Esboços do LHC ‘a la’ da Vinci

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Descrição do funcionamento do CMS no LHC de uma forma não usual.

Particularmente, gosto muito quando se mescla a arte com a ciência. Quando se coloca, lado a lado, o emocional e o racional. Mas de forma profunda e consistente, uma vez que ambas, arte e ciência, são frutos de anseios humanos em se expressar, buscar respostas, para si e para o outro.

Também, percebo que não sou o único a pensar desta forma. No filme Contato (baseado no romance homônimo do sensacional Carl Sagan) isto ocorre quando uma civilização extraterrestre resolve se comunicar com a cientista do SETI, Ellie Arroway, da forma menos traumática possível. Arroway é uma personagem fictícia, mas inspirada na cientista do SETI Jill Tarter. Para isto, eles abriram mão de uma comunicação puramente “racional” no momento em que acharam por bem contactá-la por meio da imagem de seu pai, já morto, e em uma praia paradisíaca em uma noite espetacularmente estrelada.

O engenheiro italiano Sergio Cittolin é o autor das imagens desta postagem, e tem feito obras de arte sobre o maquinário do LHC.

Ele trabalha no CERN e, em seus momentos livres, desenha esboços dos aparatos onde trabalha. Mas com um toque de arte, ele o faz num estilo bastante antigo, e que não era mais utilizado.

Mesmo sem muito tempo livre (conforme entrevista à revista Symetry), uma vez que está sendo o coordenador de projeto do sistema de aquisição de dados da experiência CMS (Compact Muon Solenoid) no LHC (Large Hadron Collider), ele tem feito um conjunto de esboços de vários sistemas do CMS, no que seria o estilo de da Vinci.

Tudo com a mais completa (e voluntária) ilegibilidade para um leitor dos dias atuais. Além disso, ele procura usar objetos da época renascentista, como cordas e roldanas, para explicar o funcionamento dos aparatos, além de escrever em sentido contrário ao dos dias atuais (como fazia Leonardo).

Por se tratar de pura arte, seus desenhos são usados nas capas dos relatórios técnicos do CMS. De certa forma, um tributo por parte do time em que trabalha.

Cittolin compara este tipo de trabalho com a visão naturalista de Leonardo da Vinci. da Vinci foi em busca do conhecimento seguindo sua própria maneira. Ele mergulhou fundo em descobrir como as coisas funcionam e por quê. Para isso, muitas vezes ele dissecava os objetos de estudo. “Então veio a idéia: por que não apresentar nosso trabalho ao mundo usando este instinto naturalista de Leonardo?”, questionou-se Cittolin.

Assim como Leonardo que não via muita distinção entre arte e ciência, Cittolin nos presenteia com belas imagens:

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A idéia é desenhar sob um, provável, ponto de vista de Leonardo. Como em um corpo, o detector é dissecado por um curioso que deseja entendê-lo.

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Aqui, as partículas são representadas por livros. Mais de 99% é rejeitado ao longo do trajeto no aparato e, por fim, empilhado. Os poucos em fila, são eventos pré-selecionados para estudo posterior.

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3 Respostas to “Esboços do LHC ‘a la’ da Vinci”

  1. tiagozecolmeia Says:

    Pedimos desculpas por termos deletado os comentários antigos. Abaixo segue uma cópia deles:

    3 Respostas para “Esboços do LHC ‘a la’ da Vinci”

    1. Américo Tavares Diz:
    Julho 3, 2009 às 16:38 | Responder

    Belas imagens e belo post!

    2. Marcellus Diz:
    Julho 3, 2009 às 17:47 | Responder

    Eu não conhecia o trabalho de Cittolin, muito bom. Eu sempre achei a ciência uma arte e a arte uma ciência. Quero deixa aqui uma frase de Henry Miller que eu acho que é pertinente. “No meu entender, vejam, os artistas, os sábios, os filósofos parecem muito ocupados em polir lentes. Tudo isso não passa de grandes preparativos em vista de um acontecimento que não se produz jamais. Um dia a lente será perfeita; e nesse dia nós todos perceberemos claramente a assombrosa, a extraordinária beleza deste mundo…”

    3. Alessandro Moisés Diz:
    Julho 5, 2009 às 11:44 | Responder

    Obrigado Américo!

    Marcellus, espero que o dia da lente perfeita não tarde muito a chegar… 🙂

  2. l.felipe B Says:

    Linda imagens! realmente quando a arte sefunde a ciencia, é uma coisa preciosa e deve ser mostrada a todos de alguma forma…
    ótimo post 😉

    |Obrigado pelo link, abraços

  3. Alessandro Moisés Says:

    Olá Felipe,

    cada vez mais percebo como há pessoas que gostam desta fusão (arte com ciência).

    Um grande abraço

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