Archive for junho \28\UTC 2010

Sons do Sol

junho 28, 2010

Astrônomos da Universidade de Sheffield (Reino Unido) realizaram uma gravação do que seriam os harmônicos musicais produzidos pelo campo magnético da fotosfera solar. Dica do blog de Astronomia do astroPt.

Eles perceberam que os arcos magnéticos, que podem ser vistos na superfície solar, comportam-se como cordas vibrantes de um instrumento musical. A partir disso, obtiveram o que seria percebido caso estas cordas vibrantes hipotéticas estivessem aqui, na superfície terrestre. Ou seja, obtiveram as ondas sonoras emitidas por este instrumento hipotético.

Os dois vídeos, acima e abaixo, ilustram o que poderíamos ouvir, caso o espaço interplanetário não fosse puro vácuo, e se comportasse como nossa atmosfera.

O professor Robertus von Fáy-Siebenbürgen, chefe da equipe, argumentou que: “É estranhamente lindo e excitante ouvir estes ruídos pela primeira vez sabendo que são originários de uma fonte tão enorme e potente. Isto é um tipo de música já que tem harmônicos, e estes novos dados nos proverá meios alternativos de conhecer o sol, além de nos dar novas dicas sobre a Física que acontece nas camadas solares mais externas, onde as temperaturas podem alcançar alguns milhões de graus Celsius.”

Curtam o Som!

Pesquisa Pós-Graduação – Resultados (parte 1)

junho 23, 2010

Para aqueles que notaram alguma lentidão nos serviços do google nos últimos dias, peço desculpas.  Foram tantos acessos ao formulário que os servidores do referido sítio ficaram sobrecarregados. E não é para menos: dos 21 bilhões de leitores do blog, uma fração considerável de 0,0000001% preencheu o formulário. Fazendo a famigerada regra de três temos que o conjunto universo contem um embasbacante número:  21 milhões de pessoas. Achei melhor dividir os resultados em 2 posts, para não ficar muito mais chato de ler.

(De fato, uma pesquisa enviesada como esta não pode dizer muita coisa sobre a pós-graduação em geral. É quase a mesma coisa que dizer que o resultado de  uma pesquisa eleitoral feita dentro da Daslu às 14h de uma terça-feira representa a opinião de todo o município de São Paulo – se bem que existem pessoas – e institutos de pesquisa! – que acham que isso é verdade… MAS… vamos aos resultados.)

———————————————————————————————-

———————————————————————————————-

Área:

  • Exatas: 76%
  • Biológicas/Saúde: 14%
  • Humanas: 10%

Será que o blog precisa de um apelo mais “humano”? (péssima piada)

Tipo de Instituição:

  • Pública: 90%
  • Privada: 10%

Nesse ponto não existe nenhuma anormalidade (eu acho). Nos 10% em instituições privadas (2 pessoas) 1 é da área de bio e outra de exatas.

Conceito

  • CAPES:
  1. 7: 62%
  2. 6: 14%
  3. 5: 10%
  4. 4: 0%
  5. 3: 5%
  • Pessoal:
  1. 7: 10%
  2. 6: 24%
  3. 5: 48%
  4. 4: 10%
  5. 3: 10%

Aqui é interessante ressaltar o deslocamento do conceito atribuído pela CAPES e do atribuído pelos alunos. “Aparentemente” o conceito não reflete a opinião dos alunos (hahaha). 62% dos programas tem nota 7 segundo a CAPES, e apenas 10% dos alunos deram nota 7. Outro ponto é  que o conceito pessoal dos alunos das instituições privadas foram consistentes com os da CAPES. Já para as públicas, a maioria não concorda (todos mais baixos, é claro).

Na minha opinião, algumas vezes o programa se preocupa muito em manter o conceito CAPES (que, dependendo da nota, está atrelado a maiores auxílios para equipamento, participação em reuniões no exterior…) e deixa a peteca cair em outros aspectos. Muitas vezes o conceito A que o aluno recebe na disciplina não reflete necessariamente a qualidade do curso, e sim um interesse em colocar que “a maioria dos alunos tiveram conceito A – olha como nosso programa é bom!” no relatório da CAPES.

Mestrado:

A maioria (72%) com bolsa, sendo que as bolsas estão quase igualmente distribuídas entre FAP’s, CNPq e CAPES (90% destas recebidas durante 24 meses). Já para o tempo de titulação, 60% terminaram em até 24 meses, 30% em até 30 meses (todos da área de exatas) e 5% em até 36 meses. Os 5% restantes (1 pessoa) fez em mais de 36 meses (sem bolsa por todo o período). Não existe nenhuma tendência do tempo de titulação com a agência financiadora. Existe uma discussão (pelo menos aqui no IAG) sobre essa pressão de terminar um mestrado em 24 meses custe o que custar. Isso as vezes prejudica o aluno, que tem exame de proficiência, disciplinas, atividades de monitoria e relatórios semestrais para entregar. Mas, novamente entra um pouco aquela pressão de manter a vitrine do programa sempre bem apresentada.

