúvida com essa questão de precisar de mais tempo para terminar a pós-graduação sem receber bolsa. Qual será o principal fator que influencia na extensão do prazo? Falta de interação com o orientador? Procrastinação em excesso? Projeto de pesquisa mal dimensionado? Muitas atividades (exigidas pelo programa) além da tese? Bom, pelo menos aqui no IAG o exame de qualificação toma muito tempo. Será que essa pressão para terminar um doutorado entre 36 e 48 meses gera trabalhos de qualidade? Comentários são muito bem-vindos!

Pesquisa – Pós Graduação

junho 5, 2010

Outro dia entrei de gaiato em uma discussão sobre avaliação de disciplinas na pós-graduação, ensino e qualidade dos trabalhos apresentados pelos alunos. Então resolvi fazer uma pesquisa bem simples com os leitores do blog que se encontram na (ou já passaram pela) pós-graduação. É bem rápido de responder, não precisa se identificar e no final ainda pode deixar um comentário/sugestão/xingamento para o autor.

Eu tentei colocar o formulário no post mas aparentemente o wordpress não gosta da tag <iframe>. Para não perder muito tempo com isso, clique aqui para ir ao formulário. Alguns esclarecimentos:

  • Caso tenha feito doutorado direto, apenas coloque “não se aplica” nos campos referentes ao mestrado e doutorado.
  • Tempo de titulação refere-se ao número de meses em que você esteve regularmente matriculado no programa de mestrado, doutorado e etc.
  • Tempo de bolsa refere-se ao número de meses recebendo auxílio. Quero ver a fração do tempo, em média, que os alunos acabam pesquisando sem bolsa.
  • A parte relacionada à preparação pedagógica pode parecer meio confusa, mas depois explico melhor.

Vou deixar o formulário um tempo no ar e depois (caso alguém responda) eu publico os resultados. Obrigado!