A seriedade da pesquisa em Astrologia

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A Folha.com publicou uma reportagem sobre um departamento da Universidade de Brasília que dá o que falar no meio acadêmico: é o Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais, que tem como objetos de estudo ufologia, astrologia e conscienciologia. Alguns acreditam que há problemas em financiar com verbas públicas um grupo de estudos como esse, pois o dinheiro para ciência não deve ser dividido com esse tipo de conhecimento. É raro encontrar algo dentro dos limites da universalidade da cultura humana que possa ser mais arrogante do que esse tipo de pensamento sectário e preconceituoso.

(Esse texto reflete minha opinião e não necessariamente a dos outros dois autores deste blog.)

Há uma expectativa sobre a ciência atual, respaldada tanto por uma mentalidade cientificista quanto por uma suposta necessidade desenvolvimentista, que dá ao conhecimento científico status de verdade ontológica. Tal expectativa só se concretiza no contexto no qual nossa civilização se insere temporal e espacialmente. Tudo bem que a universidade foi pensada sobre ideais iluministas, racionalistas, positivistas e todo o mais – o que sustenta nossa crença cega em uma causalidade cartesiana, mas daí para dizer que a universidade não pode financiar astrologia é preciso um salto considerável.

Astrologia e ufologia, assim como as ciências, são formas de se representar o mundo. Expressam visões de mundo, nada além disso.  Pesquisas sobre esse tipo de conhecimento podem não ser interessantes para um cientista ordinário, ainda assim não são menos razoáveis para algumas pessoas, como aquelas com quem convivemos em nosso dia-a-dia. Essa justificativa deveria ser suficiente para aceitarmos a produção de conhecimento (não-científico) nesses campos de estudo. No entanto, o status de verdade das ciências parece ser inabalável e intocável.

Tanto astrologia quanto as ciências são embasadas em hipóteses. Embora algumas hipóteses sejam mais fortes do que outras, isso ainda não faz das ciências representações que excluam a validade das não-ciências em um certo domínio de vivência. O método científico é só uma hipótese, por mais sofisticada e eficiente que o seja. A Física explica muita coisa e por isso é genial. Experiência e observação são sim muito úteis e funcionam muito bem para o desenvolvimento do conhecimento científico. Mas não são verdades em si. Por mais fantásticos e fascinantes que sejam seus resultados, ainda são apenas hipóteses fortes.

A rigor, não faz sentido financiar uma ciência que estude o universo distante – do tipo a astronômica – só porque as teorias físicas funcionam aqui no nosso mundo. Ou não é questão de fé o fato de as leis físicas serem as mesmas em todo o universo?

Estudar teologia e astrologia na universidade é tão interessante quanto estudar filosofia. Se estudadas na universidade, a função da teologia e da astrologia não deve ser a de formar profissionais para o mercado, mas sim fazer pesquisa que ajude a construir esses saberes. Um teólogo pesquisador pode ser diferente de um padre ou bispo, assim como o João Bidu não deve morrer de amores pela pesquisa. Então qual o problema em pesquisar teologia e astrologia?

A universidade não pode ser meramente utilitarista, financiando uma fatia do conhecimento que pode ser produzido e desenvolvido pela sociedade contemporânea. Nesse sentido, astrologia e paranormalidade devem ter tanto espaço no financiamento de pesquisa básica quanto qualquer ciência. Não basta conhecimento científico para satisfazer os anseios das pessoas em toda sua diversidade. Há humanidades incapazes de serem expressas por qualquer linguagem, nem mesmo a científica. Vetar financiamento à astrologia, ufologia, teologia ou qualquer que seja a área de conhecimento é mutilar uma parte importante da cultura construída ao longo de nossa história.

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53 Respostas to “A seriedade da pesquisa em Astrologia”

  1. Renan Says:

    Aham Cláudia, que tal a universidade financiar também quem acha que partes do corpo de Albinos curam AIDS, quem acha que bruxaria é real ou quem acha que gays causam terremotos?

    Por que, afinal, o papel dela não é produzir conhecimento confiável mas reafirmar o senso comum. Aham…

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Renan.

      Minha posição se baseia em uma universidade cujo papel é semear diversidade cultural – e aqui cultura tem o seu sentido mais amplo possível – e incentivar a liberdade de pensamento. Minha posição vai de encontro ao atual paradigma de universidade – tome como exemplo a USP, idealizada para formar a elite intelectual paulista responsável por desenvolver o país. Nesse sentido, há um deslocamento do que eu acho que deveria ser a produção de conhecimento pelo conhecimento para produção do que você chama de conhecimento confiável. Particularmente, acho que essdeslocamento empobrece a cultura humana.

      Perceba que minha ética se baseia em valorizar cultura humana. Não estou pregando para que vocês concordem comigo, só estou colocando uma forma de pensar alternativa em debate, nada além disso.

      Um abraço,

  2. Nath Says:

    Bem, eu devo ter um pensamento sectário e preconceituoso porque acho que fazer pesquisa nessa área, não fazendo parte da área de cultura/humanas/antropologia, é jogar dinheiro fora, porque qual é a aplicabilidade de se fazer ‘pesquisas’ em astrologia?? Principalmente essa, onde uma hora/lugar que alguém nasceu terá ‘influências’ de planetas a milhares de quilômetros de distância e ainda prever o futuro e/ou ainda a personalidade de alguém??? é muito pseudocência pra mim! Eu entendo seu ponto de vista porque no sul-sudeste não deve haver tanto problema de verbas para as pesquisas, mas quando eu vejo o sufoco de conseguir um mísero financiamento para poder termos nossos experimentos feitos aqui no Ceará, ver esse tipo de ‘pesquisa’ receber dinheiro, realmente me dá abuso! Não se chateie com que escrevi, respeito seu ponto de vista, só estou expondo o meu! 🙂
    Abraço!
    ps. Voce deve conhecer, mas recomendo a você Carl Sagan [qualquer obra dele!]

