Analogia da Semana – Árvore

by

Dia desses eu estava pensando no papel dos cientistas na sociedade ou, sendo um pouco mais específico, como o trabalho imerso em um contexto cada vez mais particular pode contribuir com a sociedade como um todo. Me surgiu uma analogia (no meu ponto de vista) interessante sobre o papel da divulgação científica na comunidade.

Quando se trata de pesquisa em ciência de base (aquela sem aplicação imediata), é uma eterna luta entre “o que você sabe” e o “quanto você sabe sobre isto” (existem formas engraçadas de abordar a questão). O sujeito que se torna cada vez mais específico (aquele que entende mais de menos) quebra as barreiras do conhecimento pouco a pouco, levando a pesquisa às fronteiras do conhecimento. Entretanto, é preciso um “universalista” (aquele que entende menos de mais) para agregar o sem número de pequenos fragmentos e construir uma nova realidade menos abstrata e mais palpável aos olhos de um público mais amplo. Bom, de fato nada impede que ambos sejam a mesma pessoa, mas isso tem se tornado cada vez mais raro.

Pense em uma grande árvore, onde cada pequeno ramo representa uma parte deste conhecimento cada vez mais específico. Cada ramo pensa ser autosuficiente na produção de seu fruto, e deposita todo o seu empenho nessa tarefa. Todo o trabalho gira em torno da formação de um fruto que tenha atrativos para ser consumido e que tenha sua utilidade. A única consciência que o ramo possui do todo (galhos, caule, xilema, floema e raízes) é que este lhe fornece o suporte necessário para realizar suas atividades, ou seja, constrói toda a base para o crescimento do ramo e do fruto que ele gera.

Vendo essa grande árvore de cima,  é possível contemplar toda sua beleza. É nessa escala que se percebe como cada galho, ramo e frutos, trabalhando individualmente, contribuem para o conjunto. Porém, se não houver um meio de colheita para levar o fruto até quem (ou o que) o consome, ele definha ali mesmo e todo o esforço colocado em seu desenvolvimento é desperdiçado. Pense nesse meio de colheita como sendo animais, pássaros, agricultores, o vento ou o que quer que seja. O importante é que, sem esses agentes de disseminação, a função principal do fruto não é cumprida. Indo um pouco mais longe: A chance de um fruto ser bem sucedido está ligada também à sua apresentação perante àqueles que eventualmente irão consumi-lo. Claro que se um fruto cai no chão, também existe uma chance de sucesso, mas provavelmente o seu período “ótimo” de consumo será desperdiçado. Ou seja, seu destino é ditado pelo acaso.

De que vale uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado, que levam muitos anos de trabalho árduo para serem concluídas, encostadas em uma prateleira de biblioteca, sem que ninguém as veja? Na maioria das vezes, elas não são utilizadas simplesmente porque ninguém sabe que elas estão lá. A única chance de divulgação é o “acaso” de que alguém, passando os olhos pela prateleira, as escolha.

Se não existir fusão e difusão do conhecimento em suas mais diversas escalas, a pesquisa se torna cada vez mais uma questão de satisfação pessoal e, quando muito, de interesse restrito a uma pequena fração da comunidade. É importante divulgar, disseminar, fazer com que o fruto do seu trabalho seja utilizado da melhor forma possível e pelo maior número de pessoas. E, além disso, sempre ter em mente qual é a árvore que te fornece suporte.

No fim das contas, eu vejo a ciência como uma árvore: olhando de perto você percebe cada detalhe e nuance envolvidos em sua formação; olhando de longe você percebe a integração das partes e a beleza do todo.

Tags: ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: