Archive for agosto \31\UTC 2009

Vida Fora da Terra

agosto 31, 2009
Bactéria Deinococcus radiodurans.

Bactéria Deinococcus radiodurans.

A humanidade sempre olhou para os céus em busca das mais variadas explicações. A história nos diz que estas buscas em compreender os céus iam desde à tentativa em se compreender as enchentes, as secas e as cheias de um rio, guerras, nascimento e morte de reis, etc.

Ainda hoje olhamos para os céus. Mesmo sob um ponto de vista científico, olhamos ainda em busca de explicações e de respostas para nossas perguntas mais elementares. Quando tentamos compreender o mecanismo de formação de estrelas ou do nascimento do Universo, ou quando buscamos planetas orbitando em outras estrelas que não nosso Sol, estamos dando um passo na busca de respostas para perguntas bem humanas (no sentido mais geral que essa palavra possa abranger).

De onde viemos? Para onde vamos? Estamos sós? São algumas dessas interrogações. As duas primeiras mais voltadas ao campo da Cosmologia, a terceira mais voltada ao campo da Astrobiologia. Esta última é uma ciência bem recente, enquanto que a primeira data das origens da humanidade.

Na APOD de ontem (logo acima), foi apresentada a imagem de algumas bactérias de espécie D. rad. Esta bactéria está preparada para sobreviver em uma gama de situações e ambientes extremos e, portanto, desperta curiosidade por parte dos cientistas.

Apelidada do Conan, a bactéria, a Deinococcus radiodurans (D. rad) tem demonstrado, em laboratórios terrestres, que pode sobreviver a níveis extremos de radiação, a temperaturas extenuantes, a desidratação e a exposição a substâncias tóxicas. Mais impressionante ainda é o fato de que estas bactérias podem reparar seu próprio DNA, e normalmente dentro de um período de apenas 48 horas.

Este tipo de ser vivo é conhecido como extremófilo. Eles (assim como as D. rad) são de interesse para a NASA devido às suas adaptabilidades a, praticamente, qualquer ambiente.

Recentemente, O DNA da D. rad foi mapeado e com este mapa em mãos os biólogos podem manipular o código genético de maneira a aumentar (ainda mais) as habilidades de sobrevivência destas bactérias. E isto incluiria a habilidade de produzir medicamentos, de limpar água e de liberar oxigênio, tudo para o benefício humano. Só para se ter uma ideia, elas já foram geneticamente modificadas para remover respingos tóxicos de mercúrio.

Provavelmente uma das mais antigas formas de vida ainda existentes, a D. rad foi descoberta, por acidente na década de 50, quando cientistas investigando técnicas de conservação de alimentos não conseguiram matá-la facilmente.

O que fora tido como empecilho e uma praga a se vencer na batalha pela conservação de alimentos torna-se hoje numa das esperanças para a sobrevivência humana em ambientes fora do nosso planeta.

Hiparco, Pogson e as magnitudes

agosto 29, 2009

Certas definições, quando estabelecidas, são muito difíceis de serem alteradas. O conhecimento às vezes se acumula sobre conceitos que, na sua época, poderiam parecer corretos, mas que hoje tornam-se até contra-intuitivos. Essa inércia ocorre bastante em Astronomia, e os alunos geralmente sofrem para assimilar tudo isso.

Um exemplo bastante interessante é o caso da magnitude que, por definição, fornece uma escala de brilho de um dado objeto astronômico. Hiparco, brilhante astrônomo grego que viveu entre 190 e 120 a.C. desenvolveu (entre muitas outras coisas) um sistema de classificação dos objetos no céu. Para ele, a estrela mais brilhante que conseguia ver foi chamada de estrela de primeira grandeza (ou de primeira magnitude). Da mesma forma, a estrela mais fraca que seu olho conseguia enxergar foi chamada de estrela de sexta grandeza (ou sexta magnitude).

Até aí tudo certo. Passaram-se 2 mil anos até que Norman Robert Pogson percebesse que a diferença de brilho aparente entre as estrelas de primeira e sexta magnitudes era de aproximadamente 100 vezes. A primeira vista alguém poderia dizer que uma estrela de magnitude 3 é 2 vezes menos brilhante do que uma estrela de primeira magnitude, mas não é bem assim que acontece. O nosso olho possui uma resposta logarítmica à luz. Por isso que uma diferença entre 1 e 6 magnitudes é traduzida em uma razão de 100 em brilho aparente.