Doutorado:

No caso do doutorado a situação muda um pouco: as FAP’s representam quase 80% das bolsas concedidas, deixando os outros ~20% para o CNPq. Nesse caso, as duas bolsas possuem reserva técnica, mas eu poderia ter perguntado como o pessoal dos programas sem PROEX e PROAP (em poucas palavras: dinheiro para participação de estudantes em congressos e etc.) se vira para pagar viagens para congressos e estágios quando a reserva acaba. Ainda na questão das bolsas, 30% fizeram o doutorado sem auxílio, 20% com 36 meses de bolsa (todos de FAP’s) e 50% com 48 meses de bolsa.

Do pessoal que recebeu 36 meses, metade terminou de fato em 36 meses e a outra metade em 48 meses. Isso é um problema, porque essas pessoas, além da pressão (do programa, do orientador…) de terminar logo a tese, ainda tem que se virar durante 1 ano para pagar as contas sem bolsa. Para o pessoal que recebeu 48 meses, 80% terminou a tese junto com a bolsa, e 20% ficaram até 60 meses.

Doutorado Direto:

Infelizmente nessa parte não tem muito para escrever, já que só 2 pessoas responderam: uma delas recebeu bolsa do CNPq por 60 meses e terminou a tese no mesmo período e outra fez em 48 meses sem bolsa.

Comentários/Sugestões:

Sem dúvida a parte mais estimulante da pesquisa. Dois comentários foram feitos:

  • “Instituição de mestrado: Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.”
  • “Pudim, vc é gay.”

———————————————————————————————-

———————————————————————————————-

Na parte 2 dos resultados eu comento sobre as auto avaliações, avaliações dos orientadores e preparação pedagógica. Obrigado aos que responderam!

Antes de terminar gostaria de compartilhar uma dúvida com essa questão de precisar de mais tempo para terminar a pós-graduação sem receber bolsa. Qual será o principal fator que influencia na extensão do prazo? Falta de interação com o orientador? Procrastinação em excesso? Projeto de pesquisa mal dimensionado? Muitas atividades (exigidas pelo programa) além da tese? Bom, pelo menos aqui no IAG o exame de qualificação toma muito tempo. Será que essa pressão para terminar um doutorado entre 36 e 48 meses gera trabalhos de qualidade? Comentários são muito bem-vindos!

Forma diferente de se extrair os dentes!

junho 21, 2010

Uma forma mais divertida, e não tão segura, de se arrancar o dente de uma criança!

No vídeo acima, um pai nerd (se bem que mais parece coisa de tio…) achou uma forma diferente de extrair o dente do filhão (ou sobrinho, vai saber).

Os diálogos não importam muito, mas começam com o adulto perguntando ao garoto o que ele vai fazer. O garoto, meio que sorrindo, responde que vai disparar o foguete, cujos controles estão em suas mãos. Logo após o adulto, já rindo bastante, fala do foguete que vai levar junto o dente-mole do garoto. Não tem muita conversa, mas é divertido.

Algum tempo depois, eles acham o dente arrancado. Só não fizeram:

“Morão, Morão! Toma teu dente podre e me dá o meu são!!!”

Será que a mãe do garoto fazia alguma ideia dos planos maquiavélicos do pai da criança?
E viva a era espacial! Hehehe

A Maior Flor do Mundo

junho 18, 2010

Não sou um especialista no autor (longe disse, infelizmente) mas já li, pelo menos, uma de suas obras “O Homem Duplicado“, que o Vinícius (que tem uma coleção de obras de Saramago) me emprestou algum tempo atrás.

De qualquer forma, fica aqui uma singela homenagem ao, até agora, único escritor em língua portuguesa a ser laureado com um Nobel de Literatura.

Mas não só de doces palavras se faz um grande escritor, sinceridade e personalidade também são necessárias. No vídeo abaixo, Saramago nos presenteia com um pouco de sua visão de mundo.

Galileu e sua culpa no aquecimento climático!

junho 15, 2010
Ainda hoje o julgamento não acabou!

Ainda hoje o julgamento não acabou!

Depois de passados quase 400 anos de sua morte, Galileu ainda remexe em seu túmulo devido a mais uma acusação contra sua pessoa.

Nada mais nada menos que o príncipe de Gales, o príncipe Charles, acusa-o de ser responsável pelo estado doentio em que a Terra se encontra hoje.

Tudo bem que após divulgar o nome do denunciante, muita gente deve ter sentido um certo alívio. Até porque, o quê podemos esperar de alguém que só viaja, joga pólo, dança samba em países exóticos e não sérios? De um lado não poderíamos esperar algo muito profundo e desafiador, por outro lado, ele é uma personalidade conhecida ao redor do globo, e que pode sim formar opinião.

A abobrinha que ele soltou foi em um discurso proferido em Oxford no dia 09 de junho de 2010. No discurso, ele critica o materialismo e o consumismo da sociedade atual (até aí, tudo bem), mas afirma que essa característica da humanidade remonta desde os tempos de Galileu com seu determinismo científico.

Segundo sua alteza, Galileu reduziu a natureza em quantidade e movimento. E só! Diminuindo sua essência. Ele descreve o ponto de vista científico do mundo atual como uma afronta às tradições sagradas. A natureza deixou de ser “She” para ser “it” (em inglês, “ela” usado para mulheres e “ele/ela” usado para coisas e animais).

Na verdade, vejo esse tipo de equívoco em toda parte. Na universidade onde estou atualmente (USP) há uma pixação, que por si só já é lastimável pela violência com que o(a) tal sujeito(a) resolve manifestar sua opinião, em que está escrito algo como: “Abaixo a ciência burguesa que destrói a natureza”, ou alguma outra frase com um raciocínio (se é que há um) bastante similar.

Esses equívocos provam que a ignorância não é um fenômeno da dita base social e nem de caráter puramente nacional, realezas sofrem deste mal.

O problema é culpar o outro. Fulano é o responsável pelo aquecimento. Sicrano, que é burguês (não entendo onde essa ideia entra, mas tudo bem), quer destruir os recursos naturais…

O pichador, ou sua alteza, não percebem que é ao saírem do supermercado cheios de sacolas plásticas que estão ajudando a acabar com o equilíbrio da natureza. Que é o jatinho da alteza, ou o carro do manezão, que polui a atmosfera com gases tóxicos, contribuindo para o aquecimento global. Que é a tinta do spray que utilizou na pixação (que não duvido contenha CFC), e que passou por todo um processo de manufaturação, que ajudou a contaminar o ambiente.

A ciência é uma ferramenta cujos resultados podem ser utilizados para o bem ou para o mal. Interessante que é a mesma ciência tão criticada quem aponta a existência do aquecimento climático. É da ciência que esperamos encontrar as alternativas em energias renováveis, por exemplo, para um melhor usufruto da natureza. São dos resultados científicos, portanto, que devemos melhorar NOSSOS hábitos com relação ao planeta. E daí parar de acusar terceiros que, diga-se de passagem, é bem mais fácil que tomar atitudes.

Culpar os outros é coisa de frouxo (ignorante), e tenho dito!

Ainda é possível acordar o sujeito pra realidade?

Ainda é possível acordar o sujeito pra realidade?

A Criação do Sol, da Lua e dos Planetas

junho 13, 2010
Criação do Sol, da Lua de dos Planetas

Criação do Sol, da Lua de dos Planetas

Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564) foi um dos maiores pintores do Renascimento. Na verdade, sua biografia nos diz que além de pintor, ele foi escultor, poeta e arquiteto. Sem dúvida nenhuma, foi um dos maiores gênios que a humanidade já revelou. Ele é mais conhecido pelas pinturas que realizou na Capela Sistina, principalmente a parte do Juízo Final.

Aqui apresento, logo acima, uma de suas obras nem tão conhecidas assim: “A Criação do Sol, da Lua e dos Planetas”.

Nesta pintura acima, que também é um dos afrescos que estão no teto da Capela Sistina, vemos duas situações distintas. A primeira, à direita, trata do momento da criação do Sol (esfera alaranjada) e da Lua (esfera cinza) por Deus. A segunda situação, à esquerda, trata da criação das árvores e plantas.

A parte das plantas está à esquerda da criação do Sol e da Lua porque, segundo os relatos bíblicos, o Sol e a Lua foram criados no quarto dia, enquanto que as plantas foram criadas no terceiro dia, um dia antes portanto.

Notem que, no momento em que Deus trabalhava na criação das plantas e segundo a visão artística de Michelangelo, houve um pequeno descuido da parte do criador que acabou mostrando mais do que devia.

Segundo o livro de Êxodo (capítulo 33, versículo 20), Deus disse à Moisés (ainda lembro bem!): “Não podes ver a minha face, porque homem algum pode ver-me e continuar vivo”. Bom, a face pode ser…

Pesquisa – Pós Graduação

junho 5, 2010

Outro dia entrei de gaiato em uma discussão sobre avaliação de disciplinas na pós-graduação, ensino e qualidade dos trabalhos apresentados pelos alunos. Então resolvi fazer uma pesquisa bem simples com os leitores do blog que se encontram na (ou já passaram pela) pós-graduação. É bem rápido de responder, não precisa se identificar e no final ainda pode deixar um comentário/sugestão/xingamento para o autor.

