Archive for dezembro \21\UTC 2009

Papai Noel Velho Batuta

dezembro 21, 2009

Semana passada eu estava pensando em escrever uma analogia sobre a fantástica jornada do Papai Noel na véspera de Natal. Como será que o bom velhinho consegue? Bom, o fato é que fui pego pelo vírus da preguiça natalina, que ataca sempre na semana antes do Natal e faz com que as pessoas entrem em um estado de procrastinação que dura até a primeira semana de janeiro (exceto quando existir algum referee chato que trabalhe nesse período).

Foi publicado, no dia 18, um post no blog da Scientific American sobre um livro de Gregory Mone que tenta desvendar o mistério do barbudinho vestido de vermelho: The Truth about Santa: Wormholes, Robots, and What Really Happens on Christmas Eve. Pelo que pude observar nos comentários, o livro mostra várias alternativas que poderiam ser utilizadas na véspera do Natal: Desde um exército de clones equipados com máquinas do tempo, passando por buracos de minhoca até o uso de técnicas militares.

Deve ser uma leitura extremamente interessante. Eu não havia considerado nem a hipótese de chegar tão longe com a analogia. Estava pensando em facilitar para o velho batuta. Algumas das minhas considerações seriam:

  • Apenas 10% da população com menos de 15 anos (quase 200.000.000 de crianças) estariam “aptas” a receber presentes (considerando fatores geográficos, religiosos e comportamentais);
  • As crianças vão dormir às 22h do dia 24 e só acordam às 7h do dia 25 (o que está beeeeem longe da verdade);
  • Papai Noel e todo o staff natalino (ajudantes, renas, anões e etc.) poderiam utilizar o espaço aéreo livremente, sem autorizações nem nada do tipo, tendo preferência frente à voos internacionais e até mesmo frente ao aerolula;
  • O papai noel poderia jogar os presentes pela chaminé, sem ter que entrar nas residências, o que nos leva a…;
  • Todas as casas teriam chaminés limpas e desenhadas de forma à acomodar todo e qualquer tipo de pacote, fazendo com que o mesmo se colocasse automaticamente embaixo da árvore ou dentro da meia (nesse caso os pacotes teriam dispositivos de reconhecimento desenvolvidos pela mamãe noel);
  • A história das chaminés ficou um pouco mais verdadeira agora que vários condomínios emergentes pela cidade possuem “varanda gourmet” com churrasqueira!;
  • Eu colocaria algumas turbinas no trenó, para substituir as renas highlander e ganhar um tempinho;
  • Faria o velhinho viajar de leste para oeste, para obter vantagens com o fuso horário.

Mais alguma sugestão?

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Obs1: O título desse post foi inspirado nessa música!

Obs2: Hoje ocorre o Solstício de Verão no hemisfério sul. Aproveitem o dia mais longo do ano!

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Campeonato Brasileiro!

dezembro 14, 2009

Após o término do Campeonato Brasileiro de futebol, resolvi brincar um pouco com os números.

Como todos sabem, a pontuação é dada da seguinte forma: os vencedores ganham três pontos, quem empatar leva um ponto, e os derrotados mantém sua pontuação de antes do jogo inalterada, ou seja zero ponto. Então, resolvi alterar um pouco as coisas e tentei aplicar uma pontuação que considerei mais justa e sem complicar demais. Ela é da seguinte forma:

1 – Os derrotados “perdem” 01 (um) ponto, se perdeu no campo tem que perder ponto!

2 – Em caso de empate, há duas situações:
(a) o brochante 0x0, onde o jogo termina como começou. Então que a pontuação permaneça como estava. Zero ponto para os dois times que empataram sem gols; e
(b) o empate com gols (1×1, 2×2, 3×3…), neste caso, 1 (um) ponto pra ambos os times acho que fica justo mesmo!

3 – Os vitoriosos. Nesta situação considerei dois tipos de vitórias:
(a) as “mixurucas”, onde os jogos terminam em 1×0 ou 2×1, e apenas estes dois casos; e
(b) as “imponentes”, que seriam os demais resultados (2×0, 3×1, 3×2, 4×3, 1000×0,…) onde o jogo “deve” ser mais animado e vale o dinheiro investido.
No primeiro caso (mixuruca), o vencedor levaria os já famosos três pontos, enquanto que no segundo caso, o vencedor teria feito por merecer “quatro” pontos. O perdedor, claro, entra no item 1 logo acima, e perde 1 ponto em qualquer das duas situações.