Assim, a magnitude aparente (m) de um objeto é proporcional ao logarítmo do fluxo recebido pelo olho (com um sinal negativo na frente, para levar em conta a inversão de escala feita por Hiparco). O problema não antecipado por Hiparco era que, um belo dia, seríamos capazes de desenvolver equipamentos que pudessem “ver” objetos muito mais fracos do que um ser humano jamais pensaria em enxergar. Então, começaram a aparecer magnitudes negativas! Alguns valores de magnitude visual estão listados abaixo (retirados daqui):

  • Sol: m =  -26.74 (porque é a estrela que está mais próxima a nós)
  • Lua cheia: m = -13
  • Acrux: m = 1.3 (a estrela mais brilhante do Cruzeiro do Sul)
  • Urano: m = 5.6 (o limite do olho humano sem instrumentos é 6.0)
  • Plutão: m = 13.6
  • Hubble: m = 30.0 (limite de magnitude que o telescópio espacial consegue detectar)

Essa definição de magnitude aparente não leva em conta, por exemplo, a distância em que o objeto se encontra.  Com efeito, essa quantidade não fornece nenhuma informação sobre o brilho intrínseco dos objetos. A fluxo de luz que parte da estrela sofre (entre outros efeitos) uma “diluição geométrica”, diminuindo com o quadrado da distância. Além disso, a poeira presente no meio interestelar também afeta a luz vinda dos objetos. Sendo assim, estrelas muito brilhantes e muito distantes podem possuir um valor alto de magnitude aparente. Já objetos mais próximos e menos brilhantes podem ter uma magnitude menor. Para resolver o impasse, foi definida uma grandeza chamada magnitude absoluta, que fornece o brilho dos objetos em uma certa distância padrão. Nessa escala, a magnitude do Sol é 4.83.

Então agora tudo certo… Não! Para piorar um pouco a situação, as estrelas possuem cores (temperaturas) diferentes. Isso significa que cada uma emite quantidades diferentes de energia em diferentes partes do espectro eletromagnético. Assim, as magnitudes também devem ser definidas em intervalos de comprimento de onda (magnitude aparente/absoluta no visível, infra-vermelho e etc.), criando assim uma série de definições complementares. Existe ainda o conceito de magnitude bolométrica, que está associada ao fluxo emitido pelo objeto somado em todos os comprimentos de onda.

Se alguém tivesse avisado o Hiparco sobre essa confusão toda, teria ele feito algo diferente?

IAU XXVII GENERAL ASSEMBLY – Encerramento

agosto 26, 2009

Depois da chamada, abertura oficial, simpósio 262 e simpósio 265, chegou a hora (com quase duas semanas de atraso) de falar um pouco sobre o encerramento da Assembléia Geral da IAU, que ocorreu entre 3 e 14 de agosto no Rio de Janeiro. Nada mais justo do que começar este pequeno relato (cheio de figuras) com o cartaz oficial do Ano Internacional da Astronomia. Todas as imagens deste post foram retiradas do site oficial da IAU. Aliás, para quem quiser uma outra fonte de textos muito legais e bem escritos sobre a assembléia geral da IAU vale a pena conferir o blog do Prof. Cássio Barbosa. Ele escreveu uma série de posts com informações diretamente da sala de imprensa do evento!

Na minha modesta opinião de marinheiro de primeira viagem nesse tipo de assembléia, o resultado foi muito positivo. Apesar de alguns pequenos descuidos da organização nos primeiros dias, tudo foi resolvido e o evento transcorreu sem grandes dores de cabeça. Digo isso como mero participante, porque sei que o pessoal da organização fez de tudo para que nenhum eventual problema aparecesse para os demais. O local onde foi realizado o evento (Centro de Convenções Sulamérica – veja foto abaixo) foi bem escolhido e deu conta do recado.

A estrutura para os painéis apresentados durante os vários simpósios também foi bem satisfatória. É fato que essa parte do evento sempre fica um pouco esquecida (principalmente porque as seções de painéis acontecem no horário do coffee-break), mas como podemos ver abaixo, o local estava movimentado.

O encerramento oficial do evento aconteceu no dia 13 de agosto (um dia antes do término dos simpósios). Na assembléia geral, aberta a todos os participantes (porém só os membros efetivos possuem direito de votar), foi feita a transição entre presidentes (Catherine Cesarski passou o comando para Robert Williams), secretários gerais e etc. Além disso, foram apresentadas novas resoluções, como a de incentivo à astronomia em países em desenvolvimento. Para se ter uma idéia, alguns países mais pobres não possuem sequer um observatório nacional e pouquíssimos astrônomos! Então existe uma “força-tarefa” que pretende criar incentivos nessa área (recomendo novamente o blog do Prof. Cássio, que tem um resumo sobre as novas resoluções). A foto abaixo foi tirada durante uma das votações.

Depois de toda a parte burocrática (e necessária para um evento deste porte), foi a hora de mais uma apresentação musical. Desta vez foi um coral que cantou, entre outras músicas, Garota de Ipanema. O cidadão à frente do coral tentou embalar a platéia com algumas batucadas, fazendo sons com as mãos e etc. Os astrônomos ficaram meio acanhados a princípio, mas no final estava todo mundo de pé tentando sambar.

Resumindo: foi uma experiência ótima, do princípio ao fim. Digam o que quiserem, mas o Rio tem seu charme e a organização conseguiu aproveitar bem o potencial da cidade. Bom, terminado o evento, só nos resta aguardar o dia 20 de Agosto de 2012, quando terá início a XXVIII Assembléia Geral em Pequim, China.

(Obs: agora só aqui entre nós: a assembléia seguinte, lá em 2015, acontecerá aqui)

O Google e os 400 anos do Telescópio de Galileu

agosto 25, 2009
400 anos do Telescópio de Galileu.

400 anos do Telescópio de Galileu.

Hoje (25/08/2009), o site do google está diferente.

Basta ir ao site (hoje!) e notar que o logotipo está com uma coloração e estilo diferentes. Ele está reproduzido logo acima.

Ao clicá-lo, somos redirecionados à lista de busca: Telescópio de Galileu.

Mais uma comemoração para os 400 anos do uso deste instrumento por Galileu, data que fez a UNESCO adotar 2009 como o Ano Internacional da Astronomia!

Blogueiros póstumos

agosto 24, 2009
elvis

Elvis não morreu: ele tem um blog

E se os grandes cientistas dos séculos passados fossem blogueiros?

É impossível saber a resposta a essa pergunta. Mas isso não nos impede de imaginar como a blogosfera seria mais rica com a participação de grandes personalidades do passado, mesmo que falecidas.

A revista CartaCapital* tem uma seção interessante chamada Blogs do Além. Nela são apresentados blogs de personagens ilustres da História.

Cada blog apresenta um texto que retrata descontraidamente um pouco da vida de ícones que em comum possuem o fato de, além de terem partido dessa para uma melhor, terem marcado época – o que de certa forma os imortalizou. Em geral há posts(-morten?) com bons insights, sendo comum uma abordagem que liga assuntos atuais aos do contexto em que tais sumidades se inseriram quando ainda vivos.

Dentre os blogueiros póstumos que ajudaram a construir o conhecimento científico há Platão, Descartes, Da Vinci, Nietzsche, Lavoisier, Pasteur, Newton (o qual me fez criar este post) entre outros. Como limitar o conhecimento ao científico nunca é bom, recomendo também os blogs de Machado de Assis, Princesa Diana, Tim Maia, Pedro Álvares Cabral e PC Farias.

*Se há uma revista que respeito muito, essa é a CartaCapital. Ela trata de atualidades com seriedade, sem esconder sua ideologia ou mascarar seu posicionamento político. Gosto muito do que alguns de seus repórteres escrevem, em especial Leandro Fortes, um dos que vêm cobrindo honrosamente os fatos da política brasileira, inclusive os que a mídia ordinária insiste em esconder.

Glicina no cometa Wild 2 – Resultados da Stardust

agosto 21, 2009
Cometa Wild 2, visto a partir da sonda Stardust

Cometa Wild, visto a partir da sonda Stardust

Não faz muito tempo, reportamos a descoberta de que o ambiente em Titã pode favorecer a formação de Adenina, um dos blocos construtores do DNA, e portanto, da vida como a conhecemos.

Recentemente, outra notícia surgiu apontando que esses blocos construtores da vida podem não ser tão raros assim. Desta vez, detectaram o aminoácido Glicina em um cometa, por meio de análise dos dados da missão Stardust.

Cometas são objetos remanescentes da formação do Sistema Solar, e portanto, carregam com eles informações cruciais para a compreensão de como nosso sistema planetário se formou.

É bom deixar bem claro que não se tratou de simulações em laboratório, que também são importantes como indicadores e traçadores de projetos de busca destes elementos relacionados à vida. Neste caso, uma sonda (a Stardust) coletou amostras de material primordial do cometa Wild 2. A poeira captada pela sonda, composta de material primordial, foi redirecionada de volta à Terra. Uma pequena parte desta amostra (100 bilhionésimos de grama de Glicina) foi então a que trouxe estes novos resultados.

