1789 d.C. – A queda da Bastilha

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Após escrever sobre duas datas importantes que ajudaram a refazer a história da civilização ocidental (476 d.C. – Queda do Império Romano do Ocidente e 1453 d.C. – Tomada de Constantinopla), terminarei esta série com a Queda da Bastilha em 1789, evento que marca a transição entre Idade Moderna e Idade Contemporânea.

Com a queda da Bastilha (acompanhada por uma sucessão de eventos como o Juramento da Péla), a Europa viu o ideário de Liberdade, Igualdade e Fraternidade vencer o absolutismo e o sistema arcáico e desumano de uma sociedade baseada em três castas: o clero, a nobreza e o resto (primeiro, segundo e terceiro estados, respectivamente. Mais tarde esta idéia foi generalizada para o mundo inteiro na famosa divisão: primeiro, segundo e terceiro mundos).

Com este ideal, por exemplo, não fazia sentido a escravidão (supondo, ridicularmente, que em algum momento houve sentido para tal). A classe remunerada surgia, e com ela toda uma revolução social. Não é de se estranhar que a primeira revolução industrial surgiu por volta desta época.

O trabalho braçal já não dava mais conta do crescente mercado consumidor. As potências européias, que ainda insistiam na escravatura em suas colônias como forma de produção, eram pressionadas a abandonar tal sistema pela Inglaterra, a locomotiva da revolução industrial.

Aproveitando o embalo, figuras do porte de Sadi Carnot, Clausius, entre tantos, desenvolveram o que conhecemos como Termodinâmica. Esta surgiu ao se perceber que o vapor de água poderia ser usado para mover coisas, desde trêns até motores em uma indústria. A energia térmica do gás poderia ser convertida em energia mecânica.

Alguns argumentam que, quase, toda a base para a descoberta desta transfomação de energias estava pronta desde a época do Império Romano. E que eles só não pararam para desenvolver máquinas a vapor devido à preguiça intelectual causada pelo trabalho escravo. Para que desenvolver máquinas se tenho centenas (talvez milhares) de escravos trabalhando sob meus açoites?

Para explicar “Newtonianamente” o movimento das partículas dos gases estudados, e a partir daí derivar leis físicas aplicáveis a esta nova área da Ciência, surgiu a Mecânica Estatística. Como existem “zilhões” de partículas em uma pequena quantidade de gás, uma análise minuciosa do movimento de cada uma seria, praticamente, impossível. Daí a idéia de se fazer uma análise estatística, mas bastante precisa. Desta linha de raciocínio destaco Boltzmann.

O desenvolvimento científico desta época não ficou restrito às máquinas. Neste período, onde a “Ordem e Progresso” estavam de mãos dadas com o raciocínio político e científico, surgiu a figura de Darwin, cuja teoria da evolução das espécies está comemorando 200 anos agora em 2009 e que, portanto, dispensa maiores comentários.

Abaixo vemos como a efervescência do momento devido ao calor (literalmente) e o sucesso de suas aplicações influenciam até a visão de um artista, neste caso em particular, o pintor William Turner.

Visão do artista William Turner de um horizonte marítimo à época da Revolução Industrial.

Visão do artista William Turner de um horizonte marítimo à época da Revolução Industrial.

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