Eu tentei colocar o formulário no post mas aparentemente o wordpress não gosta da tag <iframe>. Para não perder muito tempo com isso, clique aqui para ir ao formulário. Alguns esclarecimentos:

  • Caso tenha feito doutorado direto, apenas coloque “não se aplica” nos campos referentes ao mestrado e doutorado.
  • Tempo de titulação refere-se ao número de meses em que você esteve regularmente matriculado no programa de mestrado, doutorado e etc.
  • Tempo de bolsa refere-se ao número de meses recebendo auxílio. Quero ver a fração do tempo, em média, que os alunos acabam pesquisando sem bolsa.
  • A parte relacionada à preparação pedagógica pode parecer meio confusa, mas depois explico melhor.

Vou deixar o formulário um tempo no ar e depois (caso alguém responda) eu publico os resultados. Obrigado!

A seriedade da pesquisa em Astrologia

junho 1, 2010

A Folha.com publicou uma reportagem sobre um departamento da Universidade de Brasília que dá o que falar no meio acadêmico: é o Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais, que tem como objetos de estudo ufologia, astrologia e conscienciologia. Alguns acreditam que há problemas em financiar com verbas públicas um grupo de estudos como esse, pois o dinheiro para ciência não deve ser dividido com esse tipo de conhecimento. É raro encontrar algo dentro dos limites da universalidade da cultura humana que possa ser mais arrogante do que esse tipo de pensamento sectário e preconceituoso.

(Esse texto reflete minha opinião e não necessariamente a dos outros dois autores deste blog.)

Há uma expectativa sobre a ciência atual, respaldada tanto por uma mentalidade cientificista quanto por uma suposta necessidade desenvolvimentista, que dá ao conhecimento científico status de verdade ontológica. Tal expectativa só se concretiza no contexto no qual nossa civilização se insere temporal e espacialmente. Tudo bem que a universidade foi pensada sobre ideais iluministas, racionalistas, positivistas e todo o mais – o que sustenta nossa crença cega em uma causalidade cartesiana, mas daí para dizer que a universidade não pode financiar astrologia é preciso um salto considerável.

Astrologia e ufologia, assim como as ciências, são formas de se representar o mundo. Expressam visões de mundo, nada além disso.  Pesquisas sobre esse tipo de conhecimento podem não ser interessantes para um cientista ordinário, ainda assim não são menos razoáveis para algumas pessoas, como aquelas com quem convivemos em nosso dia-a-dia. Essa justificativa deveria ser suficiente para aceitarmos a produção de conhecimento (não-científico) nesses campos de estudo. No entanto, o status de verdade das ciências parece ser inabalável e intocável.

Tanto astrologia quanto as ciências são embasadas em hipóteses. Embora algumas hipóteses sejam mais fortes do que outras, isso ainda não faz das ciências representações que excluam a validade das não-ciências em um certo domínio de vivência. O método científico é só uma hipótese, por mais sofisticada e eficiente que o seja. A Física explica muita coisa e por isso é genial. Experiência e observação são sim muito úteis e funcionam muito bem para o desenvolvimento do conhecimento científico. Mas não são verdades em si. Por mais fantásticos e fascinantes que sejam seus resultados, ainda são apenas hipóteses fortes.

A rigor, não faz sentido financiar uma ciência que estude o universo distante – do tipo a astronômica – só porque as teorias físicas funcionam aqui no nosso mundo. Ou não é questão de fé o fato de as leis físicas serem as mesmas em todo o universo?

Estudar teologia e astrologia na universidade é tão interessante quanto estudar filosofia. Se estudadas na universidade, a função da teologia e da astrologia não deve ser a de formar profissionais para o mercado, mas sim fazer pesquisa que ajude a construir esses saberes. Um teólogo pesquisador pode ser diferente de um padre ou bispo, assim como o João Bidu não deve morrer de amores pela pesquisa. Então qual o problema em pesquisar teologia e astrologia?

A universidade não pode ser meramente utilitarista, financiando uma fatia do conhecimento que pode ser produzido e desenvolvido pela sociedade contemporânea. Nesse sentido, astrologia e paranormalidade devem ter tanto espaço no financiamento de pesquisa básica quanto qualquer ciência. Não basta conhecimento científico para satisfazer os anseios das pessoas em toda sua diversidade. Há humanidades incapazes de serem expressas por qualquer linguagem, nem mesmo a científica. Vetar financiamento à astrologia, ufologia, teologia ou qualquer que seja a área de conhecimento é mutilar uma parte importante da cultura construída ao longo de nossa história.