Para complicar um pouco mais (e fazer um pouco mais de justiça), ao fim do campeonato o time com melhor ataque ganha dois pontos extras! O de melhor defesa outros dois pontos extras! O que levou menos cartões vermelhos também teria dois pontos a mais, enquanto que o clube que tivesse levado o maior número de cartões vermelhos perderia dois pontos. Aqui considerei o fator “Fair Play” contabilizado pelo número de cartões vermelhos.

Seguindo essa minha pontuação, os times se preocupariam em atacar mais para conseguir os dois pontos extras ao fim do campeonato, e teriam que se preocupar mais com as defesas também por outros dois pontos. Além disso, violência seria algo completamente idiota (na verdade, já é mesmo) pois ao fim do campeonato, o time dos briguentos perderia dois importantes pontos.

Após pegar a tabela completa do campeonato brasileiro de 2009, que acabou a uma semana atrás, e atribuir esta nova pontuação eis a tabela que surge:

Campeão.

Tabela onde usei meus critérios de pontuação. Compare as posições com a CBF (última coluna). Clique sobre a tabela para uma melhor visualização.

Na tabela, V significa vitórias, GP significa Gols Pró, GC indica os Gols Contra e SG llista o Saldo de Gols. Casa, Fora e Total são os pontos conquistados em casa, fora (visitante) e a soma, respectivamente. Toda a pontuação foi considerada, inclusive a pontuação final para os clubes com melhor ataque, melhor defesa, e maior e menor número e cartões vermelhos.

Note como, em geral, os clubes se saem muito mal fora de casa (quarta coluna, Fora). Interessante o salto do Grêmio e as alterações na parte de baixo da tabela. O Santos teria caído e o Coritiba teria se safado da série B. Ano após ano, o campeonato seria decidido somente no fim!

Como informação: o melhor ataque do campeonato foi do Grêmio (67 gols); a melhor defesa foi a do São Paulo (42 gols sofridos); os times que levaram o menor número de cartões vermelhos foram o Avaí e o Flamento (4 cada) e o que levou mais cartões vermelhos foi o Sport Recife (para complicar ainda mais sua situação com 17 cartões).

Pobreza que vale ouro

dezembro 9, 2009

Digamos que você tenha ganho um grande prêmio de R$4.000,00 em moedas de um centavo. Você pensa: Uau, que sorte! Com tanto dinheiro assim em um país como o nosso eu consigo quase comprar a quinta parte do carro zero mais barato do mercado! Agora imagine que você encontra uma criança que acabou de achar uma moeda de um centavo. O que você diz para ela?

ResearchBlogging.org

– Nossa, eu sou quatrocentas mil vezes mais rico do que você!

Maldades à parte, esse tipo de comparação acontece muito por aí. Até no meio interestelar. A única diferença é que as estrelas estão tão distantes umas das outras que elas não tem chance de dizer o que realmente pensam sobre a riqueza das “vizinhas”.

Antes de continuar com a história propriamente dita, permitam-me que lhes apresente a famigerada tabela periódica dos astrônomos, amplamente utilizada pelos pesquisadores no dia-a-dia:

Funciona da seguinte forma: Tudo que não for hidrogênio e hélio é considerado metal! Claro que não é tão simples assim (senão eu não teria mais bolsa…). Essa distinção é feita porque, de fato, os elementos mais abundantes no Universo são o H e o He. Por essa e outras razões que o primeiro elemento mencionado na frase anterior é utilizado para medir algumas grandezas relacionadas às abundâncias de elementos químicos nas estrelas.

Bem, voltando à vaca fria, (com o intuito de resolver o pepino galáctico supracitado acerca da vontade que as estrelas possuem de comparar sua riqueza com as demais) existem muitos astrônomos que saem por aí medindo a riqueza (ou pobreza) das estrelas [1]. Para tanto, a medida padrão feita é a chamada metalicidade, ou diferença logarítmica entre a razão das abundâncias numéricas de ferro e hidrogênio na estrela em questão e no Sol. Assim:

Como a escala é comparativa com o Sol, qualquer estrela com valor de metalicidade abaixo de 0.0 (razão solar) é considerada pobre em metais. Existe também uma nomenclatura para níveis de pobreza [3], para facilitar a classificação dessas estrelas.