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Nath.

      Me parece que temos uma diferença em nossa concepção de cultura, assim como no papel da universidade. Acho arriscado apontar para qualquer área do conhecimento e dizer que uma tem mais valor do que outra. Obviamente hoje há uma maior preocupação com algumas áreas – genética e energias, por exemplo – mas essa valorização varia com o tempo, o que me faz acreditar que a filosofia, uma área que tem uma mínima aplicabilidade hoje poderá ter muito mais valor em um futuro próximo, assim como as novas linhas de pesquisa da UnB.

      Talvez eu tenha misturado o debate do financiamento com a produção de conhecimento em um mesmo tópico, e isso deixa o debate um tanto complexo. Mas a princípio acredito que todas as linhas de pesquisa deveria receber verbas iguais. Isso se baseia na minha ideia de universidade, que falei na resposta anterior.

      Obrigado por recomendar Carl Sagan. Posso fazer-lhe minha recomendação? Michel Foucault: http://contrun.noblogs.org/post/2008/04/15/introdu-o-vida-n-o-fascista-michel-foucault

      Um abraço,

  3. Marcellus Says:

    Eu também discordo do seu ponto de vista, não vejo aplicabilidade nesses campos. Precisamos mesmo saber astrologia, teologia, ufologia? Esses temas podem muito bem caber no estudo da história no momentos de relevância.

    Filosofia é um campo que deu origem a vários campos da ciência e, para mim, no mínimo deve ser visto como a História. Precisamos conhecer nossa História, precisamos conhecer Filosofia.

    Se o ponto de partida para aceitar esses campos como ciência é que tudo é hipóteses. Podemos no futuro ter estudos sobre o universo de Guerra na Estrelas ou de O Senhor dos Anéis, ou quem sabe, Matrix. Esses temas podem ganhar o direito de ser elevado ao status de ciência. Chegaremos ao ponto de ter nas universidade estudo do Cabala, Runas, Búzios, Tarô e etc.

    Por isso, meu ponto de vista é que esses campos devam ficar fora das universidades. Existem locais apropriados para estudar ou “pesquisar” essas campos.

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Marcellus.

      Sim, você apontou bem. Tudo são hipóteses. É o que alguém pode chamar de uma linha relativista radical. Alguns não gostam disso simplesmente pelo nome, nem sequer se propõem a debater o conteúdo das ideias.

      O que me parece um problema é dar à ciência um status privilegiado, um status de verdade com relação aos outros domínios de saberes. Por que a ciência é tão intocável? Se percebemos que o mérito da ciência é construir hipóteses fortes e não verdades em si, somos capazes de dar mais espaço para outras representações de mundo, sabendo que essas práticas sociais são todas “exercícios” culturais. A não ser que a universidade tenha um objetivo prático e utilitarista, qualquer construção de conhecimento dentro dessa instituição deveria ser incentivada.

      Só para deixar claro, não sou astrólogo, nem sequer leio horóscopos. Apenas defendo um pensamento livre. Para mim, essa defesa tem sido um exercício no mínimo divertido – basta ver a repercussão desse post.

      Um abraço – espero que continue lendo os textos deste blog, pelo menos os do Vinicius e do Moises.

      • Marcellus Says:

        Vou tentar me explicar melhor, não quero ser nenhum Richard Dawkins. O radicalismo dele é demais, mas assim como existem coisas boas na religião, existem coisas boas no pensamento dele.

        Vou contar como é a minha diversidade. Minha mulher acredita (apesar de não assumir realmente) em astrologia, já fez mapa astral e tudo, meus pais são católicos praticantes. Eu entendo o ponto de vista deles, cada um com sua fé.

        Acho que os ufólogos também tem seu espaço (estão até no Discovery, brincadeira). Não conheço nenhum, nem paranormais.

        Acho que todos tem o direito de expor suas idéias e pensamentos, e sou a favor da diversidade. Apenas não acho que as universidades devam ensinar tudo. Como disse antes, existem lugares apropriados para tais ensinamentos.

        Não vou deixar de ler o blog, nem seus texto por discordar ou pensar diferente. Eu leio alguns blogs holísticos ou religiosos justamente por pensarem diferentes de mim. Precisamos conhecer o que os outros pensam.

    • Tiago Almeida Says:

      Ok, se há pesquisa na universidade, pressupõe-se que deva existir o ensino, assim como a extensão, nessa instituição. Acho que para manter minha linha de defesa, eu preciso defender o ensino de astrologia assim como defendo a pesquisa. Eu não queria ir tão longe e defender também esse ensino. O que faço aqui é um exercícios de idealização, valorizando um lado da cultura humana situada nessas paranormalidades, pressupondo que o charlatanismo não seria um problema tão grande – afinal, é uma idealização. Quanto ao ensino, de fato essa idealização me parece muito complicada, mas por coerência me parece que esse exercício deve valorizar também o ensino de astrologia na universidade. (Cara, como dói escrever isso.)

      Um abraço

      • Marcellus Says:

        Gostei do parênteses, hehehe

        Eu entendo o seu ponto de vista, mas continuo pensando diferente. Acho que essa questão deve continuar sendo discutida nas universidades por mais algum tempo.