O interessante é que este trabalho vem mostrar que estes corpos celestes podem nos dar dicas sobre o surgimento da própria vida aqui em nosso planeta. Além de reforçar uma versão suave da teoria da panspermia cósmica, que assegura que a vida não surgiu aqui na Terra, mas sim veio de carona com os constantes bombardeamentos que a Terra sofreu durante sua juventude em torno do Sol. Neste caso, não seria a vida propriamente dita, mas os ingredientes básicos para que esta pudesse se desenvolver aqui na Terra.

Em uma entrevista à revista New Scientist, a líder do projeto, Jamie Elsila da NASA, afirmou que “não é, necessariamente, uma surpresa, mas é muito gratificante achá-la, porque nunca tinha sido observada antes”. Ela acrescentou que houve tentativas de se encontrar estes blocos da vida através de telescópios na Terra, mas as digitais destes aminoácidos são demasiadas fracas para se detectar daqui.

Espera-se que a sonda Europeia Rosetta traga mais informações sobre compostos da vida. Está prevista para esta sonda orbitar e pousar (pela primeira vez na história) o núcleo de um cometa. Isto deverá ocorrer após 10 anos de uma longa viagem, ela deve alcançar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2014. Ano em que estaremos torcendo pelo Brasil em uma copa disputada em solo nacional!

IAUS 265 – Chemical Abundances in the Universe: Connecting First Stars to Planet

agosto 17, 2009

Aconteceu, entre 10 e 14 de agosto, o Simpósio 265 da União Astronômica Internacional (dentro da Assembléia Geral), dedicado exclusivamente às abundâncias químicas no Universo. Foi um apanhado geral do status das pesquisas voltadas ao estudo da composição química de estrelas, tanto na Galáxia quanto fora dela. Além disso, ocorreu dentro deste simpósio uma seção dedicada à Planetas Extrasolares, onde foram apresentados os vínculos entre abundâncias de metais em estrelas e a possível ocorrência de vida.

O evento foi muito bem organizado, e a sequência das apresentações foi pertinente. A semana teve início com uma plenária proferida por S. Woosley, que deu um panorama geral do status das pesquisas nesse tema, desde o cálculo em laboratório de parâmetros atômicos, passando pelas abundâncias em estrelas e galáxias, até chegar aos corpos que orbitam estrelas.

O programa seguiu a seguinte ordem (entre 10-15 palestras com 15-30 minutos a cada dia):

  • Nucleosíntese primordial e as primeiras estrelas no Universo;
  • Primeiras estrelas na Galáxia;
  • Aglomerados estelares: blocos formadores no tempo e espaço;
  • Abundâncias químicas no Universo em altos-redshifts;
  • Vínculos em abundâncias químicas e formação estelar na Galáxia e no Grupo Local;
  • Planetas Extrasolares: a conexão com abundâncias químicas;
  • Surveys dedicados à abundâncias e projetos na era dos grandes telescópios.

O assunto que mais me interessou foi (de longe) o último tópico, sobre projetos de mapeamento do céu e determinação de abundâncias químicas para o maior número possível de objetos. Alguns projetos, como o survey LSST (início das operações previsto para 2015), vão mapear várias vezes o céu em profundidades nunca antes alcançadas por telescópios na Terra. Serão terabytes de dados a cada noite, onde serão feitas análises tanto químicas quanto dinâmicas. Isso é de especial importância para o pessoal que já faz modelos quimio-dinâmicos de evolução galática. Eles terão milhões e milhões de dados observacionais para testar seus modelos.

E, novamente, foi levantado o ponto: será que quando essa avalanche de dados for coletada, nós teremos mão de obra e tecnologia suficientes para retirar o máximo de informação desta fonte em tempo hábil? Todos os aspectos e impactos devem ser pensados com muita calma. Lembrando da frase: “Se você falha no planejamento, você está planejando falhar”. Mas eu senti tanta confiança nas pessoas ao apresentarem seus planos de ação que tenho certeza que a próxima década será mais extraordinária do que esta, e nosso entendimento sobre as estruturas do Universo será aumentado consideravelmente.

Depois de tantos assuntos interessantes, o simpósio terminou com uma palestra de revisão feita por V.  Smith, que conseguiu captar (com pitadas de humor) os principais pontos levantados durante a semana. Resumindo: muito trabalho pela frente!

Corpos Celestes

agosto 16, 2009

Por incrível que pareça, sairá nos cinemas um filme nacional cuja história gira em torno de um astrônomo. Vai desde sua infância, onde sua paixão pela Astronomia foi despertada por um vizinho, até sua vida adulta e profissional.

O nome do filme é Corpos Celestes. Não assisti ao filme, até porque ainda não saiu em cartaz, mas acho que vale a pena ver um filme com temas astronômicos e, melhor ainda, nacional! Parece que vem para rechear as comemorações do Ano Internacional da Astronomia.

Um dos sets de filmagens foi o Planetário do Carmo, localizado na cidade de São Paulo.

Os diretores deste longa metragem são Marcos Jorge, o mesmo do filme “Estômago”, e Fernando Severo. O que assusta é que foi filmado entre 2005 e 2006 e só agora está pra sair em cartaz nos cinemas. Sua estreia oficial foi na última sexta-feira (dia 14) encerrando o Festival de Gramado.

Espero que seja bem fiel aos temas astronômicos que abordar e que não venha com astrologia e coisas do tipo!

O Dia dos Pais e Nossos Heróis

agosto 9, 2009

Hoje é comemorado o dia dos pais e a equipe do Café com Ciência não poderia deixar de prestar uma singela homenagem aos seus heróis.

Como homenagem resolvi postar um vídeo do genial Ástor Piazzolla. Este vídeo exibe uma apresentação da obra Adiós Nonino. Essa canção é considerada pelo próprio Piazzolla como sua melhor obra de arte, e foi composta em memória de seu pai, Nonino, pouco tempo após seu falecimento.

Temos heróis em todas as áreas. Na ciência, por exemplo, tenho vários: Newton, Gauss, Boltzmann, Marie Curie, Paul Dirac, entre tantos outros. Na literatura posso listar alguns: João Cabral de Melo Neto, Graciliano Ramos, Michel Serres, Gabriel García Márquez, Pablo Neruda entre vários. Também poderia fazer listas para a música, esportes, pintura…

Mas para a vida, meu Herói é, foi e sempre será, meu pai! Simples assim! Suas histórias, suas vitórias e derrotas, seus conselhos e toda experiência de vida são as fontes de inspiração. As vezes em que voltava de viagem após longo período fora, os brinquedos consertados, as broncas, os abraços e o colo, até mesmo o encobrimento de travessuras para evitar levar bronca da mãe… Tudo isso fica marcado e para sempre!

Aproveito então, para desejar a todos os pais do mundo o mesmo infinito que outrora desejei às mães. E que o infinito seja tão generoso com eles como estes foram com seus filhos.

Feliz dia dos pais!

IAU S262 – Stellar Populations: Planning for the Next Decade

agosto 7, 2009

Como já informado aos leitores do blog, 2/3 da equipe do café com ciência participa dos simpósios e da assembléia geral da IAU (ou UAI em português – favor não confundir a sigla com o termo largamente utilizado pelos grandes companheiros de Minas Gerais: uai).

Nesta primeira semana eu participei do Simpósio 262, que fala sobre populações estelares e os planos de desenvolvimento nesta área para a próxima década. O café com ciência já possui uma série de posts sobre o assunto, que pode ser acessada aqui.

A ordem geral é investir em modelos computacionais para síntese de populações estelares. Ou seja, criar modelos sofisticados que reproduzam com cada vez mais precisão as observações feitas daqui da Terra (e do espaço). Existem muitos grupos pelo mundo (também com presença de pesquidadore(a)s brasileiro(a)s) investindo pesado nesse tipo de modelagem.

Em uma outra palestra, aprendi sobre uma nova definição para estrelas de população III. É mais ou menos assim: a população IIIa é composta pelas estrelas super-massivas (comentadas no post anterior), que foram a primeira geração estelar, que evoluiu  rapidamente, enriquecendo o meio interestelar que deu origem às estrelas de população IIIb (ou II.5), segunda geração estelar de baixa massa (estrelas pobres em metais), que sobrevive até os dias de hoje…

Finalmente, hoje à tarde, uma das últimas palestras do simpósio versou sobre as perspectivas para os próximos 10 anos nessa área de populações estelares em galáxias. Complementando o que eu disse logo acima, a dica foi se preparar para a avalanche de dados que vai aparecer nos próximos anos, vindos de grandes campanhas como o LAMOST e dos telescópios como E-ELT, preparado para operar a partir de 2018. Ferramentas estatísticas, técnicas computacionais e treinamento de pessoal especializado foram alguns dos pontos levantados.

Na próxima semana, eu apresentarei um trabalho no Simpósio 265 – Abundâncias químicas no universo: conectando as primeiras estrelas aos planetas, que contará com a presença de experts na área. Aguardem notícias!

E, como ninguém é de ferro, chegou o final de semana e é hora de descansar (trabalhar) um pouco. No sábado, se o tempo ajudar, haverá visitação ao Cristo Redentor e outros pontos turísticos da cidade. Já no domingo, muitos terão a oportunidade de assistir o jogo do Flamengo contra o Corinthians no Maracanã. Independente da simpatia com algum dos times, vale a visita ao estádio!