Em 2005, foi publicado um artigo na Nature [1] sobre a estrela mais pobre em metais já observada em nossa Galáxia. O grupo de astrônomos, liderados por Anna Frebel, fez a observação (e posterior análise espectroscópica) do objeto com o auxílio do telescópio de 3.6 m do European Southern Observatory, localizado no Chile.

A estrela HE1327-2326 possui uma metalicidade [Fe/H]=-5.4! Como a escala mostrada acima é logarítmica, esse valor indica (levando em conta os erros associados às medidas) uma quantidade de metais quase 400.000 vezes menor do que a do Sol!

Achar um objeto desses é como procurar uma agulha no palheiro (de fato, essa estrela estava em uma lista de observação composta de 1777 objetos). Para se ter uma idéia, a antiga detentora da menor metalicidade é a estrela HE0107-5240, com [Fe/H]=-5.3 [2]. São duas estrelas encontradas em um projeto que observou mais de 4.400.000 estrelas no halo da Galáxia.

Além disso, outra característica interessante dessas duas estrelas é a enorme quantidade de carbono presente em suas atmosferas (até 10.000 maior do que o valor para o Sol). Resta saber se esse carbono em excesso foi produzido pela própria estrela durante sua evolução ou se foi transferido por outra estrela em um sistema binário. Esse fato pode ser explorado pelo estudo do estágio evolutivo no qual a estrela se encontra: HE0107-5240 é uma estrela gigante; assim, o carbono provavelmente foi formado no interior da estrela e posteriormente trazido à superfície pelos chamados processos de dragagem. Já HE1327-2326 é uma estrela menos evoluída que provavelmente encontra-se nas fases iniciais de sua vida. Assim, a presença de elementos pesados na composição de sua atmosfera só pode ser explicada por algum processo de transferência de matéria por outro objeto.

De qualquer forma, com certeza esse tipo de estudo fornece pistas para desvendar os mistérios dos primórdios da Galáxia, do Universo e também das estrelas de população III.

Referências:

[1] Frebel, A., Aoki, W., Christlieb, N., Ando, H., Asplund, M., Barklem, P., Beers, T., Eriksson, K., Fechner, C., Fujimoto, M., Honda, S., Kajino, T., Minezaki, T., Nomoto, K., Norris, J., Ryan, S., Takada-Hidai, M., Tsangarides, S., & Yoshii, Y. (2005). Nucleosynthetic signatures of the first stars Nature, 434 (7035), 871-873 DOI: 10.1038/nature03455
[2] Christlieb, N. et al. 2002, Nature 419, 904-906 DOI:10.1038/nature01142
[3] Beers, T.C. & Christlieb, N. 2005, Annual Review of Astronomy & Astrophysics 43, 531 DOI:10.1146/annurev.astro.42.053102.134057

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Obs: Notaram o logo no início do texto? O C3 (Café com Ciência) agora também faz parte do projeto Research Blogging. Chique né?

Senhoras e senhores, O Campo Magnético!

dezembro 7, 2009

O vídeo acima (do pessoal do Laboratório de Ciências Espaciais da NASA) mostra alguns efeitos especiais dos campos magnéticos. Nele podemos ver arcos e linhas magnéticas. Os efeitos visuais e sonoros são editados para facilitar a compreensão do fenômeno.

Diferentemente de um ímã tradicional onde há um polo magnético sul e um outro chamado norte, alguns objetos apresentam vários desses polos. Isto pode ser verificado pela presença de arcos, pois estes são linhas que ligam dois polos opostos.

Como pode ser visto no vídeo, não é raro que que às vezes estas linhas fiquem com uma extremidade solta, e que bamboleiam enquanto procuram seu polo oposto. Quando tratamos de magnetismo, os opostos se atraem mesmo.

Além disso, muitas vezes essas linhas se tocam, e o resultado pode ser bem explosivo.

Como curiosidade, as famosas “proeminências solares” são resultado destas potentes linhas magnéticas que quando se cruzam expelem matéria pra todo lado.

Na figura logo abaixo, mostro um esquema em que vemos as linhas magnéticas do Sol e da Terra. Cada ejeção de matéria por parte do Sol seria extremamente perigosa à vida na Terra não fosse seu campo magnético.

Como pode ser visto na figura, as linhas de campo magnético da Terra servem como um escudo contra o bombardeamento solar. Interessante que algumas partículas carregadas eletricamente e oriundas do Sol podem adentrar pelos polos do campo magnético terrestre. Elas escolhem esse caminho porque ao serem barradas pelo campo terrestre, algumas, contornam as linhas de campo e são direcionadas aos polos.

Estas partículas extremamente energéticas ao interagir com nitrogênio e oxigênio, principalmente, da atmosfera terrestre causam as famosas Auroras, sendo as boreais as mais famosas.

Já na última figura, podemos ter uma ideia do tamanho da criança. A Terra fica completamente diminuta quando comparada a um simples espirro solar. Notem a forma de arco destas proeminências.

Auroras

Auroras e o campo magnético terrestre.

Sol-Terra

Comparação entre a Terra e uma proeminência solar.

Astrotour

dezembro 4, 2009

Se você foi ao google procurando a agência de turismo que te levaria para um cruzeiro especial de natal com o Roberto Carlos e achou esta página, infelizmente eu não posso te ajudar. Esse título não se refere à agência de turismo das estrelas. Mas, para não perder a viagem, você também pode ler sobre a dieta das estrelas e as últimas do horóscopo.

A foto instantânea (a.k.a. snapshot) acima foi retirada deste interessante sítio, indicado por um amigo meu, o Fabiô. É uma representação das órbitas dos planetas do Sistema Solar, com suas respectivas velocidades ao redor do Sol. Com a ajuda do mouse, é possível alterar a escala de distância da observação, velocidade dos frames (em horas, dias e etc…) e até mesmo observar a dinâmica do Sistema Solar vista à partir de Plutão (que nesse caso é considerado ainda um planeta).

É interessante notar as grandes diferenças entre os períodos de translação (uma volta completa ao redor do Sol) dos planetas. OK, aí vão os valores (com algumas comparações):

  • Mercúrio: 88 dias (mais ou menos quanto duram os créditos do meu celular pré-pago);
  • Vênus: 225 dias (tempo de gestação do chimpanzé);
  • Terra: 365 dias (período passado entre duas aparições do papai noel);
  • Marte: 687 dias (idade com que as crianças começam a dizer não para quase tudo);
  • Júpiter: 12 anos (whisky);
  • Saturno: 30 anos (em 1979 foi lançado o filme Alien);
  • Urano: 84 anos (idade da morte de Guilherme Devens, ex vice-prefeito de Aracruz – ES); ????
  • Netuno: 165 anos (quando o planeta passou pela última vez na posição que está hoje, Darwin ainda não tinha publicado seu trabalho sobre a origem das espécies);
  • Plutão: 248 anos (tempo de vida da Faber-Castell) .

Pode-se notar também que os planetas considerados telúricos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) estão mais próximos do Sol, e portanto possuem temperaturas superficiais médias bem maiores do que os planetas mais externos, chamados de jovianos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).

A Humanidade agora!

dezembro 1, 2009
O Mundo em tempo real.

O Mundo em tempo real.

Navegando por outros blogs, achei uma ótima dica de sítio. No excelente blog Biologia Interativa, dentre vários textos legais, encontrei uma indicação para o site Breathing Earth.

A ideia é essa mesma, a Terra é tratada como um ser vivo. Onde as constantes mudanças em seu organismo são as alterações causadas por nós, humanos, sobre a natureza e a sociedade humana de forma geral.

Trata-se de uma animação baseada em estatísticas sobre nascimentos, mortes e emissão de CO2 para vários países do globo. Na verdade, acho que todos os países estão incluídos.

http://www.breathingearth.net!

Vale a pena dar uma conferida no sítio, que exibe as informações em forma de animações e em tempo real. Estatisticamente falando, claro.