  4. Rafael Says:

    Puxa vida! Eu fiquei realmente surpreso com o post!
    Não querendo criticar o ponto de vista, mas sim, intencionado a aproveitar o tema, deixarei aqui algumas colocações:

    – Toda forma de filosofia é ruim se levada ao extremo, “o que dá ao conhecimento científico status de verdade ontológica” é simplesmente sua má aplicabilidade. A ciência é uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento de uma sociedade, não por sua finalidade, mas sim pelas suas diretrizes. É uma rara, se não a única, maneira de interpretar o universo com idéias mutáveis, que visam sempre renovar e se aproximar de um modelo que descreva (a cada passo com mais detalhes) um determinado fenômeno, ou seja, ela auto-estimula novas teorias para um problema sem perder a concisão do tema.
    Off [Como presenciamos nos e-mails da lista de discussão discente, a ciência usada de forma correta, tem a intenção de propor soluções, infelizmente nossos coleguinhas se esqueceram disso.]

    – “Astrologia e ufologia, assim como as ciências, são formas de se representar o mundo. Expressam visões de mundo, nada além disso.”
    Nossa, existe um ponto bem interessante nisso. Concordo com a afirmação, exceto pelo “nada além disso”, a astrologia e a ufologia permitem várias interpretações para o mesmo fenômeno, fato que comumente ocorre com a ciência, entretanto por serem subjetivas e aceitarem várias alternativas para um mesmo fenômeno, a ufologia e a astrologia acabam não representando nada. Algo que pode ser qualquer coisa, não explica nada. Estou totalmente de acordo que a ciência não satisfaz uma boa parcela dos humanos, entretanto, talvez uma preciosa ferramenta que cada habitante desse planeta deva levar no seu bolso seja um coisinha chamada ceticismo. “Se engana quem acha que o cientista é cético”. Ele é aquele que deve utilizar o ceticismo como um cirurgião usa um bisturi. É preciso muito treino para não cometer erros.

    A idéia do ceticismo une muitos argumentos que são importantes nesse post. Ao meu ver, se todos fôssemos capacitados a utilizar o ceticismo (eu me excluo dessa habilidade), teríamos certamente escolhido políticos/representantes melhores, teríamos um discernimento melhor de tudo que pode nos prejudicar. Sem dúvida, teríamos evitado coisas como suicídios coletivos e o BBB e também teríamos o dom de propor soluções ao invés de criticar.

    Mas enfim, ainda não consigo argumentar ou propor idéia que sejam ausente de qualquer preconceito contra as “filosofias não-científicas”, expandindo o que foi dito antes, Carl Sagan pode ser recomendado à todos.

    Já vi posts nesse blog (vários do Vinícius) que tem um pensamento totalmente diferente desse, pelo que senti, a intenção foi jogar um balde de gasolina da fogueira para reascender a participação dos quase 4bilhões de leitores do blog, estou certo?:P

    Abraços, e parabéns pelo Post! E viva o café, não consigo parar mesmo… rs

    • Tiago Almeida Says:

      Ok, são dois os seus pontos: ciência como poderosa ferramenta para desenvolver a sociedade e a importância do ceticismo. Estou certo?

      De fato, a ciência é poderosíssima. Não só poderosa como fascinante. Para mim ainda é impressionante, por exemplo, como o campo pode ser utilizado para explicar fenômenos no universo inteiro.

      Mas acho perigoso colocar como nosso principal objetivo desenvolver a sociedade, seja com ciência ou com qualquer outra coisa. Esse deve ser o maior ponto de divergência entre minha posição política e a dos leitores que discordaram. Meu problema com o desenvolvimentismo é que o dsenvolvimento, digamos, precisa de muita energia para acontecer e, por conservação, essa energia tem que ser tirada de algum lugar. Quando tiramos essa energia de um lugar, esse lugar não se desenvolve junto com os outros, compreende? Essa seria uma forma caricata de se criticar o desenvolvimentismo, seja seu catalisador a ciência ou não.

      Agora, o ceticismo. Será que, ao rechaçarmos a astrologia, não falta um pouco de ceticismo em nosso paladar? Tudo bem que eu também não ache a astrologia interessante, mas dizer que ela não consegue representar o mundo de ninguém não é um exagero? Sou realmente cético com relação a essa postura, para mim, intransigente em demasia.

      Fui tomar um café ontem em sua sala e não encontrei ninguém. Depois do feriado farei-lhes uma nova visita.

      Um abraço,

      • Rafael Says:

        Que radical você está! Eu não disse que a ciência tem como “principal objetivo desenvolver a sociedade” 😛

        “é que o dsenvolvimento, digamos, precisa de muita energia para acontecer e, por conservação, essa energia tem que ser tirada de algum lugar.” Ora ora ora, usando ciência para argumentar? Não Vale! 😛

        “mas dizer que ela não consegue representar o mundo de ninguém não é um exagero?” … opa eu não disse isso, cada um segue aquilo que lhe satisfaz, “meu mundo” é satisfeito pela ciência, sei que muita gente se sente feliz como a forma calorosa que outras ideologias lhes confortam, mas para representar a natureza sem ambiguidade e investigar os fenômenos de forma minuciosa (com a cabeça e não com o coração), a ciência ainda é a única opção… mesmo o site que você indicou, o link que trata de “faça o seu relato sobre ovnis/etc aqui” (entre outros) propõe perguntas que levam a explicações científicas desses casos polêmicos.

        Quanto ao café, você deu azar! Nessa semana estamos tomando os verdadeiros cafés sul de minas, trazidos direto das regiões produtoras! 🙂 apareça logo, antes que acabe!
        abraços

      • Tiago Almeida Says:

        “para representar a natureza sem ambiguidade e investigar os fenômenos de forma minuciosa (com a cabeça e não com o coração), a ciência ainda é a única opção”

        Não sei se é a única, mas com certeza satisfaz uma série de critérios que faz da ciência ser mais querida do que outras formas de se interpretar fenômenos – pelo menos mais querida para algumas pessoas.

        Fui experimentar o café hoje, mas você fugiu.

        Abraço

    • Tiago Almeida Says:

      Faltou dizer uma coisa: acho perigoso tomar o atual paradigma de desenvolvimento como um projeto em função do qual toda a humanidade deva ser colocada. Isso completa minha linha de raciocínio acima.

      Abraços,

  5. Alan Alves Says:

    Também discordo, e vou justificar baseado no seu próprio texto:
    “Tudo bem que a universidade foi pensada sobre ideais iluministas, racionalistas, positivistas e todo o mais – o que sustenta nossa crença cega em uma causalidade cartesiana, mas daí para dizer que a universidade não pode financiar astrologia é preciso um salto considerável.”
    O que a Universidade estuda, estuda sob o ponto de vista científico, do cientificismo. Astrologia não é cientificismo, então não deve se enquadrar nessa categoria.

    E por fim…
    “Não basta conhecimento científico para satisfazer os anseios das pessoas em toda sua diversidade;”
    Concordo plenamente. Mas o papel da UNiversidade nunca foi esse até onde eu sei. Existem diversas maneiras de satisfazer esses anseios. E a própria astrologia, religião, programas de tv, pão e circo, satisfazem esses anseios sem a necessidade de se financiar uma pesquisa em algo cujo resultado não pode ser validade.
    Não cientificamente…

    “Estudar teologia e astrologia na universidade é tão interessante quanto estudar filosofia”
    Teologia usa MUITOS conceitos da filosofia, e tem uma base filosófica bastante considerável. O que é diferente de astrologia, que não tem bases sólidas e inabaláveis.
    Não existe “uma” astrologia, como existe uma ciência, ou uma teologia,
    Como se faria uma pesquisa em astrologia, por exemplo?
    Se já se considera como não sendo ciência, mesmo que seja verdade, ela não pode ser validada cientificamente. Todas as ‘provas’ seriam subjetivas, e não ‘absolutas’.
    Quais os benefícios, e como se constatar que uma pesquisa em astrologia deu resultado?Não se tem como. E quais os benefícios que traria, que a própria história, teologia, filosofia não poderia, por si só, obter ao estudar a astrologia?

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Alan.

      Nosso ponto de vista difere no papel da universidade. Isso provavelmente poderia ser notado em nossos papos nos bandejões.

      Quanto a pesquisa em astrologia, já há várias nesse sentido – talvez você queira ignorar, mas é um campo que não nasceu agora e possui pessoas que trabalham com isso. Ok que alguns são picaretas, mas da mesma forma que a ciência que chega à mídia com maior facilidade é a da Superinteressante assim como a dos laboratórios caros para criar mini-buracos negros que vão destruir o mundo, talvez o que chegue a nós com maior facilidade sobre astrologia sejam elementos também falaciosos. Tenho tanta fé que o departamento de estudos paranormais da UnB pode não ter charlatões quanto tenho nos departamentos de Astronomia do país. Você confia no trabalho de todo astrônomo que você conhece?

      Quanto aos benefícios, isso diz respeito a como vemos a atuação social da universidade, e nisso divergimos.

      Um abraço,

  6. Henrique Xavier Says:

    Para os que não acreditam nas coisas que são pesquisadas pelo núcleo citado, pelo menos dá pra considerar que os estudos são sérios mesmo. O que foi citado pela reportagem da Folha concluiu que sensitivos não conseguiam acertar as doenças dos pacientes.

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Xavier.

      Há os que não acreditam, os que não querem acreditar e os que até poderiam acreditar mas acham que a universidade não é lugar para isso. Talvez para os últimos seu argumento tenha validade.

      Um abraço,

  7. Alan Alves Says:

    Ok, leia o 3º parágrafo antes do 2º…Hehehehe
    Erro de formatação

  8. Rafael Says:

    Favor apagar o comentário entre parenteses “(vários do Vinícius)” – Ele não se aplica! hehehehe. Li errado =P

  9. Victor Says:

    Estou bem-humorado demais para fazer o comentário que esse post merece. Minhas opiniões foram contempladas pelos comentários acima.

  10. Tamires Says:

    Meo, concordo com este post em gênero, número e grau! Especialmente com o último parágrafo.

    Já ouvi 6,023×10^23 vezes “mas pra que serve estudar cosmologia?? isso vai trazer algum benefício pra nós? mimimi…”
    Se é assim, se só pode gastar dinheiro com pesquisa útil, cortem as bolsas do Centro de Artes Cênicas! E de mais uma caralhada de lugares que decerto não fazem pesquisas muito mercadológicas. Cortem o financiamento disso: http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/pdf/1006/1006.0025v1.pdf

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Tamires.

      Cuidado com o que você diz por aí. Você tem uma carreira acadêmica pela frente, pode encontrar algum xiita que não queira financiar você porque você financiaria astrologia.

      Brincadeiras à parte, concordo com você. Talvez sejamos xiitas demais por acreditar em uma pesquisa mais livre do que a de hoje.

      Um abraço,

      • Tamires Says:

        Olá!
        Bem, eu concordo então só em gênero e numero (obrigada pela correção, Marcellus =] ).

        Tiago, essas discussões inflamadas me fizeram ter uma idéia; também tenho um blog e coloquei tudo lá. É um post chamado “Por que tanto ceticismo?” Se quiser, dê uma olhada e vê o que acha, sim?^.^

  11. Velasquez Says:

    Tem muita razão ao dizer: “A universidade não pode ser meramente utilitarista, financiando uma fatia do conhecimento que pode ser produzido e desenvolvido pela sociedade contemporânea”.

    Pois parece que o utilitarismo encontro com toda força nas universidades. O conhecer por conhecer torna-se uma coisa estranha. Às vezes idéias brilhantes vem de observações de coisas triviais – ou melhor, “indigno” – e não de elementos no topo da hierarquia do “isso é digno”.

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Velasquez.

      Sim, tenho medo de agir como se já soubesse como proceder, como fazer dos outros mais felizes ou tão felizes quanto eu sou. Não posso dizer que a ciência tem essa utilidade ou capacidade de elevar as pessoas a ma condição maior só porque ela me é útil, nem mesmo posso insinuar que a ciência é mais digna que qualquer outro conhecimento. Essa é minha preocupação.

      Um abraço,

  12. Marcellus Says:

    Em português, o gênero e número devem seguir a concordância, enquanto não há exigência da concordância em relação ao grau. Justamente por não ser o grau uma concordância, o mais “correto” seria dizer apenas “concordo em gênero e número”.

    E eu continuo discordando em gênero e número.

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Marcellus.

      Não tenho a intenção de fazê-lo concordar comigo, só espero que, diferente dos que postaram alguns comentários no twitter, seja tolerante com alguém que pense diferente de você. Afinal, existe um mal em não concordarmos?

      Um abraço

      • Marcellus Says:

        Minha discórdia com relação ao fato de astrologia, ufologia e teologia não serem ciência, pois o pensamento científico se baseia que nunca devemos usar o sobrenatural e metafísico para descrever a natureza. Porque o principal objetivo da ciência é descrever a natureza.

      • Tiago Almeida Says:

        Minha proposta é abalar o pensamento científico e questionar seu status de verdade. De fato, dentro do preceito de nunca usarmos sobrenaturalidades e metafísica, astrologia deve passar longe da universidade. A ideia aqui é idealizar a universidade com preceitos mais maleáveis, ou melhor, mais libertários.

        Um abraço

  13. Diogo Says:

    Café sem Ciência, nenhuma.

  14. Kimura Says:

    Grande Zé! Causando polêmica por essas bandas!

    Corajoso e conveniente de sua parte. Os cientistas, com a sua fé cega, precisam disso de vez em quando.

    Nem vou adentrar a discussão, até porque nem li os outros comentários, eu provavelmente repetiria um monte de coisas. Mas estou com você na questão do respeitar a diversidade e o interesse de todos, ainda que eu, assim como os demais astrônomos, tenha a Astrologia como uma desafeta.

    Grande abraço!

    • Tiago Almeida Says:

      Grande Kimura!

      Eu também prefiro trabalhar com Astronomia do que fazer qualquer coisa com a Astrologia. Isso não me impede, como você disse, de respeitar a liberdade e diversidade de pensamento.

      Um abraço,

  15. Alexey Says:

    Ola Tiago,

    Fiquei muito surpreso com este post. Mas, ao contrario da maioria, fiquei positivamente surpreso. Nao por voce defender a pesquisa em Astrologia, poderia ter sido qualquer outra coisa, mas por constatar a afinidade do seu pensamento com o pensamento libertario do filosofo da ciencia, Paul Feyerabend.

    O fato eh que nao existe uma ciencia pura, imparcial, limpa, higienizada. Todas as ciencias sao atravessadas pela politica, por ideologias, por modos de ver.

    Rejeicao aprioristica por pesquisa nao me parece ser uma postura la muito cientifica.

    Talvez seja pertinente para voce ler isso aqui – http://constelar.com.br/constelar/144_junho10/astrologia-e-universidade1.php

    Em tempo – somos colegas no IAG, pelo visto.

    Um abraco.

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Alexei.
      Contra o método, do Feyerabend, está há um tempo na fila de livros que eu preciso ler. O ponto de vista do autor me parece ser interessante, mas não sei se sou tão a fim de suas ideias quanto parece apesar do pensamento libertário que temos em comum.
      E, infelizmente, rejeição apriorística parece ser uma das atitudes incorporadas ao pensamento científico que vem se cristalizando cada vez mais na postura de muitos pesquisadores.
      Quanto ao IAG, um dia já fiz parte do instituto. Atualmente só o frequento para visitar amigos. Moisés e Vinicius, outros autores do blog, sim, estão lá até hoje.
      Um abraço

  16. Diogo Says:

    Se o blog não se chamasse café COM ciência para mim não haveria problema. Seu discurso é nocivo à ciência. Acho tudo isso muito mau. Os ocultimos, misticismos, religiosismos e afins não devem de maneira nenhuma ter lugar na universidade. Devem ser banidos, expurgados dela. Existem e esse não é o problema, o problema é que existam na Universidade.

    Daqui a pouco você vai escrever um post aqui defendendo o criacionismo nas escolas! Dizendo que a Teoria da Evolução é “apenas uma forma de pensamento” e vai desfilar essas besteiras todas novamente! Tenha dó!

    Não leio mais seus posts.

    • Tiago Almeida Says:

      Diogo,
      toda essa irritação só por termos pontos de vista diferentes? Vejo que nós dois somos radicais, mas em vertentes diferentes: você, em defender seu ponto de vista como se fosse uma verdade que todo mundo deveria concordar; eu, por achar que todo mundo deve cultivar suas diferenças, por mais que essas diferenças possam parecer “besteiras” para os mais intolerantes. De fato, essa é a intenção de meus textos – e agradeço ao Moisés e ao Vinicius por me permitirem compartilhar de seu espaço para defender a liberdade de ideias na construção do conhecimeno científico.
      Um abraço

      • Diogo Says:

        Um cientísta defendendo a negação da razão! E ainda por cima dentro da universidade! Há pessoas, como o grandíssimo Saramago, que resistem até o fim e que não se rendem. Razão a cima de tudo!

        Para certas coisas a virtude não está no meio. Só o radicalismo é a opção correta. Um exemplo claro é o racismo – ou o nazismo – você acha que o bom é “um pouquinho de nazismo”? Eu não!

        Abaixo os obscurantismos, religiosismos e fábulas de todos os tipos! Celebremos a razão! e não a negação dela.

      • Tiago Almeida Says:

        Não, Diogo. Não sou um cientista defendendo a negação da razão. Longe desse maniqueísmo, a razão pode ser interessante assim como pode não o ser, depende do contexto. Só não gosto de ver a ciência e a razão como único e exclusivo acesso a uma suposta verdade universal, a qual não posso nem mesmo dizer que existe.

        Aliás, John Watson é um cara radicalmente racionalista.

        Um abraço

  17. Bruno L'Astorina Says:

    Oi Tiago,

    Cheguei ao seu blog através do Alexandre Bagdonas, e quis deixar um comentário só pra me contrapor a todos os outros. Eu concordo com seu ponto de vista, principalmente porque acho que, especialmente se tratando de construção de conhecimento, partir de certezas e construir preconceitos sobre essas certezas é uma maneira bem ruim de começar.

    A maioria dos argumentos acima parece pressupor que (i) a Ciência é verdadeira, ou de algum modo mais válida que suas “concorrentes” (o que é naturalmente contra o espírito do que está sendo discutido); ou (ii) a Universidade é o lugar, por excelência, da ciência. Esse segundo ponto é mais “discutível”, mas eu argumentaria que a Universidade deve ser um palco amplo para construção de conhecimento, onde todas as escolas de pensamento que quiserem podem ali estar, podendo debater com todas as outras. Ademais, se formos levar a sério essa idéia de universidade como local da ciência, devemos então fechar todos os departamentos de filosofia e de artes.

    Quanto ao problema das verbas, os argumentos levantados são, francamente, ridículos. São da mesma classe de argumentos que defendem reserva de mercado para certas classes profissionais. Ora, deixe que todos disputam pelas bolsas disponíveis! Se as pesquisas em astrologia forem realmente tão ruins e inconsistentes como apontam aqui seus detratores, elas não ganharão bolsa alguma. Por outro lado, se forem boas (melhores que várias pesquisas científicas propostas, por exemplo) então é perfeitamente justo que fiquem com o dinheiro.

    Saudações,
    Bruno

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Bruno.
      Você captou bem meu ponto de vista e o resumiu com mais eficiência do que eu.
      Talvez se eu tivesse utilizado um objeto diferente da astrologia para atacar a ciência atual e defender o financiamento de ciências alternativas, mais pessoas teriam concordado comigo. Mas astrologia é ainda alvo de muitos preconceitos e isso atrapalha meus argumentos.
      Um abraço

  18. Gerson Pelafsky Says:

    Quanta ignorãncia! a astrologia fomentou o desenvolvimento de inúmeros conhecimentos de que dispomos hoje.A matemática ganhou impulso graças aos astrólogos árabes, por exemplo. A meteorologia andava par a par com a astrologia na época das navegações.Estudem história da ciência antes de exprimirem estes comentários…
    Gerson Pelafsky

  19. sobre astrologia? Says:

    […] A seriedade da pesquisa em Astrologia « Café com Ciência […]

  20. Esotérico é a vovozinha Says:

    Olá Tiago,

    Você disse: “acho perigoso tomar o atual paradigma de desenvolvimento como um projeto em função do qual toda a humanidade deva ser colocada”. Perfeito. Este é o ponto. E é contra essa visão anti-etnocêntrica, já defendida no passado por gente do calibre de um Arnold Toynbee, que se insurgem quase todos os críticos do artigos.

    Já o fundamentalista Diogo escreveu, no melhor estilo xiíta (ou seria taleban?):

    “Os ocultimos, misticismos, religiosismos e afins não devem de maneira nenhuma ter lugar na universidade. Devem ser banidos, expurgados dela. Existem e esse não é o problema, o problema é que existam na Universidade.” E mais adiante: “Abaixo os obscurantismos, religiosismos e fábulas de todos os tipos! Celebremos a razão! e não a negação dela.”

    Ok, vamos por partes. O post é sobre pesquisa em Astrologia. Não vi em parte alguma do texto – nem costumo ver na melhor literatura sobre astrologia, qualquer vínculo entre esta área de conhecimento e práticas ocultistas, místicas ou religiosas. Alguns – repito, alguns – astrólogos são realmente dados a ocultismos e obscurantismos, mas até aí nada que comprometa o saber astrológico como um todo: alguns astrofísicos podem ser profundamente religiosos e místicos, e isso não compromete em nada a integridade do conhecimento científico que eles praticam. O que Diogo faz é utilizar o velho e surrado artifício de destacar o comportamento folclórico de parte de uma comunidade para desqualificar o saber da comunidade inteira.

    A verdade é que desinformados como o Diogo e muitos dos que andaram comentando por aqui jamais leram um livro de Astrologia, jamais caíram de cabeça numa das várias dissertações de mestrado existentes sobre o tema, jamais foram a um congresso sobre esse saber. Confundem a produção de conhecimento astrológico (que nunca aparece na mídia porque não é nem um pouco palatável para o senso comum) com a subliteratura para consumo popular que mistura astrologia simplificada com picaretagens esotéricas de toda ordem.

    Cultivar essa confusão conceitual é confortável para os detratores da astrologia, já que exime-os de argumentar com base numa crítica consistente da produção intelectual existente: num passe de mágica, toda essa produção é desqualificada numa tacada só.

    Daí a tresloucada conclusão do Diogo, digna da cabeça perversa de um Goebbels, teórico da propaganda nazista: “[Astrólogos] devem ser banidos, expurgados dela [da Universidade]. Existem e esse não é o problema, o problema é que existam na Universidade.”

    Uma argumentação que, no passado, justificou projetos como a “solução final” contra os judeus e ciganos, lembra? E também foi usada contra os bósnios muçulmanos nos anos 90. A justificativa é sempre a mesma: preservar alguma coisa – cultura, lugar ou instituição – contra esse bando de “impuros” que ousa estar onde não deveria.

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Esotérico é a vovozinha,

      Obrigado pelo comentário. Gostei de seus argumentos e concordo com todos eles.

      De onde eu venho, “preservar alguma coisa” em detrimento de outras, como por exemplo eliminar culturas, pode muito bem ser considerado fascismo. Esse é um rótulo que costuma doer nas pessoas, embora seja mais comum do que deveria ser.

      Abraços

  21. David Says:

    Olá Tiago.

    Sou leitor novo do site e achei este post bem interessante. No entanto tenho algumas ressalvas:

    “O método científico é só uma hipótese, por mais sofisticada e eficiente que o seja.” Levantar hipóteses para tentar explicar um fenômeno é o método, então como o próprio método pode ser uma hipótese?

    “Pesquisas sobre esse tipo de conhecimento podem não ser interessantes para um cientista ordinário (…).” Não ficou claro para mim exatamente o que você apresenta no parágrafo em que tirei essa citação. Imagino que você tenha tentado justificar a pesquisa nas áreas de astrologia e ufologia porque representam uma “visão de mundo”, mas esse tipo de pesquisa poderia ser negada por não “ser interessante para um cientista ordinário”.

    Pesquisas nas áreas de letras, sociologia e relações internacionais também não tendem a ser interessantes para um cientista ordinário e não se constituem necessariamente numa “visão de mundo”, mas nem por isso existe uma celeuma sobre a existencia delas numa Universidade. Por que isso? Não seria porque o critério adotado tende a ser outro em relação ao que você usou aqui? Ao invés do critério ser o que gera conhecimento interessante para o cientista ordinário (o que faria com que tudo uma Universidade girasse em torno das ciências empíricas, um evidente absurdo), não seria o de que cada área do conhecimento evidentemente deve ter um objeto de pesquisa? Isso justifica não só a presença da teologia e da filosofia na universidade, a despeito dos xiliques de alguns, como também justificaria outrás áreas como ufologia, parapsicologia, astrologia, alquimia, etc. Nota: óbvio que um método adequado também é necessário, mas se o que caracteriza uma área do conhecimento é seu objeto de estudo, podemos deixar o método de lado por um momento.

    Estando eu correto, restaria somente indicar qual é o objeto passível de estudo dessas “ciências”? Aqui o caldo engrossa porque não vejo em lugar algum qualquer indicação disso. No link apresentado aqui nas discussões sobre grupo de astrólogos, fica claro que eles buscam uma sustentação histórica para pesquisa astrológica. Em outros sites visitados nem isso consegui achar e a conclusão que chego já é óbvia: se num determinado momento histórico tais “ciências” tiverem seu objeto bem delimitado, isso se perdeu com o tempo. Da mesma forma que as pesquisas na alquimia geraram a química e esta deu proseguimento com as pesquisas daquela, a astrologia também perdeu seu objeto para alguma filha nascida dela (psicologia, cosmologia, etc., façam suas apostas). Diante disso, não tem porquê abrir um centro de pesquisas dessas ciências que fuja da “história das ciências”. Antes que eu me esqueça, nos casos da parapsicologia e da ufologia, podem ser alegados existir seus respectivos objetos (fenômenos paranormais e contatos com formas de vida alienígena, respectivamente), mas resta apresentar evidências de que seus objetos vão além da imaginação dos interessados.

    Com uma tacada só você consegue dar um motivo plausível para pesquisas em áreas não-científicas, como também demonstra uma limitação ao cientificismo. Se cada área possui seu próprio objeto de estudo, o método deverá se adequar a ele, não podendo existir um método universal que abranja uma pesquisa cosmológica e teológica. Se a física pós-einsteniana apresenta seus resultados a partir de seu método, a hermenêutica bíblica faz o mesmo a partir de seu método. Aqui está o relativismo de Feyerabend.

  22. Tiago Almeida Says:

    Olá, David. Obrigado por ler nosso blog.

    “Levantar hipóteses para tentar explicar um fenômeno é o método, então como o próprio método pode ser uma hipótese?”. Supõe-se que o método científico funcione, mesmo ele sendo incapaz de nos garantir prever qualquer fenômeno imaginável.

    “Não ficou claro para mim exatamente o que você apresenta no parágrafo em que tirei essa citação”. De fato, esse parágrafo ficou muito mal escrito. Minha intenção era defender a produção de conhecimento metafísico e dar a ele valor comparável ao do científico – embora hoje eu seja cético quanto a necessidade de equiparar esses dois conhecimentos.

    “(…) não seria [mais adequado] o [critério] de que cada área do conhecimento evidentemente deve ter um objeto de pesquisa?” Sim! Minha defesa da seriedade de pesquisa de conhecimento tido como metafísico foi justamente nesse sentido.

    “Estando eu correto, restaria somente indicar qual é o objeto passível de estudo dessas “ciências”?” Aí você entra em detalhes que eu sou incapaz de esclarecer. Minha proposta era de discutir de forma bem superficial, sem precisar me aprofundar em tornar específico esse objeto. Essa questão de fato é muito pertinente, mas não acredito que pesquisas nessas áreas devam ser desprezadas antes desse debate sobre seus objetos de estudo – o que a priori parece ser um critério razoável para caracterizar um saber como metafísico ou ciência, muito mais do que o senso comum usado para atacar tais saberes.

    Meu contato com a obra de Feyerabend é superficial, mas foi o bastante para dizer que tenho alguma afinidade com suas ideias.

    Um abraço

  23. Februus Says:

    Olá Tiago.

    O problema que você aponta vai além da própria ciência; segundo Hume, nada nos garante que o futuro repetirá o passado, embora nem por isso devemos deixar de acreditar nisso. O problema da indução não foi resolvido, mas não conheço maneira melhor que essa de fazer raciocínios baseados na experiência. Nossa outra opção seria basear nossos sistemas físicos em outros metafísicos que não podem ser testados pela ciência, o que cairia em contradição com os pressupostos científicos.

    Entendi seu ponto de vista, mas não acho possível equiparar o conhecimento científico com o metafísico. Cada um segue pressupostos e obtém resultados próprios, não há uma base comum que sirva de parâmetro para compará-los. Só achei estranho você considerar a astrologia como metafísico. Passando para terrenos completamente desconhecidos por mim, não estaria a astrologia muito mais próxima da física do que da metafísica? Ela não está diretamente relacionada com determinadas posições dos astros e suas implicações nas personalidades? Não vejo metafísica aqui, gostaria de saber sua opinião a respeito disso.

    Um abraço!

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Februus.

      Também me agrada o método científico enquanto visão de mundo, apesar de suas limitações. Não defendo substituir ciência por pseudociência, mas sim, sabendo que a ciência possui certas limitações, garantir espaço para que se produza formas de conhecimento diferentes; se serão melhores ou piores do que a ciência, isso se deve julgar em uma fase posterior. Ciência e pseudociência constituem domínios de saber diferentes, não nego que astrologia e astronomia são, digamos assim, de natureza diferentes. Mas subjulgar astrologia ou outras formas de conhecimento, mesmo sendo pseudocientíficas, compromete e pode empobrecer a cultura humana. Feyerabend defende que esse empobrecimento cultural pode limitar o próprio progresso da ciência. Eu não iria tão longe, não me preocuparia com esse progresso. Minha preocupação vai no sentido de que as pessoas são complexas demais para se expressarem apenas por meio da ciência; respeito a necessidade de quem precisa de qualquer conhecimento para se expressar, seja por meio de saberes pautados nos métodos cartesianos ou não. As diferentes singularidades que cada sujeito podem oferecer ao mudo devem ser garantidas, é nisso que me fundamento ao defender a astrologia, mesmo não acreditando nela.

      Não me parece razoável equiparar conhecimento científico ao metafísico nem mesmo ao pseudocientífico, concordo com seus argumentos. E, de fato, acho que astrologia está muito mais próxima da física do que da metafísica. Fiz uma confusão entre os conceitos de pseudociência e metafísica – coisas de leigo que se mete a usar um jargão ao qual não está familiarizado…

      Obrigado pelo comentário. Um abraço

  24. Sergio Ronei Says:

    Tiago,

    Muito legal a idéia central do seu post, porém não é fácil quebrar um paradigma e preconceito da sociedade tão antigo às ciências ‘esotéricas’.

    Falo esotéricas não me referindo a elas como tais, pois astrologia tem seus pontos científicos que considero ‘de ponta!’.

    Antes mesmo de algumas religiões, a astrologia já era estudada pelos egípcios, que inventavam suas lendas e seus mitos baseadas no ciclo do sol e da lua… o que acabou dando início à mitologia egípcia.

    Se ainda não asssitiu, gostaria de sugerir que assista a primeira parte do filme Zeitgeist: http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024# (legendado).

    Se você crêr na biblia não se choque quando eles se referem a ela como sendo “nada mais do que um híbrido literário >>> astro-teológico <<< [da ênfase na compreensão deste astro-teológico]".

    Do ponto de vista geral sobre o seu post agora colocando a minha opinão àcerca do conteúdo central sem ficar enrrolando: Acredito sim que o governo deva apoiar determinados tipos de pesquisa científica… é dificil fazer coscins sem nenhum discernimento entender qual a maxi-prioridade a ser compreendida pelo ser humano no momento. Me refiro ao estudo da Consciência. O que realmente há de cientifico em nós mesmos! Temos capacidade de fazer ciencia com nossa própria consciência. Somos microuniversos consciênciais diferentes, e cada um pode ser aperfeiçoado através da autopesquisa, autoconhecimento, discernimento, entendimento sobre mobilizações energéticas, multidimensionalidade e muito mais.

    Através da projeciologia (área estudada dentro da conscienciologia) podemos chegar a conhecer outros planetas indo até eles. Para se fazer isto é necessário lucidez, domínio energético… me refiro a famosa 'viagem astral interplanetária'.

    Se não compreendeu os termos utilizados acima, recomendo que pesquise-os na internet e também acesse o site http://www.consciencialucida.com.br e assista aos videos de conscienciologia e projeciologia.

    Se o que você vir não lhe agradar, esqueça que os viu.

    OBS: não acredite em nada do que eu disse aqui… falo de acordo com minhas experiências pessoais. tenha suas próprias experiencias e tire as suas conclusões, não concorde com as minhas sem discernimento.

    Grande abraço, e parabéns pelas suas defesas (respostas) ao longo do post… tens um potencial intelectivo e defende seu ponto de vista muito bem!

    • Tiago Almeida Says:

      Olá, Sergio.

      Eu hoje estou convencido que Astrologia não seja ciência. Embora possa trazer alguns elementos em seu desenvolvimento, chamá-la de ciência é forçar demais a barra.

      Isso não faz da Astrologia um conhecimento melhor nem pior do que Astronomia ou ciências em geral, pelo menos a princípio. Não quero entrar nesse mérito de comparar conhecimentos, dizer qual o melhor ou pior. Acho que Astrologia deve ser objeto de pesquisa e se construir pautando-se em algum método, seja científico ou de qualquer outro caráter, e que talvez não seja tão problema isso ocorrer nas universidades, em respeito à produção de conhecimento e do enriquecimento e diversificação da cultura humana.

      Abraços

  25. Bancos de dados sobre fenômenos sociais « Café com Ciência Says:

    […] Depois de alguns posts antigos e polêmicos (embora haja assuntos mais polêmicos do que aqueles), volto a falar aqui sobre […]

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